Alta Paulista – o "corredor dos presídios"
Nossa Lucélia - 21.04.2011
Judiciário reconhece que a construção de penitenciárias mudou o perfil da região
REGIÃO - A região da Nova Alta Paulista foi tema de matéria no jornal “O Estado de São Paulo” no último domingo, 17. A presença de vários presídios repercutiu negativamente para a região na grande mídia. A Alta Paulista, antes chamada pelo mesmo jornal de o “corredor da fome” (nos anos 80), agora aparece com a pecha de o “corredor dos presídios”.
De acordo com o Estadão, a construção de presídios teria acabado com a vida pacata das cidades da região e transformado a Alta Paulista e o Pontal do Paranapanema no "Texas paulista", apelido dado pelos próprios detentos por causa da distância da capital e do rígido sistema carcerário. “Na última década, dez municípios que formam um corredor de penitenciárias na região viram o número de roubos e furtos aumentar, em média, 84,7%”, segundo o jornal.
Autoridades repercutem tantos presídios - Os números pressionam os políticos. De acordo com estatísticas publicadas no Estadão, entre as dez cidades com penitenciárias estaduais usadas como referência, nove estão na Alta Paulista (apenas Martinópolis pertence à Alta Sorocabana).
“Líderes regionais foram seduzidos pela possibilidade de conseguir trabalho para os habitantes e dar estímulo ao comércio. De quebra, ganhariam também com o aumento na arrecadação de impostos. Junto, porém, surgiram outros problemas além da insegurança”, segundo o jornal.
O prefeito de Osvaldo Cruz, Valter Martins, falou com a reportagem de “O Estado de São Paulo” na condição de Presidente da Associação dos Municípios da Nova Alta Paulista (AMNAP). Valtinho disse que o setor de saúde é mais afetado do que a própria segurança porque os recursos destinados aos moradores são divididos com a população carcerária, que tem prioridade no atendimento.
O presidente da Amnap também lamentou o efetivo policial insuficiente e diz que se reuniu recentemente com integrantes da Secretaria de Segurança Pública do Estado para discutir o assunto. Parte dos policiais é obrigada constantemente a acompanhar o deslocamento dos detentos, o que desfalca o policiamento.
Onde não há presídio o problema é comum - Segundo o Estadão, “mesmo nas cidades sem penitenciária, mas que fazem parte do 'Texas paulista', o impacto da mudança, embora de forma menos intensa, se reflete em termos de violência”.
A cidade de Adamantina, entretanto, é exceção porque é um dos municípios que, desde os anos 1990, rechaçam a hipótese de contar com um presídio e, na última década, registrou queda de 16,4% nos furtos e roubos.
O prefeito José Francisco Figueiredo Micheloni diz que municípios vizinhos aceitaram a construção de penitenciárias "pela sobrevivência". "No primeiro ano, traz emprego e aumento na arrecadação. Os problemas chegam depois", afirma.
Juiz corregedor fala em mudanças social - Para o juiz-corregedor de Dracena, Fábio Vasconcelos, que chegou em 2007 à Alta Paulista, houve crescimento no número de furtos nos últimos anos. Ele associa o problema ao aumento no consumo de drogas, que insere usuários no crime. O representante do Judiciário reconhece que a construção de penitenciárias mudou o perfil da região. "Houve um custo para a sociedade e faltou investimento em saúde e assistência social", diz.
Segundo o juiz, quase a totalidade dos presos veio de fora. Familiares acompanharam a mudança e foram obrigados a reiniciar a vida onde não têm vínculos, sem uma rede social abrangente para atendê-los. O juiz diz que os presídios são uma realidade local e, agora, o importante é resolver os problemas criados por eles, aproveitando o que trouxeram de bom.
Fonte: Ocnet – com informações do Estadão
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