Prefeito de Adamantina avalia ano com conquistas e decepções
Nossa Lucélia - 31.12.2011



ADAMANTINA - Pode-se dizer que a entrevista à Folha Regional pelo prefeito José Francisco Figueiredo Micheloni (Kiko-DEM) para esta edição de final de ano é uma analise abrangente de tudo que envolveu a Administração Municipal em 2011, desde o apontamento dos principais obstáculos encontrados, a indicação da grande conquista para a cidade até o trabalho da nova direção da FAI, inclusive com a revelação das principais metas para 2012. Mas também foi tocado em pontos que causaram muita polêmica ao longo dos últimos meses, por exemplo, as várias obras paralisadas no município, o impasse do serviço funerário, a justiça da reestruturação administrativa e a retirada do vale alimentação dos servidores aposentados. E no campo político, o chefe do executivo respondeu – com tons que alternaram entre confiança e rivalidade – a perguntas como a manutenção da pré-candidatura a prefeito de Ricardo Brambilla, o motivo da não escolha da atual vice-prefeita Beth Meirelles para representar a 'situação' no próximo pleito e a expectativa para o ano eleitoral.

FOLHA – Que análise faz deste terceiro ano do atual mandato?
KIKO
– Tenho que ser realista nesta avaliação. Foi um ano de muitas conquistas e algumas decepções. Houve falhas, mas, com certeza, todos integrantes da nossa equipe trabalharam, e continuaram, para fazer o melhor por Adamantina.

FOLHA – Qual a grande conquista da Administração em 2011?
KIKO
– A consolidação de projetos e convênios antigos foi motivo de orgulho como, por exemplo, nas vicinais Pedro Mônego, José Bocardi, Moysés Justino da Silva, além da ampliação do Melhor Caminho e da pavimentação e recape de dezenas ruas do município, e a praticamente finalizada conclusão da construção da sede própria da Polícia Militar.
Existem ainda outras realizações, consideradas pequenas por muitos, mas que são importantes e que no dia-a-dia trazem resultados benéficos para a cidade: a construção de canaletões nas avenidas Capitão José Antônio de Oliveira e Vitório Romanini – prolongamento até o Lar dos Velhos –; os investimentos nas novas mudanças implementadas no trânsito – o que refletiu na extinção de acidentes graves -; os serviços de melhoria e manutenção das estradas rurais – que foi uma preocupação permanente, inclusive alvo de elogio dos usuários –; a colocação entre os índices mais baixos de mortalidade infantil de todo o Estado de São Paulo, pelo segundo ano consecutivo, bem como o investimento de 23% do Orçamento Municipal na Saúde, quando a porcentagem indicada é de 15% – precisamos somente receber um repasse maior dos governos estadual e federal –; e a reorganização efetuada na assistência social por meio do Cadastro Único – onde agora consta somente apenas pessoas que necessitam realmente de benefícios. Entretanto, a ampliação e reforma do prédio da ETEC Eudécio Luiz Vicente (Industrial) – para a instalação do curso de Técnico em Mecânica – ao lado da construção da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) – que prestará atendimento como um mini-hospital – considero duas das mais importantes obras para o futuro do nosso município. Agora, evidentemente, o anúncio da FATEC (Faculdade de Tecnologia) em Adamantina ultrapassou todos os limites de conquista. Posso afirmar que é um sonho alcançado. E digo mais! Não foi a maior conquista de 2011, mas sim, a maior de toda a Administração nesses últimos sete anos! Mesmo em 2012 será quase impossível haver algo que a superará, devido aos benefícios inquestionáveis que trará a médio e longo prazo a toda população.

FOLHA – Entende que a reestruturação administrativa feita recentemente foi justa? Explique.
KIKO
– Tenho certeza absoluta que da forma mais justa possível. Apesar de reconhecer que têm funcionários a favor e contra. Vale recordar que em 2007 foi feita uma reorganização que beneficiou as referências mais baixas, o que foi esquecido. Como se contrata um profissional graduado (engenheiro ou médico, por exemplo) para ganhar menos de R$ 2 mil? Em relação ao secretariado, desde o começo da Administração prioriza-mos pessoas qualificadas na área, no entanto, que não dependeriam exclusivamente somente do salário da Prefeitura, porque seria muito difícil que aceitassem o cargo.

FOLHA – Existe possibilidade de voltar o vale alimentação aos servidores aposentados?
KIKO
– Não vejo. Infelizmente! E é muito bom esclarecer que quando recebemos o primeiro e o segundo apontamento do Tribunal de Contas do Estado sobre a irregularidade da concessão do benefício ficamos em alerta, mas a partir do terceiro e do quarto, que se tornou um não cumprimento de determinação do TCE, então – mesmo durante um ano de eleições municipais, no qual eu era candidato a reeleição –, tive a coragem de assinar, doendo na alma, o término da concessão do vale alimentação aos aposentados. Agora me responda: Quem se aposenta pelo INSS tem direito a vale-alimentação? Não. Daí que começa a fundamentação do Tribunal em proibir o pagamento pela Prefeitura. Não temos como mudar isso. Cheguei a pedir à presidência do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais que entrasse na Justiça, por meio de sua Assessoria Jurídica, pleitear a concessão do benefício, mas não o fez. Só que a história que se conta na sede da entidade aos aposentados é outra. Então, quero que o presidente me mostre o documento que foi encaminhado ao Tribunal de Justiça, que provaria que o Sindicato lutou para que a Prefeitura pudesse pagar o vale-alimentação. Cadê? Porque a nossa única esperança era que o juiz atendesse um pedido do órgão que representa a classe. Mas nem isso foi feito. Daí, quando se aproxima o período político, fica fácil fazer todo um movimento e jogar os aposentados contra a Administração Municipal. O que é uma covardia!

FOLHA – Quais são as principais metas para 2012?
KIKO
– Apesar de, tradicionalmente, o último ano ser para a Administração arrumar a 'casa', não vamos atuar assim em 2012. Pretendemos continuar pleiteando novas conquistas, para quem assumir em 2013 encontre no mínimo convênios efetivados ou para serem assinados, obras em andamento e recursos solicitados. Para o ano que vem já temos licitados: o Campo de Bocha e Malha no Jardim das Alamandas, a quadra coberta no Campus III da FAI e a outra quadra de apoio ao lado do Ginásio de Esportes. Também há previsão de início em breve: da construção da terceira creche nos terrenos próximos à nova sede da PM e UPA, das sedes próprias do Tribunal de Contas do Estado, CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), da ProInfância, e a possibilidade da primeira fase do novo prédio da Câmara Municipal.
Estão assinados convênios do Melhor Caminho nas estradas Medianeira – da Lagoa Seca até a divisa de município com Lucélia – e na José Bocardi até o Tupãzinho – que ficou 25 anos na terra – do prolongamento da avenida Rio Branco até a Plácido Rocha pelo jardim Adamantina (Lagoa Seca), além disso, dos trevos de aceso do Distrito Comercial e Jardim Adamantina na SP-294. Serão iniciadas as reformas dos centros comunitários do Jardim Adamantina, Jardim Brasil, Lagoa Seca, banheiros no Centro Comunitário das Acácias, bem como a construção dos centros comunitários do Oiti/Tipuanas, do Bela Vista, do Mário Covas, do parque do Sol e Vila Jamil. Tudo isso com verba própria, cujo dinheiro já está em caixa. Ainda está no aguardo de firmar convênio com a Secretaria Estadual da Habitação para a construção de 180 casas populares: 60 no Conjunto Mário Covas, 20 no Parque Itamarati e as outras 100 em terreno que será adquirido. É importante lembrar que faltam cerca de oito quarteirões para concluir a meta de ter 100% de pavimentação em toda a cidade. E estão em andamento a construção da sede do Centro de Convivência da Juventude e a conclusão da ponte do córrego Boa Vista – que há 20 anos estava caída. Portanto, se conseguirmos fazer tudo isto, estará atendido o Plano de Governo traçado em 2004, com todas as promessas cumpridas.

FOLHA – Próximo da chegada do ano eleitoral, a 'situação' mantém a pré-candidatura a prefeito de Ricardo Brambilla para 2012?
KIKO
– Sem dúvida nenhuma. Respeitamos os adversários que pretendem disputar, mas quem é capaz de continuar o nosso trabalho, já está escolhido e ele também já decidiu que assumirá a responsabilidade. Inclusive, estamos em difusão desta confirmação. Temos trabalhado nisto, reunimos um time muito bom de futuros candidatos a vereador, e ainda, tivemos a adesão espontânea de empresários, comerciários, produtores e trabalhadores rurais, funcionários públicos, entre vários outros representantes de classes. A 'situação' hoje conta com uma aliança formada por quatro partidos: DEM, PPS, PSD e PMDB. Contudo, nada impede que possamos agregar outras legendas. Estamos abertos para conversações com todas as demais lideranças que também visam o progresso de Adamantina.

FOLHA – A não escolha da atual vice-prefeita Beth Meirelles para ser a representante da 'situação' nas Eleições de 2012 foi uma decisão particular (sua) ou de todo o grupo?
KIKO
– Como digo sempre, não existe nenhuma lei que obrigue o prefeito a lançar candidato ou eleger o sucessor. Pensa o contrário somente quem tem 'rabo preso'. A vontade e a decisão de apoiar o Ricardo (Brambilla) nasceu do grupo, até em razão do interesse em ajudar a cidade e do trabalho exemplar que ele realizou durante os últimos anos como presidente do Conselho municipal de Desenvolvimento e da ExpoVerde. E faz isto somente quem gosta e tem o sonho de continuar colaborando, principalmente como prefeito. Quanto a Beth, quem decidiu seguir outro caminho foi ela. Isso precisa ficar bem claro! Quem saiu do partido e do grupo foi ela. Ninguém a expulsou. Quem se aliou a uma única causa, ao defender somente o deputado do partido (Reinaldo Alguz) – apesar de ter todo o direito –, também foi ela. Quem se incompatibilizou e criou arestas com todos os secretários municipais foi ela. Mas quem fez e continua fazendo a cabeça dela é o Reinaldo (Alguz). Com certeza, se a Beth estivesse no grupo poderia hoje ser um dos nossos principais nomes à sucessão, mas preferiu ser candidata por outra fonte. Enfim, ela saiu por livre e espontânea vontade, influenciada, e muito, pelo deputado dracenense!

FOLHA – Qual a expectativa para o ano político de 2012 e a campanha eleitoral?
KIKO
– Particularmente, por desejar o melhor para a nossa cidade, gostaria que houvesse uma junção de todos os partidos e, democraticamente, fosse escolhido um nome de consenso, mas que trabalhasse para o bem de Adamantina e não para si próprio, com interesses pessoais. O que é quase impossível. Por isso, não consigo conviver com espertalhões, ou seja, com a maioria da classe política. Enfim, espero que seja uma campanha não indecorosa como foi a que participei em 2004, mas sim voltada para o ritmo de progresso que Adamantina vive hoje, e eleja o melhor nome.

Fonte: RICARDO BISPO / FOLHA REGIONAL

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