Exploração do Rio Feio no distante ano de 1905
Nossa Lucélia - 23.06.2011


Dia 08 de dezembro acamparam próximo de um magnífico salto considerado o mais importante de todos pela sua altura. Um paredão de 16 metros de altura, fazia do local o ponto mais belo de todo o rio Aguapeí

LUCÉLIA - Em maio de 1905, o pessoal técnico da turma de exploração do Rio Feio compunha-se dos engenheiros Olavo Hummel, chefe; Gentil Moura, primeiro ajudante: Júlio Bierrenbach Lima, Segundo ajudante e Mário Ayrosa, auxiliar. Faziam parte da expedição, o botânico Gustavo Edwall e um representante do Museu Paulista, na qualidade de colecionador.

A equipe exploradora embarcou de São Paulo em 10 de maio com destino a cidade de Agudos, e de lá, para a cidade de Bauru, tomando direção do sertão bravio. No dia 17, foi dada partida da estaca 430 de ferro Noroeste do Brasil, em início de construção. Passaram pela cachoeira do Ribeirão Canjica, onde havia 30 mil pés de café de propriedade de Roberto Schawenger. No dia 22 de junho, alcançaram a Barra do Barreiro, chegando à margem esquerda do Rio Feio.

No dia 15 de julho, incorporou-se a turma um destacamento do Segundo Batalhão da Força Pública, para oferecer segurança à expedição. No dia 18 de julho, de repente, partiram flechas do mato, anunciando a presença de índios. Em reposta, houve tiros de revolver e os indígenas pararam. O engenheiro Olavo Hummel, foi ferido por uma flecha na virilha, bem como mais dois camaradas da expedição foram feridos sem maior gravidade. Olavo acabou sendo transportado para Bauru e de lá seguiu para São Paulo, para receber melhor atendimento médico. Gentil Moura assumiu, a chefia da expedição.

A difícil descida pelo rio Feio continuou, passando por clareiras onde, cinco anos antes, Monselhor Claro Monteiro fez com intuito de descer o rio e catequizar os índios, mas tal missão catequética acabou tragicamente logo abaixo, pois ferozes índios Coroados mataram o monsenhor e dois índios que o acompanhava. Os 40 homens e mantimentos foram transportados rio abaixo, por sete canoas de cedro e três de tamburi e paineiras. Para prevenir ataques de índios, foram formadas duas turmas para seguir as canoas às margens.

A navegabilidade do rio era difícil, fazendo que a comitiva descesse, em um dia, apenas três quilômetros. No dia 16 chegaram onde foi a aldeia indígena, onde o engenheiro Sylvio San Martin tentou explorar o rio Feio não obtendo sucesso. As dificuldades da expedição continuaram. Atoleiros em brejo e à noite ataque com flechas dos índios Coroados, e doenças tropicais que atacavam os membros da comitiva. Vários rios como o Presidente Tibiriçá, Padre Claro e 15 de Novembro foram deixados para trás, também, os acampamentos que a comitiva fez durante o percurso.

No dia primeiro de dezembro a comitiva passou por corredeiras e até a noite do dia 5 passaram por pelo menos 30. No dia seguinte, tiveram que transpor as canoas, visto que, tinham atingido a primeira cachoeira, denominada Ibiporá, por ser precedida por duas ilhas, dividindo-se em duas partes, com diferença de 4 metros e 35 metros de cumprimento.

Logo abaixo foi encontrada uma outra cachoeira denominada “Cachoeira Comissão Geográfica com 4 metros de altura, onde todas as águas do rio Aguapeí passavam num afunilado de 5 metros em alta velocidade. Hoje o local é conhecido como Canal do Inferno, e fica no município de Salmourão.

No dia 08 de dezembro acamparam próximo de um outro salto, magnífico e maior, sendo considerado o mais importante de todos pela sua altura. Um paredão de 16 metros de altura, fazia do local o ponto mais belo de todo o rio Aguapeí, sendo denominado pela expedição de Salto Botelho. Logo abaixo, o rio seguia com forte correnteza, onde a expedição encontrou 19 ranchos em bom estado, parecendo terem sido ocupados por índios que ali pescavam.

O botânico Gustavo Edwall destacou a presença de vegetação robusta, mata virgem, rica, viscosa e muitas madeiras preciosas. A expedição fluvial continuou rio abaixo nos próximos cinco dias, porém, sem nada digno de ser relatado.

No dia 13 de dezembro encontraram um marco de madeira à margem esquerda, plantado por uma turma que havia explorado o rio Paraná. Estavam a 34 quilômetros do majestoso rio Paraná. À 1 hora da tarde do dia 14, a expedição entrou no caudaloso rio Paraná, dando por terminada a missão. A partir de sua nascente até se lançar no rio Paraná, o rio Feio-Aguapeí cobre um percurso de 700 quilômetros aproximadamente.

Depois de 7 meses e 4 dias a expedição chegara ao fim, registrando 34 corredeiras e um magnífico salto de 16 metros de altura, denominado Dr. Carlos Botelho. Distante de seus lares, tiveram que suportar mordidas de insetos, frio, chuva, ataque de índios ferozes, doenças e dificuldades inerentes ao sertão inóspito. O contato com a mata virgem, flores, orquídeas e a rica fauna, repleta de borboletas, de pássaros multicores que enfeitavam o céu e o rio povoado de peixes suculentos, ficou na memória de todos os membros da expedição.

Nas palavras de Gentil Moura o encerramento de seu relatório: “ Região riquíssima de terras de primeira sorte, dotada de um clima esplêndido. Está fadada a ser, dentro em pouco, mais um centro de riqueza e prosperidade do Estado de São Paulo.”

A presente matéria é apenas um resumo de poucas palavras do livro ...E o Sertão Acabou, do escritor José Alvarenga, da cidade de Osvaldo Cruz. Para futuras publicações, pretendo adquirir, fotos da expedição, bem como os relatórios da expedição que descobriu ao estilo bandeirante, a beleza das terras do Oeste Paulista. Na próxima matéria estarei divulgando a expedição do rio do Peixe, com suas dificuldades e beleza.


Fonte: Marcos Vazniac




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