Polícia Federal prende quadrilha de tráfico internacional em Tupã
Nossa Lucélia - 21.04.2012





TUPÃ - Após seis meses de investigações, a Polícia Federal prendeu uma quadrilha de tráfico internacional de drogas na manhã de ontem, em Tupã. Ao todo foram presas sete pessoas, cinco delas de Tupã, além de 2 moradores de Ponta Porã, no estado do Mato Grosso do Sul. A polícia ainda investiga o paradeiro de mais um acusado que está foragido.

 

A operação que desmontou o grupo foi batizada de “Operação Trovão”, uma referência ao nome da cidade de Tupã, considerada epicentro da organização criminosa se encontrava em Tupã. Os acusados foram presos por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e roubo. Se condenados, a pena pode chegar a 35 anos de detenção.

 

Entre os presos está Marcos Caetano, apontado como líder do grupo. Segundo a polícia, ele chegou a morar no Paraguai por vários meses, organizando o esquema que seria adotado pela quadrilha.

 

Também foram detidos pela Polícia Federal o braço direito do líder da quadrilha, identificado apenas como Gionavi, e outra pessoa identificada como Flávio, que começou trabalhando para o grupo como “mula”, transportando até um quilo de droga no estômago. Ele conquistou a confiança de Marcos e acabou sendo promovido para um cargo importante dentro da organização.

 

A polícia prendeu ainda Welton, que seria tesoureiro do grupo, responsável pelos pagamentos de tudo o que recebiam e vendiam e Emerson Bordon, proprietário de um posto de combustível da cidade, que seria responsável pelo recebimento, preparação e revenda da droga.

 

Completam a relação de presos na operação Josias Dionísio, tido como braço da quadrilha no Paraguai e Lucilene, que fazia transações do dinheiro da quadrilha em sua conta e também transportava drogas em veículos roubados.

 

Os criminosos serão encaminhados a penitenciária. Segundo o delegado da Polícia Federal, José Navas Júnior, que coordenou a ação, alguns dos acusados já estavam com prisão decretada pela Justiça.

 

Ele revelou também que quadrilha agia com duas frentes: o tráfico de drogas e o roubo de veículos. A quadrilha transportava o entorpecente pela chamada “rota caipira do tráfico de drogas”, que consiste em trechos das rodovias SP-270, “Raposo Tavares”; SP-294, “Comandante João Ribeiro de Barros” e a BR-153, a rodovia Transbrasiliana.

 

A quadrilha se organizou com uma estrutura quase empresarial e passou a atuar também em roubos de veículos, que eram utilizados para transportar as drogas. “A quadrilha agia em duas células. A primeira é o tráfico de maconha e cocaína, que eram trazidos do Paraguai. E a segunda cela era o assalto de veículos, em especial de sacoleiros. Tanto os automóveis quanto as mercadorias eram revendidos no mercado paralelo para sustentar o grupo e transportar as drogas”, comentou.

 

Segundo o delegado o grupo passou a roubar veículos que sacoleiros que voltavam do Paraguai com produtos contrabandeados. Além de revender as mercadorias, utilizava os veículos para o próprio transporte dos entorpecentes.

 

Para não levantar suspeita da polícia, a quadrilha contava com um despachante policial no estado do Rio de Janeiro, que era responsável por alterar a documentação dos veículos roubados. A polícia acredita esse despachante tinha acesso ao sistema do Detran, onde alterava dados do registro, regularizando os veículos. Após serem utilizados pelo grupo, esses veículos eram revendidos, sem levantar suspeitas.

 

“A documentação dos carros roubados eram regularizados de forma ilegal por um despachante no Rio de Janeiro, e depois eles eram revendidos tanto no Brasil quanto no Paraguai. As investigações terão prosseguimento com objetivo de recuperar os automóveis e objetos roubados, e também apreender os bens conquistados pela quadrilha com o dinheiro do tráfico”.

 

Ainda de acordo com as investigações, a quadrilha sempre se deslocava por meio de rodovias com pouco movimento e que não contam com bases da Polícia Militar Rodoviária. Eles traziam a droga até Tupã, onde preparavam a droga para a comercialização e em seguia revendiam os entorpecentes na região e para outros centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

 

Estrutura empresarial

 

O delegado afirmou também destacou a o nível de organização da quadrilha, estruturada de forma quase empresarial, com integrantes em vários estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As ramificações da quadrilha nesses outros estados também estão sendo investigadas pela Polícia Federal. “As investigações mostraram que a quadrilha contava com tesoureiro, gerentes por ponto, pontos de intercomunicação entre os integrantes em vários estados”.

 

Durante a Operação Trovão foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão em quatro Estados. Além da prisão dos sete acusados, a operação da Polícia Federal também resultou na apreensão de várias mercadorias, que seriam provenientes dos roubos contra sacoleiros.

 

Os policiais apreenderam também caminhões, veículos de passeio, sendo alguns importados, além de motos, algumas com chassi adulterado; eletroeletrônicos e materiais automotivos. A ação resultou ainda na apreensão de uma tonelada de drogas, que foram sendo recolhidas em diversas abordagens.




Fonte: Folha do Povo (Tupã) / Bastos Já


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