O falso PT de Marta Suplicy
10 de outubro de 2004 - Jose Rocha

Acho engraçada a declaração do candidato a prefeito de São Paulo, Paulinho da Força, de que o Partido dos Trabalhadores tem muito poder e que isso lhe causa medo. É a mesma bobagem - nefasta - dita pela atriz Regina Duarte durante a campanha presidencial de 2002 - por isso lhe cai tão bem o apelido que ganhou: Regina Duarte. Mas não posso me esquecer que a prefeita Marta Suplicy fez o mesmo quando disse que uma eventual vitória de José Serra representava o medo.

Confesso que Marta, com todo o seu poder dentro do PT, não me é nem um pouco simpática - ela passa por cima de tudo e de todos e impôs o seu candidato a vice, do PT, quando o próprio presidente Lula queria uma aproximação com o PMDB. Agora Marta vem a público e diz que quer os votos de Paulo Maluf, tradicional inimigo dos petistas desde que o mundo é mundo. Não gosto da candidatura de Marta, nem da de Serra. Se votasse em São Paulo, e tivesse que votar pelo lado ideológico, votaria em Marta. Se votasse em São Paulo e não fosse pelo lado ideológico, anularia meu voto.

Mesmo assim, o que mais me chama a atenção nesse balaio de siglas é a volta da palavra medo no vocabulário político brasileiro. O senhor Paulinho da Força - a Força Sindical, aquela, que me parece extremamente suspeita e antipática - mostra quem é quando repete a besteira que Regina Duarte disse antes da eleição de Lula. A velha Regina, a ex-namoradinha do Brasil, que vive de renda e fama naquele condomínio de alto luxo, em Barueri: o Alphaville, que já desejou se emancipar e virar município, e que meu amigo Rodolfo Tokimatsu bem chama de Kwait da Grande São Paulo.

Ganhe quem ganhar, em São Paulo, seja Marta ou Serra, que estão no Segundo Turno, pouco me importa essa eleição. Não moro em São Paulo - a Capital -, nunca votei lá e não gosto nem de Marta, nem do PSDB. Gosto menos ainda de Paulinho, da Força Sindical, de Paulo Maluf... E não tenho medo de mais uma vitória do PT. Essa pilantragem alardeada por Regina Duarte e Paulinho da Força é que me irrita. Só faltava Francisco Rossi repetir o mesmo, o que não me causaria surpresa alguma. Mas o que falta mesmo, e aqui vai uma preocupação, é o ex-prefeito de Osasco, saído da ala que amparou Fernando Collor, com licença da palavra, declarar apoio a Marta. Aí seria o circo absoluto.

De qualquer forma, vai ser muito interessante ver Marta e Maluf no mesmo palanque. Será uma graça - mas uma patifaria sem tamanho para a história do Partido dos Trabalhadores. Para Maluf, na base do "estupra, mas não mata", será comum. O meu medo, e é sério, seria Maluf no poder, na Presidência, na prefeitura de qualquer cidade. A senhora Marta, burguesa, sim, e seu filho Supla disse isso, uma vez, na TV do malufista Sílvio Santos, dá, com isso, um gás ao homem que representa o mal em todos os seus sentidos. Essa aliança inusitada me causa espanto e, confesso, medo eu tenho é desse falso PT que dona Marta comanda.

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