Criança é agredida por colegas dentro de ônibus escolar
Nossa Lucélia - 17.09.2011
No ônibus não existia nenhum monitor, cobrador ou qualquer adulto que pudesse impedir o ocorrido
ADAMANTINA - Uma cena de violência gratuita, dentro de um ônibus destinado ao transporte escolar revoltou familiares e amigos de um menino de 9 anos, estudante da 3ª série da escola Navarro de Andrade. O que muitos chamam de bullying, tratamos aqui como violência e desrespeito.
O menino foi agredido por crianças de sua faixa etária, dentro do ônibus que levava todos para a escola. Segundo o garoto, sem nenhum motivo ele foi agredido com socos e pontapés por aqueles que deveriam estar brincando com ele. No ônibus não existia nenhum monitor, cobrador ou qualquer adulto que pudesse impedir o ocorrido.
Segundo Cíntia Scoriza, mãe do menino, fatos como este são corriqueiros e embora ela mesma já tivesse denunciado algumas vezes, ninguém – Secretaria de Educação, empresa Guerino Seiscento responsável pelo transporte, ou Conselho Tutelar – tomou qualquer providência.
“Há algum tempo meu filho vem relatando que colegas estariam apanhando dentro do ônibus escolar. Um dos amigos dele sempre saia chorando por ter sido intimidado por alunos de outra escola. Segundo as crianças, esses garotos entravam no ônibus e estorquiam, mediante ameaça, passes escolares e dinheiro dos demais. Assim que eu soube, fiz a denúncia no Conselho Tutelar. Como nada foi feito, resolvi conversar com o motorista do ônibus para que ele me autorizasse a fazer o trajeto dentro do veículo. Vi tudo acontecer. Foi aí que cheguei nessas crianças, me identifiquei como mãe de aluno e disse que apontaria cada um deles e denunciaria o que eles estavam fazendo. Depois disso eles nunca mais pegaram o ônibus”, conta a mãe.
Mas segundo ela, isso não foi o suficiente para que as agressões terminassem. “Soubemos pelas crianças que alguns garotos molestavam as meninas, e foi na tentativa de defende-las que o meu filho foi agredido”, explica Cíntia.
Segundo ela, seu filho ameaçou contar para o motorista o que estava acontecendo. “Na terceira vez que ele tentou se aproximar do motorista para contar o que os outros garotos estavam fazendo com as meninas, eles o puxaram para trás e deram um chute na sua barriga. Com o chute meu filho caiu agachado entre dois bancos e a partir daí passou a receber chutes e pontapés. Como ele foi educado para não revidar nenhum tipo de agressão, tentou apenas se defender e levou muitos chutes na cabeça”, afirma.
Diante do fato Cíntia procurou a delegacia para fazer um boletim de ocorrência e levou o garoto até o Pronto Socorro para ser atendido. Lá, o médico plantonista examinou o menino, que ainda estava em choque com o acontecido e encaminhou o mesmo para a assistência psicológica. “Segundo o médico o trauma maior foi o psicológico”, afirmou a mãe.
De acordo com a Cíntia o fato aconteceu na terça-feira (6) e só uma semana depois, no dia 13, que o menino aceitou voltar normalmente para a escola. “Ele sempre foi uma criança pacífica, mas nos últimos dias tem se mostrado um pouco agressivo, tem dormido mal e diz estar com medo. Demorou para querer falar sobre o assunto e só aceitou voltar a psicóloga na segunda (12)”, destaca.
A mãe do garoto, indignada com a situação, desabafou em um das redes sociais e foi aí que descobriu quão corriqueiro é esse tipo de agressão. “Depois que contei o que havia acontecido, muitas pessoas vieram demonstrar solidariedade e dizer que ou já tinham passado por situação parecida, ou conheciam alguém que tivesse passado. Precisamos cobrar do Poder Público uma ação de verdade. Seria muito cômodo se eu simplesmente começasse a pagar um transporte particular e protegesse meu filho, mas e as outras crianças que passam pelo mesmo problema? Este é um problema sério, e precisamos agir”, destacou.
Cíntia afirmou que já procurou a empresa Guerino Seiscento e o Conselho Tutelar para saber o porque nenhum monitor estava dentro do veículo, já que a obrigatoriedade é prevista por lei, mas foi informada que município e empresa têm seis meses para se adequarem.
“Não vou me calar! Muitas pessoas ficam tentando me intimidar para que eu não leve isso as últimas conseqüências, mas não desistirei. Pelo meu filho e por todas as crianças que passam por traumas como este, precisamos de uma solução. Alguém precisa ser responsabilizado”, afirmou.
O IMPACTO entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura na sexta-feira (9), mas até o fechamento desta edição, na quinta-feira (15), a assessoria não tinha se manifestado sobre o assunto.
Fonte: Natália Bachi – Adamantina em Pauta
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