Desonesto, corrupto, eu?
Nossa Lucélia - 04.09.2011



JORGE PROENÇA - Muitas vezes nós falamos que os desonestos e corruptos estão em Brasília, nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, pois são eles quem aparece nos noticiários do Jornal Nacional. Será que não estamos nos escondendo?

No nosso dia-a-dia vivenciamos várias situações que entendemos normais, mas que causam uma equivocada sensação de que estamos enganando alguém em proveito próprio, quando, na realidade, estamos enganando a nós mesmos.

Vamos refletir sobre este assunto?

Para os empresários:
Você já deixou de emitir uma Nota Fiscal do produto que vende ou, para pegar um “pouquinho” mais leve: uma “meia-nota”, alegando que isto é necessário para não quebrar o seu negócio?

Para os médicos:
Você cobrou um dinheiro “por fora” para completar a pequena remuneração do SUS? Deixou de dar o recibo para “economizar” na declaração anual de Imposto de Renda?

Para os fiscais:
Você já auferiu algum dinheiro em troca de uma “vista grossa” nas empresas que fiscaliza?

Para os funcionários:
Você já moveu uma ação na justiça contra a sua ex-empresa só porque o seu advogado disse que a Justiça do Trabalho dá ganho de causa a qualquer trabalhador – o que não é verdade-, mesmo sabendo que não tem razão?

Para os funcionários públicos:
Você já foi conivente com algum mau uso do dinheiro público? Já gastou indevidamente o dinheiro que está sob sua responsabilidade? Faz vistas grossas a um subordinado seu que falta injustificadamente e vive atrasado ou fora da repartição ou cuidando de outros interesses que não o público?

Para compradores:
Você já inventou situações para ter vantagens em compras e negociações?

Para Vendedores:
Você já falou inverdades sobre seu produto e empresa só para convencer o cliente a comprar?

Para Proprietários de estabelecimentos comerciais?
Você já induziu o seu cliente a sonegação perguntando: "A notinha é no valor"?

Para os pais:
Você já deu bronca no seu filho por ele ter "matado aula", enquanto passa no sinal vermelho ou joga uma ponta de cigarro pela janela?

Para todos:
Você já ofereceu ou aceitou pagar uma "gorjeta" em troca da liberação da multa, quando foi abordado por um policial e flagrado numa infração?
Você já ficou quieto quando a conta chega a menor num restaurante?
Você ignora se o estabelecimento comercial emite ou não Nota Fiscal? Você sempre deixa de pedir Nota Fiscal?
Você já comprou algum produto de origem duvidosa para economizar alguns trocados? (Ex: Rua 25 de Março, em São Paulo)?
Você já comprou um CD/DVD pirata?
Você já ultrapassou pelo acostamento quando o trânsito está abarrotado?
Você já mentiu para a sua esposa(o) e filhos para encobrir uma "puladinha de cerca"?
Você já procurou um especialista contábil para dar um jeitinho no seu IRPF e assim enganar o governo?

Se você respondeu NÃO em todas estas perguntas, PARABÉNS!

Veja que em todos os casos não estamos tratando exclusivamente de pessoas ligadas aos três poderes, estamos tratando de nós mesmos, eu, você, nossos amigos, irmãos, parentes, etc., pessoas comuns, enfim. Eu mesmo já me deparei com situações como estas, mas sempre procuro me libertar destes falsos jeitinhos e do pensamento nacional de que a corrupção está apenas no governo. Tenho tentado mudar um pouco a cabeça das pessoas que estão ao meu redor, mostrando que, na verdade, temos que mudar as nossas cabeças, e, quando conseguirmos isso, com certeza, teremos como conseqüência um governo mais honesto e mais preocupado com os problemas sociais. Em primeiro lugar, devemos dar exemplo para, com a consciência tranqüila, podermos cobrar das outras pessoas este tipo de postura.

Muita gente não paga impostos por que a carga tributária está alta, o governo não baixa os impostos porque tem muita gente que sonega. O que vem antes: o ovo ou a galinha? Precisamos ser pro-ativos e fazer a nossa parte, daí sim teremos o direito de exigir uma carga tributária mais justa, caso contrário os corruptos e desonestos continuarão aumento o "custo" de quem é honesto.

O quanto "custa" não ser totalmente honesto? Será que esta forma de procurar levar vantagem em tudo não eleva muito o custo até da nossa felicidade? Quantos cifrões eu quero ter estampado no meu caixão? ($$$$$)

Cada vez mais acredito que a competência, a otimização de processos e o planejamento tributário, no âmbito pessoal e profissional permitem que sejamos honestos e prosperemos com muito mais "sabor".

Meu objetivo em escrever este artigo não é dar lição de moral e sim gerar reflexões e discussões sobre este assunto, objetivando a busca da excelência como cidadãos e seres humanos.

Finalmente e o mais importante, vamos começar já a busca da excelência neste assunto!



Fonte: http://www.jornalipanema.com.br/novo/blog/Jorge%20Proen%C3%A7a%20-%20Empreendorismo%20Social - Jorge Proença atua na área de tecnologia da informação há 27 anos e na área de Responsabilidade Social há 12 anos; realiza uma série de ações de responsabilidade social em Sorocaba e região, como AECA/MACS, Fundação Melanie Klein, UNIONG, sendo a principal delas a ONG Projeto Pérola. Concluiu curso de Responsabilidade Social Empresarial no Banco Mundial em 2004. Autor dos livros Códigos e Enigmas da Felicidade, Administração do tempo e Vamos Melhorar o Mundo.



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