BASTOS: Menina morre asfixiada; pais acusam médico de negligência
Nossa Lucélia - 21.11.2010
BASTOS - Maria Carolina da Rocha, 4 anos, se engasgou com semente de lichia no último dia 14, chegou ao Pronto Socorro (PS) Municipal de Bastos em estado grave e faleceu vítima de “insuficiência respiratória aguda”, conforme aponta o atestado de óbito.
Em entrevista à Tribuna, a própria mãe da menina, Elaine Valéria Colombo Rocha, afirmou que do momento em que sua filha se engasgou até a chegada ao PS se passaram em torno de 13 minutos.
A família não acionou o serviço de ambulância. Os pais da menina acusam o plantonista, João Carlos da Silva, morador em Parapuã, de negligência médica (veja matéria abaixo).
Em contato com o PS, a Tribuna obteve a informação de que o médico responsável pelo caso estava em viagem e que demoraria alguns dias para retornar, motivo pelo qual não seria possível estabelecer contato com ele.
Procurado pela reportagem, o secretário municipal de Saúde, Valdir Dezan, refutou a acusação dos pais de Maria Carolina contra o médico. “Em reunião que mantive com João Carlos da Silva e as enfermeiras que estavam no plantão, todos afirmaram que o atendimento à menina foi imediato”.
Dezan afirmou ainda que “a paciente chegou ao PS com parada cardíaca e foi imediatamente conduzida à sala de emergência”. Disse que “após exames preliminares, a equipe introduziu sonda na garganta da menina, que não estava obstruída, e nas narinas, que também não apresentavam sinal de obstrução”.
Segundo o secretário de Saúde, em seguida a equipe entubou a paciente e tentou reanimá-la várias vezes sem sucesso, devido à gravidade de seu estado. “Todos os procedimentos indicados para esse tipo de caso foram adotados, mas infelizmente não foi possível à equipe salvar a garota”, lamentou.
Dezan disse ainda que “por ter síndrome de down, a paciente sofria de cardiopatia e problemas pulmonares, que são agravantes em uma situação como essa, de asfixia por engasgamento”.
De acordo com a ficha de atendimento da paciente, emitida pelo PS e assinada pelo médico João Carlos da Silva, Maria Carolina deu entrada na unidade de saúde às 19h25, “no colo da mãe, já desacordada e com sangramento pela boca”, e faleceu às 19h40, mesmo horário indicado no atestado de óbito. A Tribuna teve acesso aos dois documentos.
Maria Carolina da Rocha, que era aluna da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bastos, foi sepultada na tarde de segunda-feira, dia 15, no CemitérioMunicipal.
Pais acusam plantonista de negligência médica - O pedreiro Eraldi Assis da Rocha, 38 anos, e sua esposa, a dona de casa Elaine Valéria Colombo Rocha, 39, pais de Maria Carolina da Rocha, procuraram a Tribuna para acusar o médico João Carlos da Silva, plantonista do Pronto Socorro Municipal, de negligência no atendimento à sua filha.
Elaine Valéria relatou que por volta das 19h, estava na casa de um cunhado, no Jardim Novo Bastos, quando Maria Carolina, ao tentar chupar uma lichia, se engasgou com a semente. “Como não havia nenhum veículo na casa do meu cunhado eu corri para a rua pedindo socorro, e uma senhora, que ia para a igreja, nos deu carona até o Pronto Socorro”.
Segundo a mãe, na Avenida Gaspar Ricardo, a caminho do PS, o motorista de uma Belina impediu várias vezes a ultrapassagem do carro em que ela e a filha estavam. Afirmou que às 19h13 chegaram ao PS, contrariando a informação constante na ficha de atendimento, que indica que a paciente deu entrada às 19h25.
Elaine Valéria contou que ao chegar ao PS, as enfermeiras atenderam sua filha logo na porta de entrada e imediatamente a levaram à sala de emergência. “Ao verem a situação da minha filha, as duas enfermeiras iniciaram rapidamente os trabalhos para tentar desengasgá-la. Eu e meu filho ficamos no corredor e 15 minutos depois vimos a porta de uma das salas se abrir e o médico sair para ver o que estava acontecendo, pois a agitação era muito grande”.
A mãe contou ainda que em seguida seu filho constatou que a televisão da sala onde o médico estava encontrava-se ligada no 3º Tempo, programa esportivo da TV Bandeirantes. “Isso comprova que ele estava assistindo televisão ao invés de atender os pacientes. E olha que tinha uma seis pessoas aguardando atendimento”, denunciou.
O pedreiro Eraldi Assis da Rocha, que estava em um pesqueiro e chegou ao Pronto Socorro no meio do atendimento à sua filha, afirmou que ao entrar na sala de emergência viu que o médico apenas media a pulsação da menina. “Ele estava vendo a minha filha naquela situação e não fazia nada, ficou de pé, apenas olhando as enfermeiras tentando salvá-la. A única coisa que o médico fez foi conferir algumas vezes a pulsação dela, para verificar se estava viva ou não”.
O pedreiro afirmou também que Maria Carolina deu os últimos suspiros em seus braços e desabafou: “Sabemos que nada vai trazer minha filha de volta, mas vamos fazer de tudo para que o CRM casse o registro desse médico, para que ele não cometa esse tipo de falha novamente com uma vida humana”.
Eraldi da Rocha revelou que vai registrar boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil contra o médico por “negligência no atendimento”.
Fonte: Bastos Já
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