Diretor da Santa Casa de Osvaldo Cruz diz que solução vem com vontade política
Nossa Lucélia - 30.03.2011
OSVALDO CRUZ - O diretor técnico da Santa Casa de Osvaldo Cruz, Walter Góes, criticou o que chamou de "falta de vontade política" para a solução da crise no único hospital público da cidade.
O diretor clínico da Santa Casa, Álvaro Cavalcante, é citados na medida liminar do juiz Diogo Porto Bertolucci como autor de um ofício encaminhado ao Ministério Público da Comarca onde emite parecer favorável à proibição de internação de pacientes no pronto socorro, tendo em vista as condições de trabalho no local.
Em entrevista, Góes confirma que ele e Cavalcante procuraram a Promotoria da Comarca para atestarem a falta de condições, mas foram orientados a continuar o atendimento. "O Álvaro [diretor clínico, Álvaro Teixeira Cavalcante] sugeriu que nós parássemos o atendimento para não colocar em risco a vida dos pacientes. E os promotores nos orientaram a continuar o atendimento. Se houvesse falta de material seria um problema da administração e que eles estavam tomando providências", revelou o diretor técnico da Santa Casa ao mencionar que em caso de parada de atendimento poderia ocasionar omissão de socorro.
Góes disse que faltam medicamentos, materiais, saída de médicos - dois anestesistas e um ginecologista e dificuldades na contratação de novos profissionais. "Tem médico na Santa Casa que não recebe desde novembro. Foi isso que determinou a saída de médicos. A Santa Casa recebe os honorários médicos, mas usa o dinheiro para comprar remédio, alimento, materiais e inclusive o salário de outros funcionários. A situação é gravíssima e a comunidade precisa saber", denunciou Walter Góes.
Pronto Socorro é gargalo e é preciso "vontade" - Na opinião do diretor técnico da Santa Casa, Walter Góes, o principal "gargalo" e que responde pela maior parte do custo de manutenção do hospital está no Pronto Socorro.
"O Pronto Socorro custa mensalmente R$ 250 mil à Santa Casa. O hospital recebe R$ 60 mil da Prefeitura, mais R$ 25 mil do Estado e outros R$ 40 mil do Ministério da Saúde, que no final das contas ainda gera um prejuízo mensal que varia de R$ 60 a R$ 100 mil", apontou o médico.
Na opinião de Walter Góes é necessário "vontade política" para a solução da crise na Santa Casa. "A Santa Casa vive de uma verba repassada pelas prefeituras que é praticamente a mesma há sete anos. Você não compra um litro de óleo com o mesmo dinheiro que você comprava há sete anos. Lucélia é uma cidade de 20 mil habitantes. Lá a prefeitura gasta R$ 157 mil para atender o pronto socorro da cidade. Osvaldo Cruz repassa R$ 60 mil para o pronto socorro. É muito pouco. A Santa Casa daqui não consegue prestar um atendimento digno com esse dinheiro. Vai chegar uma situação que não vai ter como tocar o hospital", disse ao reforçar que os prefeitos precisam ajudar mais.
Ao se referir à solução para o problema insustentável da Santa Casa, Walter Góes disse que depende apenas de um fator: vontade política. "Se houver vontade política você resolve isso em 24 horas. Pelo que sei estamos há três anos nesse jogo de empurra. Fiquei sabendo que o prefeito vai procurar o governador Geraldo Alckmin, o que demonstra que ele quer resolver o problema.Mas chegarmos a um ponto insustentável porque já temos até ordem judicial para suspensão de prestação de serviços para com as prefeituras. E ordem judicial não se discute, se cumpre", completou.
Fonte: Ocnet
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