Tupãense poderá dar o pontapé inicial da Copa do Mundo no Brasil
Nossa Lucélia - 29.05.2011
TUPÃ - A abertura da próxima Copa do Mundo, que será realizada em 2014, no Brasil, poderá ser marcada por um feito científico histórico. Através de impulsos elétricos do cérebro, um menino tetraplégico poderá andar e dar o pontapé inicial do evento. O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que lidera esse projeto e está à frente das pesquisas, é quem poderá levar essa conquista ao alcance mundial.
O assunto ainda não está concretizado, mas o tupãense Everton Willian Fidélis de Brito, de 26 anos, sonha em dar o pontapé inicial na competição mundial de futebol, o esporte mais popular do mundo. Ele já manteve contatos e passou por uma experiência com Miguel Nicolelis.
Everton é tetraplégico incompleto. Ele tem sensibilidade nas pernas, mas não consegue andar e tem dificuldades para movimentar os membros superiores. No ano de 2004, Brito sofreu um acidente no Estado de Mato Grosso do Sul. Ele teve lesão na coluna cervical, o que ocasionou a tetraplegia. “Na época, eu estava numa fase maravilhosa. Ganhava bem vendendo livros e gostava de viajar. No começo, me revoltei quando soube que não poderia voltar a andar. Eu tinha apenas 18 anos e foi uma reviravolta na minha vida”, disse Brito.
Pelas lesões sofridas no acidente, naquela época Everton movimentava apenas seus olhos e sua boca. Ele passou por diversos especialistas, mas ninguém queria operá-lo. Conseguiu se tratar alguns dias depois na cidade de Marília. O tupãense destacou que sofreu muito e que foi difícil aceitar sua situação, mas hoje é diferente. “Eu poderia estar numa situação mais complicada. Eu consigo fazer tarefas do cotidiano sozinho. Eu não fico reclamando, apenas gostaria de arrumar um emprego, para ocupar minha mente”, falou.
Everton reclama da falta de transporte adequado e de oportunidades em Tupã. “Tenho curso de hardware, formato, monto e desmonto computadores, mas estou desempregado”, falou. O portador de necessidades especiais acha que as empresas da cidade tinham que dar mais oportunidades, não fazem isso porque é necessário a adaptação dos prédios das empresas, através de rampas ou banheiros para deficientes. “Com isso, ninguém quer gastar e todos preferem contratar pessoas sem o tipo de problema que eu enfrento”.
O tupãense Brito gostaria de fazer o curso de psicologia, mas não tem condições financeiras para isso. Mas, com o projeto do neurocientista brasileiro, Everton poderá realizar grandes conquistas. O neurocientista usa como principal instrumento o pensamento. E o pensamento motor nada mais é que uma expectativa de um movimento futuro.
O neuro Miguel Nicolelis descobriu que, através de sensores no cerébro, é possível ler as frações desse pensamento, decodificar esses sinais elétricos e extrair desses sinais os comandos motores que o cérebro está mandando, encaminhando isso para um artefato robótico, que faz o movimento de acordo com o comando do cérebro. O projeto foi apoiado pelo ator americano Cristopher Reeve, que era um homem que nas telas do cinema voava, mas na vida real morreu sem realizar seu maior sonho: voltar a andar.
Everton fala dos seus maiores desejos. “Quero arrumar um emprego, para poder tirar carta e comprar um carro adaptado. Sonho em construir uma família, ter filhos e ser um grande pai. Tenho esperanças disso e não vou desistir”, enfatizou. Enquanto isso não acontece, o tupãense tetraplégico Everton Willian Fidélis de Brito espera uma oportunidade de emprego ou uma bolsa de estudos.
Anúncio - O neuro Miguel Nicolelis noticiou o acontecimento no último dia 23, segunda-feira, em entrevista no Programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes de Televisão.
Segundo Nicolelis, se o primeiro passo com a força do pensamento acontecer na abertura do maior evento esportivo do planeta e que será realizado no Brasil, a imagem que o País tem no mundo vai mudar instantaneamente para melhor.
Essa tecnologia traz esperanças, já que o pensamento não pode mover montanhas, mas com a ajuda do computador consegue atravessá-la.
Fonte: Diário de Tupã / Bastos Já
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