Transexual acusa vereador de homofobia
Nossa Lucélia - 26.01.2012
QUEIROZ - Os ares da pacata cidade de Queiroz se agitaram nos últimos dias por causa do primeiro caso de denúncia pública de discriminação contra um homossexual e que, de quebra, envolve um vereador.
A denúncia foi feita ontem, através da Rádio Cidade FM (91,5 MHz), pelo transexual Raissa da Mata. Marcos Ferreira da Silva (no registro civil), de 36 anos de idade acusa o vereador José Paulo Nemésio, o Paulinho do PT, de no último sábado tê-lo impedido de usar o sanitário feminino da praça central da cidade. “Eu fui me dirigir ao banheiro e fui aborda pela segurança da praça (pública), e segundo (ela) o vereador Paulinho não queria freqüentasse o banheiro feminino. Inclusive a praça estava cheia e eu me senti constrangida... Eu perguntei por que e ela disse que era ordem do vereador. Então, me dirigi à Delegacia, fiz um BO”, contou Raissa que atua como manicure, cabeleireira e colaborado de um jornal local.
PRIMEIRA VEZ - Nascido em São Paulo, o transexual contou que se mudou para Queiroz há 11 anos e a cerca de 5 vive uma relação estável (casada) e que tem uma vida de militância sexual pública e notória e que nunca sofreu qualquer censura por causa de sua opção sexual. “Estranho porque a cidade tem tantos problemas e o vereador poderia se preocupar com outras coisas, não com a vida ou a opção sexual dessa ou daquela pessoa... Nunca tive nenhum problema”.
Raissa disse também que o vereador teria alegado que a suposta proibição foi determinada por causa das reclamações de mulheres da cidade que estariam se sentindo constrangidas pela presença de uma 'homem' usando o banheiro feminino. “Eu sempre usei o banheiro feminino. Ando com meu marido aqui pela cidade, vou a mercado. Tenho uma vida assumida a muito tempo... E eu acho que não fica bem, também, estar com meu marido na praça, me levantar da mesa e me dirigir a um banheiro masculino. O que as pessoas vão achar?”, comentou Raissa.
O OUTRO LADO - O vereador Paulinho negou que tenha praticado qualquer tipo de discriminação ao transexual Raissa da Mata, mas admitiu ter feita “uma recomendação” à funcionária da Prefeitura, com base em reclamações de outras pessoas que se utilizam do banheiro público. “Alguns dos amigos meus aqui na cidade são homossexuais... Frequentam minha casa tem fotos no meu orkut”, completou.
José Paulo Nemésio lembrou também e destacou que nem tem autoridade para “dar qualquer ordem aos servidores” e que apenas orientou. “Eu não sou patrão dela (da servidora) nem tenho poder de ordenar nada a servidor da Prefeitura; apenas fiz uma colocação que deveria ser orientado a eles não usarem o banheiro feminino, porque eu havia recebido várias reclamações de mulheres que iam usar o banheiro e eles estavam lá dentro, até mesmo mostrando seus órgãos genitais. Nem converso com esse Marcos; eu nunca dirigi a palavra a ele”.
HOMEM OU MULHER - Paulinho insistiu na entrevista que independente da sua condição de transexual, Marcos continua sendo homem. “Tem diversos outros lá, que tem essa opção sexual, inclusive são amigos meus, eles usam o banheiro masculino normalmente... Se ele que é homem se acha constrangido de usar o banheiro masculino, imagine as mulheres decentes de família em dividir o banheiro com um homem”.
O vereador também usou outra comparação quando questionado sobre a relação entre a opção sexual e a natureza de Raissa. “Ele nunca foi mulher. Eu queria até fazer uma colocação: quando vai ao médico ele vai ao ginecologista ou ao urologista?”.
POLÍTICA - Paulinho também defendeu que em “um País democrático”, assim como qualquer pessoa tem o direito de defender suas opiniões. “Eu sou um vereador que sempre estou sendo procurado e trabalho em prol da maioria. O vereador é o representante do povo”.
O vereador também acha que seu comentário foi distorcido de forma proposital com objetivo de atingir sua imagem polícia. “Estamos em um ano eleitoral. E como em todas as pesquisas que fazem estou ou em primeiro ou segundo, talvez alguém esteja querendo me atingir. Mas Deus é maior... Preconceito eu não tenho; minha mente é aberta, cara. Sou vereador do século 21 e jamais teria esse pensamento equivocado”, finalizou.
Fonte: JORNAL DIÁRIO de TupãVoltar para Home de Notícias
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