Justiça determina atendimento médico dentro dos presídios de Junqueirópolis e Irapuru
Nossa Lucélia - 12.04.2012



REGIÃO - A Justiça deu prazo de 24 horas para o Estado providenciar atendimento médico para presos dentro das penitenciárias de Junqueirópolis e Irapuru. A falta de médicos nessas unidades faz com que os presos saiam dos presídios para serem atendidos no pronto atendimento de Junqueirópolis.

A ação foi movida pelo Ministério Público depois que dois médicos da unidade prisional de Junqueirópolis pediram afastamento do cargo por problemas de saúde. Com isso, restou apenas um profissional para prestar o atendimento a aproximadamente 1.300 presos.

“Pela ausência efetiva de médico na penitenciária, os presos estavam sendo redirecionados ao pronto socorro para atendimento de saúde e isso estava prejudicando o atendimento da população”, explica o promotor de Justiça Ruy Fernando Bodini.

Os presos estão sendo levados ao pronto-atendimento, que é o único para atender aproximadamente 18 mil habitantes de Junqueirópolis. Os presos vão na viatura policial e um agente penitenciário avisa na recepção da chegada do detento.

Depois disso os presos descem da viatura algemados e passam por um ponto onde ficam os pacientes. “A população reclama porque os presos têm, de acordo com o protocolo de segurança, o atendimento prioritário. Com isso, diminui o tempo deles na unidade para evitar risco de fuga e possíveis resgastes. A população às vezes não entende isso, pois precisam ficar esperando”, relata o enfermeiro responsável pelo pronto atendimento, Eder Gimenes Zanquin.

Mobilização que, segundo o enfermeiro responsável pela unidade, não seria necessária, já que boa parte dos atendimentos oferecidos aos presos não é de natureza grave. “Não justifica esses atendimentos aqui. Eu sei que hoje não tem médicos nos sistemas prisionais de Junqueirópolis e Irapuru, mas são coisas ambulatoriais, simples, e às vezes a gente percebe que eles forçam para vir mais na unidade porque é mais fácil de ser resgatado aqui do que no presídio”, afirma o enfermeiro.

Para as pessoas que vão em busca de atendimento no local, a sensação é de insegurança. “O preso veio por uma sala do fundo e foi atendido primeiro que eu. Acho isso uma injustiça”, diz o cortador de cana Sérgio Luiz de Alemida.

A expectativa é que o problema seja resolvido em alguns dias. Caso o Estado descumpra a decisão, a Justiça determinou uma multa diária de R$ 50 mil.

A secretaria da Administração Penitenciária informou que, mesmo com a falta de dois médicos, existe um quadro de enfermeiros treinados para prestar os primeiros atendimentos de emergência. Informou ainda que há um concurso público aberto para contratar mais de 300 novos médicos para atender as unidades prisionais de todo Estado.


Fonte: TV Fronteira


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