02 de julho de 2004 - Jose Rocha

O futebol brasileiro e a revolução dos emergentes

Estou literalmente deslumbrado com o Santo André, campeão da Copa do Brasil de 2004 - surpreso, não, vamos deixar claro. Um time bem aplicado e vencedor como o Santo André não pode ser chamado - é simplista demais - de "surpresa". Não. O Santo André, não. Nem o XV de Campo Bom (que nome sonoro o dessa cidade gaúcha!). Para abrir logo o verbo, nem essa draga em que se encontra o Flamengo ("uma vez Flamengo") pode ser considerada surpresa.

O Santo André - com o Mengão de quatro em pleno Maracanã, diante de mais de 70 mil pessoas - é a prova mais fresquinha de que a ordem natural das coisas no futebol brasileiro está de mudança. Eu sei que Eurico Miranda e Ricardo Teixeira ainda continuam por aí, mas há claros sinais de que algo muda, para melhor, e com a velocidade do time andreense - é assim que chamamos quem nasce em Santo André, e é bom irem se acostumando.

Vejam só o Campeonato Brasileiro da Série A. Quem é o líder? O Corinthians? O Botafogo? O Mengo? O Vasco? Não! É o Figueirense (pelo menos até enquanto escrevo esta crônica, hoje, que é dia 2 de julho de 2004). E quem é o atual campeão paulista? O Palmeiras? O São Paulo? O Santos? Não! É o São Caetano, o santo metalúrgico vizinho do Santo André. É a verdadeira revolução dos emergentes, senhores, que, aliás, vai além das fronteiras do Brasil e chega à Eurocopa (Portugal e Grécia disputam o título deste ano) e à Taça Libertadores (o Once Caldas, que desbancou o todo poderoso Boca Juniors, mostra que o tempero do velho caldo não é mais o mesmo).

Enquanto isso, os chamados "grandes" - sempre questionei esse termo - estão no precipício, descendo pelo ralo, sem pai nem mãe. Corinthians, Flamengo, Botafogo, Vasco, todos, um a um, são timinhos, com seus dirigentes com cara de besta (eles, os senhores dirigentes, que não sabem dar um chute sequer, mas que usam cartolas e mandam demais). É o anúncio do fim. Ou esses tais "grandes" se tocam, ou vão tocar as trombetas no calabouço da Segunda Divisão, como o fez o Palmeiras, que comeu o pão que a desorganização amassou.



É bom demais ver o cenário modificado. Quem sabe os atores mudam! Quem sabe os dramaturgos dessa peça dantesca saem de fininho e nunca mais voltam! É assim que acontece numa revolução - Santo André, São Caetano e Figueirense mostram que são eles (mais Criciúma e Ponte Preta, antes que me esqueça) os novos donos dos grandes jogos no futebol brasileiro. Olha, “seu” Dominguinhos, que "isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais".

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