Avanço da cana no Oeste Paulista é destaque no Jornal Nacional
Nossa Lucélia - 08.01.2012


Nos últimos três anos, a área plantada na região cresceu 25% e já ultrapassa 490 mil hectares

REGIÃO - O avanço do cultivo da cana no Oeste Paulista, onde antes era lugar para o gado, foi destaque em uma série de reportagens produzidas peloJornal Nacional sobre as incertezas que cercam a produção de etanol no Brasil. 

A matéria do repórter Rildo Herrera e produzida por Isabela Albertin foi exibida na quinta-feira (5), mostrando que a paisagem da região já não é mais a mesma. Na década de 80, era conhecida como "Capital da Pecuária de Corte". No Oeste Paulista era definido o preço do produto que servia de referência para todo o país. Mas, a partir de 2001, o boi deixou de reinar sozinho. 

Os pastos foram sendo substituídos pela cana-de-açúcar. Pecuaristas passaram a arrendar suas terras para as usinas de etanol. O fazendeiro André Jacinto, por exemplo, tinha 5 mil cabeças de gado, agora só restam 500 e ele não se arrepende. "Vários amigos da gente, produtores de boi, de vaca, trocaram as suas fazendas de gado para cana-de-açúcar por causa da rentabilidade, exatamente só por conta disso", diz Jacinto. 

Nos últimos três anos, a área plantada na região cresceu 25% e já ultrapassa 490 mil hectares. Em todo o país, a expansão de 2009 pra cá foi de 11%. Só que, mesmo com o aumento da área de plantio, o Brasil colheu menos cana-de-açúcar. Em 2010 a produção foi de quase 624 milhões de toneladas. No ano passado caiu 8%, ou seja, 52 milhões de toneladas a menos. 

"Uma perda que decorre dos baixos investimentos nos canaviais de 2008 para frente, fruto da crise financeira que atingiu um terço do setor e também de problemas climáticos muito grandes em termos de seca e mesmo na geada deste ano", explica o diretor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank. 

A falta de regulação também afeta o setor. Na década de 70, o governo criou o Programa Nacional do Álcool (Pró-álcool) para aumentar a oferta do biocombustível. A partir de 1991, começou a retirar os incentivos. 

Aos poucos, os rumos da produção passaram a ser ditados de acordo com as leis de mercado, já que não existe política definida sobre estoque regulador, por exemplo, como no caso da gasolina. 

Mesmo a usina mais nova do Oeste Paulista passa por mudanças. Na última safra, a usina produziu apenas álcool. Foram 134 milhões de litros. Mas, para aproveitar a valorização do açúcar no mercado internacional, um novo complexo industrial está sendo construído exclusivamente para a fabricação do produto. 

Em 2010, as exportações brasileiras de açúcar somaram US$ 12 bilhões. No ano passado, foram de quase US$ 13. Especialistas afirmam que nas últimas quatro safras, as usinas de açúcar tiveram ganhos, em média, 30% maiores do que as só de álcool. 

O motivo é a oscilação do preço do açúcar de acordo com o mercado. Já o álcool não pode custar mais do que a gasolina. Outro fator que contribuiu para o encarecimento do produto foi a opção dos usineiros pelo álcool anidro, que é misturado à gasolina. Isso fez com que a produção do hidratado, aquele que vai direto para o tanque, caísse e a do anidro aumentasse na última safra.

Isso significa menos 5 bilhões de litros de álcool hidratado, o que daria para encher o tanque de 111 milhões de carros de passeio. Com menos oferta do produto, o preço sobe nos postos. 

Os usineiros avaliam que só com uma recuperação rápida da produção, o preço do álcool voltará a ser atrativo. "O álcool não precisa necessariamente voltar a custar R$ 0,60. Ele precisa ser competitivo com a gasolina", enfatiza o diretor de operações de usina, Valmir Barbosa. 


Fonte: TV Fronteira / SPTV-1

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