PICADA DE COBRA - Família suspeita de erro médico na Santa Casa
Nossa Lucélia - 09.02.2012
Segundo a assistente social, causa da morte não pode ser divulgada pelo hospital
TUPÃ - O serviço de assistência social da Santa Casa de Misericórdia de Tupã informou apenas que o aposentado João Simenikim, de 73 anos, que residia à Rua Carmelo Morábito, 96, na Vila Formosa, deu entrada no hospital, às 11h30 do dia 29 de Janeiro, domingo da semana passada e morreu às 06h15 da terceira-feira, dia 31... De acordo com a assistente Selma, a causa da morte não pode ser divulgada pelo hospital. Uma das filhas de João Simenikim, da Família da empresa Rapa Entulhos, de Tupã, Maria Inês, que socorreu o pai, após o acidente, contou à reportagem da Rádio Cidade FM (91,5 MHz) que o aposentado foi picado, pouca antes das 11h00 quando parou à margem da vicinal Tupã-Parnaso para cortar uma moita de capim para alimentação de seus animais... Ele tinha acabado de sair de um sítio, onde teria negociado com o proprietário a compra de um touro. Segundo Maria Inês, João Simenikim a procurou imediatamente em casa contando o que ocorreu e pedindo ajuda, mas disse que não havia visto o peçonhento que o picou, e que sentia muita dor no local da mordida e no restante da perna.
SÃO FRANCISCO - A filha relatou ainda que inicialmente levou seu pai ao Pronto Socorro do Hospital São Francisco, onde recebeu a informação de que tratamento a picadas de cobras era oferecido apenas na Santa Casa, onde chegou por volta das 11h30 do domingo, recebeu os primeiros atendimentos e foi internado por volta das 15h00. Segundo Maria Inês, como João Simenikim não conseguiu identificar o animal que o havia picados, pela “medida” da mordida, os profissionais responsáveis pelo atendimento “presumiram” que seria uma jararaca e de tamanho adulto. A filha do aposentado lembra que já na segunda-feira pela manhã ao visitar o pai percebeu que ele apresentava Inchasso e que ele, mesmo consumindo muita água e até 'água de coco' levada pela família, não conseguia urinar. O corpo de João Simenikim inchou tanto que, segundo Maria Inês foi preciso pedir a seu irmão Tato, que levasse uma bermuda, já que a calça do pai, não fechava pelo inchaço.
CURIOSO- Maria Inês relatou ainda que no decorrer da segunda-feira, outro episódio chamou a atenção de familiares da vítima. Uma médica entrou no quarto e ao ver o aposentado com o pé inchado e perguntou se ele teria “quebrado o pé”, pergunta que foi ouvida com preocupação pela família do aposentado. A filha de João Simenikim relata ainda que apesar da insistência que ele estava excessivamente inchado e sentido muitas dores, a única resposta que ouvia era que “isso é normal nos casos de picada de cobras. E que era causado pelo veneno... ninguém respondia nada”, afirmou. Para a família Simenikim, não há dúvida que o aposentado já havia sido afetado pela paralisação das funções renais e que a medida indicada seria submetê-lo a um tratamento diálise.
FALTA DE AR - Por volta das 17h30, segundo Maria Inês, João Simenikim chegou a ligar para outra filha identificada como “Bel”, reclamando das dores e que continuava sentido 'falta de ar'. Como o quadro se agravou, ele foi encaminhado então para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Às 06h45 da terça-feira, dia 31, Maria Inês recebeu uma ligação telefônica dando conta da morte do pai. Agora, os familiares de João Simenikim estão requerendo da Santa Casa uma cópia do prontuário com as anotações do atendimento oferecido ao aposentado. A suspeita é de tenha havido falha no atendimento, especial no acompanhamento e combate aos danos renais que o veneno da cobra provocou no aposentado. A família suspeita que uma Insuficiência Renal, a causa mais provável da morte de João Simenikim, não tenha sido adequadamente tratada na forma dos protocolos internacionais para os casos de ataques de peçonhentos. “Imaginamos que qualquer profissional que faz esse tipo de atendimento tenha conhecimento de que o veneno provoca paralisia dos rins e meu pai nem segou a ser encaminhado para esse tratamento. Ainda mais quando a vítima é uma pessoa de 73 anos de idade”, lamentou Maria Inês.
DERRAME - Maria Inês disse ainda que o que mais dói para a família é o fato de que João Simenikim, apesar da idade, era uma pessoa “muito saudável, bem disposto, mesmo aposentado, sempre levantava cedo para cuidar das suas coisa” e que até gostava de preparar o café da manhã antes do despertar da esposa, Senhora Ignês, 72, que em função do acidente e da morte repentina de Simenikim não resistiu e sofreu um princípio de derrame (Acidente Vascular Cerebral) e até a tarde de ontem continuava internada no Hospital São Francisco de Assis. A filha de João Simenikim também negou os boatos que circularam sobre a sua morte, de que ele teria procurado um benzedor e ido ao hospital somente no dia seguinte. “Eu cheguei com ele na Santa Casa, mais ou menos às 11h30. O horário de atendimento pode ser confirmado no Pronto Socorro. Isso é boato. Assim que foi picado, meu pai me procurou e fomos atrás do atendimento”, rebateu.
SEM INFORMAÇÕES - O administrador da Santa Casa de Misericórdia de Tupã, Laércio Aparecido Garcia, desautorizou a divulgação de qualquer informação sobre o que ocorreu com João Simenikim durante seu período de atendimento e internação naquele hospital. Segundo, ele, a instituição é proibida por normas as quais está submetido de revelar ou tornar público qualquer dado que conste no prontuário de qualquer paciente. A assistente social Selma disse que vou proibida inclusive de divulgar a causa da morte do aposentado que, acredita-se, tenha sido insuficiência e falência renal.
Fonte: Rádio Cidade de Tupã - Nilton Mendonça
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