Tupã enfrenta epidemia de parvovirose humana
Nossa Lucélia - 20.10.2011
Doença é virótica e foi inicialmente confundida por outras doenças infantis, como sarampo, catapora e rubéola
TUPÃ - O município de Tupã registrou no início do último mês de setembro uma epidemia de parvovirose humana, que atingiu diversas crianças. A doença, segundo a médica pediatra Maria Lucília de Mattos Donadelli, é virótica, que foi inicialmente confundida por outras doenças infantis, como sarampo, catapora e rubéola.
Diante do surgimento de vários casos, a Secretaria Municipal de Saúde, através da Vigilância Epidemiológia, e a médica pediatra Maria Lucília, coletaram materiais que foram encaminhados para a Secretaria Estadual de Saúde, em São Paulo, para realização de exame.
Os resultados desses exames foram emitidos na semana passada, revelando que a doença que havia acometido um grande número de crianças em Tupã, não se tratava de sarampo, rubéola e nem catapora e, sim, de uma parvovirose humana, também conhecida como parvorírus B19.
Segundo a médica Maria Lucília, os primeiros casos começaram a surgir nas crianças que estudam na escola “Odinir Magnani”, depois na escola “Governador Mário Covas” e, em seguida, espalhou-se por toda a cidade.
O sintoma inicial da doença é febre alta, sendo que no segundo ou terceiro dia, a criança já começa a apresentar erupções cutâneas, manchas e uma espécie de grosseirão. “Fizemos a investigação, coletamos material para realização dos exames, e felizmente a epidemia está no final e sob controle. Contudo, algumas crianças ainda apresentam o quadro da doença”, disse a pediatra.
Embora não tenha revelado o número de crianças acometidas pela doença e como se deu o tratamento da mesma, a pediatra reiterou que os casos registrados em Tupã se mostraram de forma branda, não tendo gerado nenhum agravamento.
Epidemiologia - O eritema infeccioso é uma infecção basicamente de crianças, predominando entre 5 e 18 anos. Estudos sorológicos mostram a presença de IgG em 2 a 9% das crianças com 5 anos e em 35 a 40% com 18 anos.
O período de incubação para o desenvolvimento do eritema infeccioso e da crise aplástica é de 4 a 14 dias, muito embora 25 a 50% dos indivíduos infectados sejam assintomáticos.
Infecções pelo parvovírus B19 começam a aparecer no final do inverno e continuam através da primavera. Por ter maior ocorrência em crianças, os indivíduos que trabalham com elas são considerados de risco, por serem mais suscetíveis a contrair a doença, assim como a família de uma criança infectada.
Manifestações clínicas - O eritema infeccioso geralmente ocorre em crianças, inicialmente com um rash facial (tipo “bofetada”) que se estende às extremidades e ao tronco. Costuma ser um rash macular, embora variações possam ocorrer, e também se apresentar na sola dos pés e na palma das mãos. Podem ocorrer ainda febre, astenia, mialgia e sintomas respiratórios e gastrointestinais.
As crises aplásticas associam-se a doenças como anemia falciforme, hemoglobinopatias, talassemias, esferocitose hereditária. O quadro caracteriza-se por uma descompensação da anemia crônica e achados laboratoriais de anemia moderada a severa, ausência de reticulócitos e medula óssea com série vermelha hipo ou aplásica.
Os reticulócitos voltam ao normal de 20 a 25 dias após a infecção inicial e, nesse intervalo de tempo, pode-se notar também neutropenia, linfocitopenia e trombocitopenia.
Quadros articulares como artralgia e artrite são mais frequentes em adultos, principalmente nas articulações periféricas e bilateralmente. Em 50% dos casos há um rash concomitante e esses sintomas em geral perduram por duas semanas.
Fonte: Diário de Tupã
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