Região pode ter 6,5 mil usuários de crack
Nossa Lucélia - 02.03.2012


Vereadora quer proposta do governo federal para pequenos municípios onde a droga virou epidemia

TUPÃ - A Alta Paulista pode ter até 6,5 mil usuários de crack. A droga se tornou uma epidemia na região, a exemplo da grande maioria das cidades brasileiras do interior.

A vereadora Telma Tulin, de Tupã, inicia uma campanha para que cidades com menos de 200 mil habitantes também tenham acesso a recursos federais para combate à droga. Tupã, por exemplo, pode ter atualmente entre 1.260 e 1.850 usuários exclusivamente de crack, a droga da morte e do crime.

E o governo federal sabe disso porque no final do ano passado lançou o Plano Nacional de enfrentamento ao crack. A proposta é investir perto de R$ 4 bilhões, abrangendo medidas para aumentar a oferta de tratamento de saúde aos usuários de droga, prevenção, acolhimento, reinserção social e segurança pública, incluindo o enfrentamento do tráfico e das organizações criminosas.  

Já a proposta da vereadora Telma Tulim em ampliar para os pequenos municípios a ajuda federal no combate ao "crack" está baseada ainda na chegada da droga a regiões complemente rurais e com os mesmo reflexos devastadores. “Trabalhadores rurais, motoristas profissionais (em substituição ao antigo rebite) acabam usando o crack no trabalho”, exemplificou a vereadora.  

Nesta semana a Rádio Cidade de Bastos divulgou que, com base nas estatísticas de cientistas e da polícia dos Estados Unidos e Europa, a partir de 2004, as 16 cidades mais próximas entre quatro microregiões cobertas pela emissora pode somar entre 4 mil e 6,5 mil usuários de crack.

O estudo usa um método por amostragem que afirma: em 2004, 2% da a população americana havia consumido crack nos últimos 30 dias antes da sondagem.

 Para se chegar ao número regional, a emissora usou o mesmo método, que apontaria para os dados estimados nesta semana. Os dados não são oficiais e não há também uma estatística ou estudo científico sobre os casos do "crack" na Alta Paulista. 

Mas se o método americano fosse aplicado na região haveria um crescimento de pelo menos 30% no número de consumidores nos 6 anos seguintes (até 2010), o que podem indicar que algo em torno de 3% da população estaria fazendo uso do entorpecente, sem dúvida um dado alarmante.  

A reportagem da Rádio Cidade fez a previsão usando como referências as cidades de Tupã, Bastos, Iacri, Parapuã, Rinópolis, Rancharia, Arco-Iris, Quintana, Herculândia, Quatá, João Ramalho, Queiroz, Osvaldo Cruz, Sagres, Salmourão e Borá em uma população estimada em 202 mil habitantes.

O titular da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE) de Tupã, delegado Sandro Resina Simões, é cético aos avaliar esses números, mas reconhece que a situação é gravíssima. “A estatística é sempre uma estimativa. Na realidade, a gente não tem um dado concreto para avaliar ou para fixar quantidade de usuário de drogas em geral e específicos. Mas uma coisa que a gente não pode negar é que o problema realmente é muito grave, muito sério”, resumiu. 

Segundo Simões, a experiência do dia-a-dia mostra problemas familiares, distúrbios psicológicos, abusos no uso de álcool e outras drogas e também a curiosidade e as más companhias como as causas mais incidentes para a entrada de novos usuários no rol das vítimas do crack.  

De acordo com Sandro Simões a maior parte do crack comercializado e consumido na região é proveniente de alguns países da América do Sul, atualmente com ênfase para o Peru. “Com base nas apreensões que nós fazemos é sempre proveniente do Paraguai, Colômbia, Bolívia e até o Peru, que hoje, até no ambiente mundial das drogas e se tornou um dos grandes produtores de cocaína”.

Outra mudança expressiva apontada pelo delegado é a presença feminina no tráfico e uso. “Até pouco tempo, apenas homens iam à procura, nas bocas de droga. Hoje chega a ocorrer 50% de presença feminina e pessoas de todas as origens que se possa imaginar”, avaliou.


Fonte: OCnet / Colaborou Rádio Cidade


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