Zona Azul dá prejuízo ao Iama de Adamantina
Nossa Lucélia - 12.03.2011
Ao invés de ajudar, Zona Azul dá prejuízo ao IAMA
ADAMANTINA - Criada com o objetivo principal de colaborar financeiramente com o Iama (Instituição de Assistência ao Menor de Adamantina), a Zona Azul já foi, e continua sendo, alvo de muitas críticas. Mas desta vez, o IMPACTO levantou o maior problema – ao invés de colaborar com a instituição, ela vem causando prejuízo, ou seja, para cobrir todos os custos dessa “empresa” que se tornou a Zona Azul, o Iama está sendo obrigado a destinar parte da verba que seria investida nas crianças atendidas pela entidade, para o custeio do serviço.
Criada por uma lei municipal de novembro de 1997, a Zona Azul regulamenta o estacionamento na região central da cidade, com preço fixado atualmente em R$1, por duas horas. De todo o valor liquido arrecadado, 95% é destinado ao Iama (que administra o serviço) e 5% para o Fundo Social de Solidariedade.
Segundo o presidente da entidade, Adevalter Longuini, (foto), desde 2009 a Zona Azul tem causado prejuízo. “Contamos atualmente com 20 funcionários diretamente ligados a Zona Azul, todos eles registrados, com carteira assinada. Isso gera um custo muito grande. De novembro a fevereiro renovamos 90% dos funcionários, o que nos gerou ainda mais encargos como o pagamento de férias, 13º salário e todos os acertos rescisórios. Ou seja, a Zona Azul se tornou uma empresa geradora de empregos – é nisso que ela tem colaborado atualmente, em oferecer 20 empregos em Adamantina. Para o Iama ela significa apenas mais trabalho, pois não colabora em nada”, explica.
Longuini afirma que em 2008 a Zona Azul ia relativamente bem e foi responsável por R$ 39,5 mil de lucro, pois os usuários contribuíam sem muito questionamento. Mas em 2009, a demora para a renovação do contrato de prestação de serviços com a prefeitura fez com que boatos de que a Zona Azul seria extinta surgissem. A partir daí a maioria das pessoas não queria mais pagar. “Este foi um período muito difícil. As pessoas diziam que a tarifa seria extinta e os usuários começaram a se recusar a pagar. Sabemos que muitos empresários estimulavam essa atitude”, afirma.
Em novembro daquele ano o contrato foi assinado e o valor cobrado subiu de R$0,90 para R$ 1. “Neste ponto já estava muito difícil para revertermos a situação. As pessoas estavam condicionadas a se recusar a pagar. O desafio foi ainda maior para aqueles garotos que lidaram diretamente com os usuários”, conta.
De acordo com o relatório apresentado pelo presidente do Iama, em 2009 o prejuízo chegou a R$ 9.139,30, dinheiro este que teve que ser tirado da entidade para cobrir essas despesas. Em 2010 o prejuízo ficou em R$ 1.274,04. “Será que é viável trabalharmos um ano inteiro para não nos sobrar sequer R$ 1 mil? Qualquer um percebe que isto não é viável”, diz.
Segundo Longuini, diante deste quadro o Iama iniciou um levantamento das vagas disponíveis para traçar uma estimativa de arrecadação, caso as pessoas colaborassem corretamente com a Zona Azul. “Atualmente existem 388 vagas demarcadas. Se pensarmos que são seis dias na semana chegamos a um total de 2.328 vagas na semana, 9.312 vagas no mês. Com a cobrança de três cartões no dia (esse número poderia chegar a cinco), temos 27.936. Em fevereiro deste ano arrecadamos apenas R$19 mil”, explica.
O mesmo levantamento listou o número de comerciantes que estacionam na Zona Azul, quais deles pagam corretamente, quais pagam apenas um cartão no dia e quais simplesmente se recusam a pagar. “São 155 comerciantes utilizando diariamente a Zona Azul.
Fizemos o levantamento pelas placas dos veículos. Por não pagarem corretamente deixamos de arrecadar pelo menos R$6,2 mil por mês. Sabemos que existem falhas, mas pedimos a colaboração de todos, principalmente dos comerciantes. A Zona Azul é um desgaste muito grande a troco de nada. Os usuários precisam ter consciência e cumprir a lei. Outro fator importante seria a municipalização do trânsito, que há 11 anos estamos escutando falar, mas que nunca sai do papel. Sem penalidade, fica difícil fazer com que as pessoas paguem corretamente a Zona Azul”, afirma Longuini.
Questionado sobre o porque continuar com a Zona Azul já que muitos são contra a cobrança e atualmente tem gerado prejuízo para a entidade, o presidente do IAMA explicou que o novo contrato assinado em novembro de 2009 renovou o serviço por mais 60 meses, ou seja, até o final de 2014. Até lá o IAMA tem que continuar prestando o serviço com pena de multa caso o contrato seja quebrado. A Zona Azul funciona das 8h às 17h de segunda à sexta-feira e das 8h às 13h aos sábados.
“Cada criança gera um prejuízo mensal de R$46”, afirma presidente do Iama - A dificuldade de manter instituições de caridade com verbas provindas dos governos federal, estadual e municipal não é novidade para ninguém. Todas elas dependem da boa vontade e criatividade de voluntários que, de iniciativa em iniciativa, conseguem angariar fundos para suprir o caixa dessas entidades.
O caso do Iama (Instituição de Assistência do Menor de Adamantina) não é diferente. Segundo o presidente da entidade, Adevalter Longuini, atualmente cada uma das 123 crianças atendidas gera mensalmente um prejuízo de R$ 46,14. “Prestamos diversos tipos de atendimentos. Temos psicólogos, dentistas, oferecemos reforço escolar e alimentação para elas, mas isso tem um custo muito alto. Atualmente a própria estrutura está ocasionando um déficit de 50%. A entidade tinha reservas, mas estas estão se esgotando”, desabafa.
Segundo ele, o Iama recebe mensalmente R$1.220,75 do município, R$4.453 do Estado e R$737,10 do Governo Federal, o que significa R$51,28 por criança. “Cada uma dessas crianças nos custa mensalmente R$97,42, ou seja, temos um prejuízo de R$46,14. Embora contemos com a colaboração voluntária de parte da comunidade e com parte do dízimo das igrejas Matriz de Santo Antonio e Nossa Senhora de Fátima, que nos é destinado mensalmente, ainda precisamos nos empenhar em realizar campanhas, bingos e almoços beneficentes para conseguirmos nos manter”, explica.
Fonte: Natália Bachi - Adamantina Em Pauta
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