Economistas cobram união de prefeitos pelo desenvolvimento da região
Nossa Lucélia - 02.01.2012
Para a maioria dos especialistas, falta união entre administradores municipais para que a região se desenvolva melhor
REGIÃO - Um novo ano se inicia e com ele a expectativa de que haja melhoria na economia regional. Para analisar o ano que passou e apontar os destaques previstos para 2012, o Oeste Notícias traz uma reportagem especial com economistas e profissionais da área de consultoria empresarial, que destacaram pontos importantes como previsão de aumento de empregos, falta de iniciativa pública para crescimento regional, incompatibilidade entre municípios e prevenção à crise financeira.
O Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) dispõe de estudos e pesquisas que analisam a situação das micro e pequenas empresas (MPE's) no Estado de São Paulo e por regiões. De acordo com a pesquisa "Indicadores Sebrae-SP", realizada com a colaboração da Fundação Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) em 2011, de janeiro a outubro, o faturamento real – descontada a inflação - das MPE's paulistas subiu 4,1% ante o mesmo período de 2010.
Para o interior do Estado - excluindo da análise a Região Metropolitana de São Paulo - o crescimento foi próximo da média estadual de 5,2%. "A proximidade do resultado é explicada pelo fato dos fatores de 'natureza macro' que interferem no desempenho das empresas terem abrangência nacional. Em particular, em 2011 destaca-se o crescimento do consumo no mercado interno a partir da evolução favorável da ocupação e renda na economia. Nesse sentido, as MPE's de comércio e, principalmente serviços, tiveram crescimento no faturamento real de 4,3% em 2010 para 7,7% em 2011, no período de janeiro a outubro. Por outro lado, as MPE's da indústria tiveram dificuldades ao longo dos anos e registraram redução de 1,3% no faturamento real ante 2010", destacou o consultor do Sebrae-SP, Pedro João Gonçalves.
O Sebrae-SP, junto com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), acompanha a evolução das diversas regiões do Estado de São Paulo, por meio do Indicador de Movimentação Econômica Regional (IME-R). "A região de Presidente Prudente apresentou crescimento de 2,2% no primeiro semestre de 2011 sobre o primeiro semestre de 2010. Trata-se de um desempenho ligeiramente inferior à média paulista no período (+2,8%), confirmando que, em 2011, o desempenho das empresas foi muito influenciado por questões de natureza geral", destacou.
O consultor prevê, para este ano, que os segmentos que vendem para o mercado interno, particularmente itens que dependem da evolução da renda do consumidor, como lanchonetes, restaurantes, cabeleireiros e lavanderias, devem ter um desempenho médio mais favorável, dado o cenário de manutenção da renda do trabalhador. "Por outro lado, o setor industrial deve continuar a apresentar desempenho relativamente mais fraco, porém com uma melhora ante 2011", concluiu Gonçalves.
Canziani: “Prefeitos devem ser mais unidos” - O economista e professor universitário, Éder Canziani, destaca como pontos positivos para a região, o aumento de investidores e que há certa preocupação dos órgãos governamentais sobre o desenvolvimento regional. "O aspecto negativo está na característica da região tendo Presidente Prudente como cidade de porte médio, e as demais consideradas de porte pequeno. Vejo falta de união entre os prefeitos da região em busca de um crescimento homogêneo, através de um planejamento regionalizado. Tudo indica que nossas administrações municipais desenvolvem políticas individuais, cujos prefeitos adotam planos de ação totalmente isolados", disse Canziani. Para o economista 2011 foi marcado como um período da concretização dos planos iniciados em anos anteriores. "Tivemos as instalações das indústrias ligadas ao setor sucroalcooleiro, o que demonstrou a evolução da infraestrutura neste ramo. Além disso, tivemos também uma sequência de novas construções habitacionais em diversos municípios, tanto do Programa Minha Casa, Minha Vida, e também da CDHU [Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano]", destacou. E completou: "Os recursos que entraram na nossa região advindo de programas estaduais, federal e do setor privado, trouxeram um aumento de emprego e estimulou o comércio, tanto em Prudente como nos demais municípios da região", ressaltou. Ele avalia a economia para 2012. "A região está em fase de crescimento. Temos observado que o setor terciário tem contribuído para o aumento de emprego. Creio que manterá este comportamento. Precisamos de políticas públicas, tanto a nível municipal como estadual para acelerar o processo de desenvolvimento da região", concluiu Canziani.
Wilson de Luces afirma que há falsa ideia de crescimento - O economista e professor universitário, Wilson de Luces Fortes Machado, também ressalta que um dos pontos negativos da economia regional é em relação a consolidação da falsa ideia de que a vinda de grandes redes de supermercados são alavancas para o crescimento. "Na última década o poder de compra dos trabalhadores cresceu devido ao crescimento econômico obtido pelos governos do ex-presidente Lula. Estas redes vieram em busca desta massa salarial excedente criada no período. Nossa região era praticamente a única onde não estavam no Estado, portanto, a vinda destas redes tem um aspecto bom porque podemos consumir com maior diversidade e concorrência, e ruim porque esta massa salarial tem se destinado a empresas que não a reinveste regionalmente, e sim o remetem para suas matrizes que estão fora daqui", pontuou. Em 2011 o que chamou a atenção do economista foi o fortalecimento da centralidade regional de Prudente e, de seu distanciamento em relação aos outros municípios, com exceção dos que receberam empreendimentos do setor sucroalcooleiro ou se beneficiam dos recursos provenientes das hidroelétricas. "A princípio, isto poderia parecer bom para Presidente Prudente, mas não é bem assim. Os setores de maior relevância na atividade econômica de Prudente são os setores de serviços e comércio, e isto atende a uma demanda potencial de mais de um milhão de pessoas, se considerarmos a região como um todo. É importante que a região também cresçam e reduzam a diferença com relação a Prudente". O economista aponta que, para 2012, o crescimento econômico deverá seguir por dois caminhos: o mercado interno, que deverá considerar o alto grau de comprometimento dos salários com compras a prazo; e o mercado dos BRIC’s [Brasil, Rússia, Índia e China], em especial a China. "Por isso, é preciso pulso mais forte na condução da economia regional. Em termos de geração de emprego, a ênfase deveria recair sobre micro e pequenas empresas, associadas ou não, a investimentos de médio e grande porte. Somos uma das poucas regiões que tem 100% dos municípios aderidos à Lei Geral da Micro e Pequenas Empresas. Agora cabe aos coordenadores do desenvolvimento dos municípios serem criativos e proativos no sentido de transformar a lei em ação".
Lucheti: “Hipermercados levam riquezas regionais” - Para o economista e sociólogo, Nivaldo Lucheti, a chegada de grandes redes de supermercados, inclusive atacadistas, fomentou a economia, o que levou Presidente Prudente a ser consolidado como pólo regional, especialmente no setor de serviços. "O ideal seria que fossem investimentos industriais, geradores de riquezas. As grandes redes que se instalaram aqui, embora movimentem a economia e geram empregos, acabam levando embora riquezas da região", afirmou Lucheti. De acordo com ele, o cenário econômico deste ano deve sofrer mudanças significativas. "Nos primeiros meses do ano poderá haver certa redução das atividades, com alguma perda de empregos; o segundo semestre vai depender do cenário nacional e internacional. Em 2012, o desempenho da economia brasileira vai depender muito de como o País se posicionará frente a esse cenário mundial não muito favorável", acrescentou. Para o economista, em termos comparativos, o ano de 2011 foi melhor para a região do que para o Brasil. Ele ressalta que, embora os dados estatísticos não estejam consolidados, o que já foi publicado mostra que o PIB (Produto Interno Bruto) regional deve ter crescido mais que a média nacional. "A construção civil foi um dos setores que mais cresceu devido ao crédito habitacional e aos lançamentos de loteamentos e condomínios", enfatizou Lucheti.
Dallari: “Inércia de gestão pública impede crescimento” - Para o economista Walter Dallari, 2011 foi um ano positivo, com crescimento de empregos, renda e abertura de novas empresas de grande porte em diversos setores. Porém, com crescimento inferior a outras regiões do Estado. "Prudente está consolidada como um centro de compras e prestação de serviços regionais, o que tem contribuído para novos investimentos nestes setores, diversificando a oferta local, porém, a renda e a população regional ainda são pequenas, o que inibe maior velocidade neste crescimento", destaca. Dallari destaca como ponto negativo fato de o município de Prudente, e os da região, terem crescido menos que outros do Estado. "Isso se deve em grande parte pela inércia da gestão pública local, pela incapacidade de gerar vantagens comparativas locais para atrair novos empreendimentos. Prudente, que deveria ocupar essa liderança local, não se preocupa ou se articula nesse sentido. Isso deve ser repensado pelos gestores locais", apontou. Para 2012, diz que a região deve continuar crescendo, principalmente porque grande parte da renda gerada na região é fruto da atividade interna e o consumo interno deve ser o principal item de sustentação do crescimento em 2012. Sobre o Brasil, Dallari prevê que a economia deve continuar crescendo algo em torno de 3%, porém a inflação deve continuar incomodando e, tanto o crescimento como a taxa de inflação, dependerá da política econômica a ser praticada pelo governo federal. Sobre o novo salário mínimo - R$ 622,00, destaca que o valor é positivo. "O ideal seria aquele que proporcionasse alimentação, moradia, transporte, saúde, educação e lazer digno ao trabalhador".
Fonte: ON (PP)Voltar para Home de Notícias
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