Deputado Vaccarezza é acusado de dar calote em Marília, Tupã, Bastos, Osvaldo Cruz e Lucélia
Nossa Lucélia - 14.04.2011


Vaccarezza e aliado que teria contratado cabos eleitorais negam acusações e veem intriga política e chantagem no episódio

SÃO PAULO - O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT), está sendo acusado de dar calote em cabos eleitorais da região da Alta Paulista, oeste do Estado de São Paulo.

Segundo o Estadão.com.br apurou, o deputado estaria devendo R$ 270 mil a um engenheiro com quem fez dobradinha em Marília, R$ 20 mil ao PT de Marília e R$ 60 mil a um empresário de Tupã, além de outras dívidas menores com outras pessoas da região.  

O deputado nega as acusações e vê "chantagem" no episódio. Em todas as cidades em que há a denúncia de calote, a história é bastante parecida.

O economista Walter Bonaldo Filho, que foi secretário de Finanças de Tupã entre janeiro de 2009 e agosto de 2010, no governo de Waldemir Gonçalves Lopes (PSDB), definido pelas pessoas ouvidas pela reportagem como "organizador" da campanha do deputado para a região, contratou pessoas e serviços que depois não foram pagas.

Bonaldo, segundo ele mesmo, é amigo pessoal de Vaccarezza há 17 anos e é filiado ao PMDB. Ele nega que tenha deixado dívidas e atribui as denúncias à briga interna do PT.

Segundo explicou o próprio Bonaldo, a região da Alta Paulista é um reduto tucano. Por isso se ofereceu a Vaccarezza, que tem base na capital paulista, para ajudar a conseguir mais votos na região.

Além de Marília e Tupã, em outras cidades da região da Alta Paulista também houve denúncias de calote em dívidas de campanha do deputado Candido Vaccarezza (PT), como em Bastos, Lucélia e Osvaldo Cruz. 

BASTOS  - Em Bastos, o vereador Márcio Venturoso de Souza (PT) diz que pagou a campanha para o candidato na cidade de seu próprio bolso. A história que conta é parecida com a que se apurou em outras cidades. Walter procurou Márcio para que trabalhassem em uma dobradinha com o candidato a deputado estadual Francisco de Assis Pereira de Campos, o Tito (PT), de Sumaré. 

"O Tito honrou com a despesa. Já o Walter, da parte do Vaccarezza, não fez o pagamento. Inclusive colocou a culpa na greve de banco, citou vários argumentos pra justificar o não pagamento. Até que chegou num ponto que não tinha mais argumento, assumiu que não ia pagar mesmo", acusa. 

"Houve a contratação, no caso da cidade de Bastos, de sete pessoas que trabalharam na campanha, de carro de som também. Para honrar o compromisso com o pessoal da cidade eu tive que complementar com recurso do meu bolso. Porque são pessoas que não tem nada a ver com o deputado Vaccarezza, são pessoas que trabalharam porque precisavam. Eu paguei do meu próprio bolso para não ter problema. mesmo porque é uma cidade pequena, ia caracterizar que quem deu o calote fui eu, não o Vaccarezza", conta. Segundo ele, o valor pago foi de R$ 3.500.

OSVALDO CRUZ - O ex-vice-prefeito de Osvaldo Cruz, Otávio Aparecido de Sá, o conhecido Cardoso, teria tomado um calote de R$ 1,5 mil do deputado federal Cândido Vacarezza (PT). Cardoso é um dos personagens que teria sido fraudado em campanha eleitoral do ano passado e que moram na Alta Paulista em decorrência da campanha do deputado no ano passado.

O deputado estaria devendo R$ 270 mil a um engenheiro com quem fez dobradinha em Marília, R$ 20 mil ao PT de Marília e R$ 60 mil a um empresário de Tupã, além de outras dívidas menores com outras pessoas da região. O deputado nega as acusações e vê "chantagem" no episódio.

No caso de Cardoso, o ex-vice-prefeito de Osvaldo Cruz disse ao Estado que ficou uma dívida de R$ 1.500 reais e que não pretende fazer nada contra Walter, Thiago ou Vaccarezza. É militante do PT e já foi vice-prefeito da cidade. Diz que trabalhou distribuindo panfletos.

Vaccarezza rejeita acusações e diz que “não aceitará chantagem" - A assessoria de Cândido Vaccarezza, deputado federal pelo PT de São Paulo e líder do governo na Câmara, divulgou nota em resposta a acusações de calote feitas por cabos eleitorais, reveladas nesta terça-feira, 12, pelo estadão.com.br.

Leia a íntegra da nota:
Em relação às denúncias sobre dívidas de campanha de 2010 na região de Alta Paulista, o deputado Cândido Vaccarezza tem a esclarecer o seguinte: 
1)      A ação trabalhista movida pelo empresário Paulo Cézar Madureira contra o deputado Vaccarezza na Vara do Trabalho de Tupã (processo n. 034/2.011), no valor de R$ 51.759,58, foi considerada IMPROCEDENTE pelo juiz Pedro Marcos Olivier Sanzovo. O reclamante não entrou com nenhum recurso e, dessa maneira, o caso está encerrado.

2)      O engenheiro José Ferreira Menezes Filho, ex-candidato a deputado estadual pelo PSL, que não foi eleito, prestou contas no TRE-SP de despesas no valor de R$ 88.223,00. O valor cobrado de R$ 270 mil, portanto, não foi declarado, o que demonstra que não corresponde à verdade.

3)      O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de Marília nunca fez nenhuma cobrança ao deputado Cândido Vaccarezza por eventuais despesas de campanha. O deputado Cândido Vaccarezza reitera que não aceitará nenhum tipo de chantagem, certamente movida por interesses políticos.”


Fonte: (Informações do Estadão)


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