Sem trem há dois anos, ferrovia se deteriora em meio ao matagal
Nossa Lucélia - 28.09.2011
REGIÃO - Sem circulação de trens desde janeiro de 2009, a estrada de ferro Centro Oeste Paulista apresenta sinais de deterioração em vários trechos na região de Garça e Marília. Dormentes podres, mato alto e desbarrancamentos tornam a retomada do transporte de cargas ainda mais distante. A ALL (América Latina Logística), responsável pela concessão da via, alega que faz manutenção periódica. Resposta que contrasta com o cenário registrado pela reportagem do Jornal Comarca de Garça e do Correio Mariliense.
Com o fim do transporte de açúcar, há mais de dois anos, a estrada de ferro se tornou ociosa. A empresa afirma que o desinteresse por parte das indústrias da região é responsável pela ociosidade. Os últimos clientes foram usinas da região de Tupã. Em Marília, é possível observar em alguns cruzamentos urbanos a sobreposição dos trilhos pelo asfalto. Dormentes estão podres e soltos, as margens passaram por recente capinação química, mas em alguns trechos o mato alto ainda persiste.
Já na região de Garça a situação é ainda pior. Nas proximidades da Fatec (Faculdade de Tecnologia), o mato alto e as erosões evidenciam o abandono. Em alguns pontos, a estrada está assoreada devido a desbarrancamentos. Para o diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Flávio Perez, o empresariado da região tem interesse no desenvolvimento do transporte ferroviário, porém atualmente não há estrutura e serviços eficientes.
“Em todos os países desenvolvidos do mundo, o transporte por ferrovias é valorizado. No Brasil existe praticamente um monopólio do transporte rodoviário, que é caro e poluente. Precisávamos de mais investimentos, para o resgate das ferrovias”, afirma Perez.
O diretor do Sindicato dos Ferroviários de Marília, Gervásio Barbosa, lamenta a falta de perspectivas para o transporte sob trilhos. “A importância que as ferrovias tiveram para a região é muito grande. Pela situação atual no setor, é praticamente impossível a retomada dos trens de carga, no ritmo que havia há alguns anos”, afirma o diretor.
O deputado Vinícius Camarinha (PSB) presidiu a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que mapeou a situação das ferrovias paulistas. Após 180 dias de trabalho, com visitas em várias regiões, reuniões com ferroviários, análise de documentos e audiências com autoridades do setor, os deputados pediram a cassação do contrato de concessão da empresa. “A comissão provou que houve quebra do contrato. Um dos motivos é justamente a falta de manutenção. Como não cabe a CPI punir, mas apenas investigar, encaminhamos o relatório final à ANTT (Agência Nacional dos Transportes Terrestres). A expectativa é que a o órgão tome providências”, afirma o parlamentar.
O outro lado - Em nota, a ALL informou que “mantém os trechos de baixa densidade em condições de circulação de ronda de auto de linha (veículos de inspeção), podendo vir a operar normalmente quando for necessário, bastando alguns ajustes técnicos”.
A empresa informou ainda que “tem todo o interesse em operar nesse trecho, porém há necessidade de serem pactuados contratos comerciais com os usuários.”
A empresa assumiu a malha paulista em 2006 e diz que a estrutura estava em “estado de sucateamento”. Quanto à capina a ALL informou que a limpeza manual e a capina química ocorrem regularmente, seguindo um cronograma definido por cada unidade de produção.
Fonte: Jornal Comarca / Bastos Ja
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