Ácaro obriga matança de 70 mil aves e fechamento de granja em Bastos
Nossa Lucélia - 17.01.2011



BASTOS - Um ácaro desconhecido dos parasitologistas atingiu o plantel de pelo menos duas granjas bastenses em dezembro. Uma delas teve que erradicar 70 mil poedeiras e suspender provisoriamente as atividades por um período de seis meses - medida técnica preventiva denominada de vazio sanitário.

Debilitadas, as aves afetadas apresentam estresse, emagrecimento e feridas e a produção cai de maneira drástica. A Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) de Bastos, vinculada ao Instituto Biológico de São Paulo, recebeu as primeiras aves do lote infestado em nível local e constatou tratar-se do parasita que está causando perdas econômicas em outros pólos avícolas.

“Como nós, pesquisadores científicos da UPD, embora especializados em várias doenças das aves não somos parasitologistas, o material coletado foi encaminhado a especialista do Laboratório de Parasitologia do Instituto Biológico”, contou Nilce Maria Soares, que é chefe de seção da unidade. A pesquisadora revelou que o instituto concluiu que o caso ocorrido em Bastos é mesmo do parasita ainda desconhecido e agora está encarregado de fazer os estudos pertinentes.

A preocupante situação mobilizou a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, o instituto, a UPD local e o Sindicato Rural de Bastos, que deflagraram um programa emergencial de ações conjuntas com o objetivo de evitar a disseminação do ácaro. “Tão logo ficamos sabendo, em dezembro, da presença desse parasita em granjas de Bastos, solicitamos ao Instituto Biológico a formação de um grupo de trabalho constituído por especialistas, para que o ácaro fosse identificado e pudéssemos ser orientados sobre as medidas que deveriam ser tomadas”, disse o diretor-executivo do Sindicato Rural de Bastos, Yasuhiko Yamanaka.

Afirmou que “o sindicato solicitou aos avicultores a adoção de medidas de sanidade avícola” e que, “devido à gravidade do problema, eles estão atendendo as recomendações”

MEDIDAS PREVENTIVAS - Marcos Buim, também pesquisador científico da UPD local, disse que neste momento os avicultores devem dar atenção a medidas básicas de biosseguridade. “Recomendamos que os produtores realizem inspeção minuciosa dos plantéis com o objetivo de viabilizar precocemente um eventual diagnóstico da infestação. É prioritário observar se há lotes de aves com queda de produção, coceira, feridas e debilitadas, que são alguns dos sinais clínicos mais evidentes”.

O pesquisador recomendou “medidas de controle de trânsito de pessoas, de veículos e utensílios em geral; de controle de vetores, principalmente de moscas, roedores e pragas em geral”. Afirmou que também é prioridade providenciar a limpeza geral e higienização das instalações e dos aviários. “É preciso que os produtores estejam em contato direto com os técnicos responsáveis pela propriedade para que eles possam orientar da maneira correta a utilização de produtos e uma atenção especial ao descarte dos lotes eventualmente infestados”.

Neste caso, Marcos Buim alertou que “o descarte deve ser feito de maneira apropriada para que esse ácaro não se disperse para a região”.

ESTERCO - Yasuhiko Yamanaka revelou que as ações preventivas que devem ser adotadas pelos avicultores se estendem ao tratamento e comercialização do esterco. “Solicitamos, de comum acordo com o Instituto Biológico, que os produtores de ovos estendam de sete para 10 dias o período em que o esterco deve ficar coberto com lona. Com essa providência a temperatura do esterco se eleva para até 90 ºC, o suficiente para exterminar o ácaro”, explicou.

O diretor-executivo do Sindicato Rural de Bastos garantiu que todo cuidado nesse sentido está sendo tomado. “Só depois desse prazo estabelecido é que o esterco está liberado para a comercialização”. O caso desse parasita desconhecido veio à tona no dia 11, última terça-feira, após uma primeira reportagem veiculada pela Rádio Cidade FM.

Doença não é transmissível às pessoas, garante pesquisador - “As pessoas podem ficar tranqüilas”, garantiu Marcos Buim, pesquisador científico da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) de Bastos, ante a indagação se o ácaro pode ou não afetar a saúde humana. “Essa hectoparasitose é de aves e não causa a infestação em humanos, não sendo, portanto, uma zoonose”. O pesquisador também fez questão de tranqüilizar a população ao assegurar que “não existe nenhuma possibilidade de transmissão da doença do ovo para humanos”.

Já a pesquisadora Nilce Maria Soares disse que “após o Instituto Biológico concluir, por meio de análise, que o ácaro ocorrido em granjas de Bastos é mesmo desconhecido, a próxima fase do estudo é a colheita e conservação correta do material para a identificação desse parasita”.

A pesquisadora salientou: “após a identificação, vamos estudar a biologia, o ciclo desse ácaro e também a epidemiologia, as vias de disseminação, tudo isso para que possamos fazer o controle desse parasita”.



Fonte: Tribuna - Bastosja


Voltar para Home de Notícias


© Copyright 2000 / 2010 - All rights reserved.
Contact: Amaury Teixeira Powered by www.nossalucelia.com.br
Lucélia - A Capital da Amizade
O primeiro município da Nova Alta Paulista