Crise na Europa prejudica produtores de acerola de Junqueirópolis
Nossa Lucélia - 17.02.2012
JUNQUEIRÓPOLIS - As exportações de frutas recuaram cerca de 13% no início deste ano, conforme estatística do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf). Cerca de 75% das frutas que o Brasil exporta vai para países da União Europeia, que vêm enfrentando uma grave crise.
Com as exportações em baixa, os produtores de acerola também foram atingidos. De acordo com levantamento da Associação Agrícola de Junqueirópolis (AAJ), mais de 60 toneladas da fruta deixaram de ser vendidas diariamente, acarretando prejuízos para a associação e produtores.
Entre os 90 produtores associados à Associação Agrícola, Ângelo Messina, 57 anos é um dos agricultores que acumula prejuízos. Segundo ele, durante esta semana sua produção registrou perda de aproximadamente 4 mil kg. Atualmente Messina tem plantado em sua propriedade 450 pés de acerola, produzindo em média 20 kg/pés. “Durante esta semana minha produção girou em torno de 9 mil kg. Com a falta de comprador deixei de colher um pouco menos da metade da produção que acabou estragando na roça devido à alta perecibilidade dos frutos”, disse.
Assustado com a queda no mercado, o produtor desistiu de ampliar a área plantada. “Antes desta crise eu pretendia plantar mais 800 pés de acerola, mas agora desisti”, comentou ao demonstrar sua frustração.
De acordo com Osvaldo Dias, presidente da AAJ, a crise nos países desenvolvidos, que se arrasta desde 2008, trouxe este ano importantes conseqüências para os produtores de acerola da região.
Tradicionalmente exportadora, a nossa região, maior pólo produtor de acerola do Estado de São Paulo viu os embarques da fruta ao exterior caírem. “Motivados pela expectativa de aumento do consumo no mercado internacional, incentivamos os produtores aumentar a área plantada do fruto e conseqüentemente o aumento da produção.
Mas agora a crise desencadeou uma reestruturação da produção que envolve redução, ou melhor, não ampliar mais a área plantada e manter a atual, além de dar maior foco ao mercado interno”, recomenda.”Antes da crise, as grandes indústrias se interessavam pela exportação. Hoje, quando se olha o fluxo de caixa da exportação, a remuneração é até pior do que a do mercado interno”, reconheceu.
Dias disse que está é mais uma crise na agricultura que o produtor rural está enfrentando. “Esta é apenas mais uma crise que nós agricultores estamos enfrentado, e assim como as outras, vamos superar esta também”, acredita.
Para finalizar o presidente informa que os próximos anos serão de adaptação de mercado, com o direcionamento focado na produção ao mercado interno.
Fonte: Jornal A Notícia
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