Hospital São Francisco apura morte de garota de 13 anos em Tupã
Nossa Lucélia - 26.01.2012
Garota foi levada ao pronto socorro aparentemente com dores na perna
TUPÃ - O gerente administrativo do Hospital São Francisco, Antônio Brito, confirmou a instauração de procedimento interno para apurar as circunstâncias da morte de uma menina de 13 anos de idade, registrada na manhã do último dia 22, domingo, após ela ter sido atendida várias vezes no Pronto Socorro.
De acordo com a mãe, sua filha caçula de 13 anos machucou-se (aparentemente de forma leve) no último dia 17, terça-feira da semana passada, quando brincava com uma bicicleta.
No mesmo dia, a menina que morava com a mãe em Tupã há 5 meses (vindas de São Paulo), sentiu-se mal e foi levada ao Pronto Socorro do Hospital São Francisco, reclamando de dores na perna direita. Lá, recebeu atendimento, foi medicada e liberada para a família com receita de medicamentos para resolver o ferimento.
INTERNAÇÃO - Como mesmo tomando o remédio receitado pelo médico plantonista, a garota continuava sentindo dores, na sexta-feira, dia 20, a mãe retornou com a filha ao mesmo Pronto Socorro do São Francisco e, em função do quadro, foi internada e tratada no hospital.
Segundo a mãe, por volta das 13 horas de sábado, 21, a menor que havia sido tratada recebendo Dipirona na veia, recebeu alta para continuar a medicação e a observação em casa.
Entretanto, por volta das 20 horas daquele mesmo dia, conforme a mãe, sua filha voltou a sofrer uma crise aguda de dores musculares e nos nervos da perna e do pé, bem como falta de ar e intensa palpitação. “Contei toda a história para ele novamente e ele (outro médico de plantão) fez a mesma coisa. Disse que daria uma injeção no bumbum dela e um soro, para limpar a medicação que ela tinha recebido e que tinha provocado a palpitação e a falta de ar e que ela melhoraria”.
A mãe contou ainda que, após o atendimento no PS, retornou com a filha para casa, por volta da zero hora e dez minutos de domingo, e que sua filha tossiu bastante a madrugada toda, mas adormeceu e que, por volta das 6 horas, quando acordou, percebeu a filha desfalecida e correu com ela para o Hospital São Francisco.
A essa altura, segundo a mãe, sua filha deu entrada muito pálida e sem movimentos. Instantes após, a mãe então foi informada do óbito da filha. As especulações iniciais foram de morte por embolia pulmonar e parada cárdio respiratória.
MÉDICO LIGOU - “Ninguém mais que nós, do Hospital São Francisco, tem interesse em saber com o máximo possível de detalhes e o quanto antes, o que realmente aconteceu. Já solicitei ao corpo clínico os prontuários de atendimento e a coleta de informações com os médicos que atenderam a menina, para apurar o que aconteceu”, disse Brito, sem estabelecer, entretanto, um prazo para uma manifestação oficial.
Antônio Brito não foi localizado para mais detalhes sobre a apuração. No hospital, informou-se que ele estava em compromisso de trabalho na cidade de Marília.
A mãe pediu que o assunto seja tratado com a seriedade que merece. “Não estamos acusando ninguém de nada. Apenas exigindo uma explicação muito clara sobre o que ocorreu com a minha filha, que foi atendida lá várias vezes e morreu”. A mãe confessou ainda que o médico que cuidou da menina durante a internação ligou para ela ontem, dia 23, para “dar os pêsames”.
A mãe também preferiu não citar os nomes dos médicos que trataram sua filha no São Francisco. “Em nenhum momento vou acusar quem quer que seja sem provas. Mas quero uma explicação muito detalhada sobre o que aconteceu. E falar em nomes seria o mesmo que condenar sem provas. Ainda ninguém sabe o que ocorreu”.
PROBLEMA SIMPLES - A mãe afirmou também que o que mais deixou a família indignada é o fato de sua filha falecer em consequência de um problema aparentemente simples. “Eu fiz o que tinha que fazer. Quando a gente vai ao Pronto Socorro, é em busca de uma solução. E em toda vez foi a mesma coisa: medicação e alta. E minha filha morreu”.
Segundo a mãe, também aumenta a tristeza, pesar e a incompreensão da família o fato de que a filha sempre foi uma menina saudável e ativa. “Não me lembro dela ter apresentado alguma coisa mais séria. Era saudável, ativa, linda, feliz. Eu quero saber o que aconteceu, porque deixaram minha menina morrer”, lamentou a mãe que tem outra filha de 16 anos.
O corpo da menina foi sepultado na manhã de ontem, às 9 horas, no Cemitério da Saudade, no jazigo onde está sepultado também o avô paterno dela. A mãe também confirmou que a família já procurou a polícia para registrar boletim de ocorrência sobre o ocorrido, e que já acompanhou de perto o trabalho de perícia da Polícia Civil, com a realização da autópsia.
Fonte: Diário de TupãVoltar para Home de Notícias
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