João Pedro Morandi afirma que prefeitos devem cobrar mais o Governo
Nossa Lucélia - 07.11.2010


"Vejo que as lideranças da Amnap não têm um plano de desenvolvimento. As pessoas reclamam por quê os prefeitos não vão.

LUCÉLIA - A estagnação da Nova Alta Paulista - O jornal IMPACTO tem entrevistado as principais lideranças políticas da região, que explicam os motivos e apontam soluções para os problemas levantados. A seguir, os principais pontos da entrevista com João Pedro Morandi (prefeito de Lucélia)

Morandi falou sobre os altos e baixos da agricultura na região e a crise do café, seguida da tentativa do cultivo do amendoim e do algodão, que não vingaram. “As terras foram perdendo o poder de produção e com o passar do tempo veio o empobrecimento. As pessoas buscaram as cidades grandes. Depois disso começou a entrar em questão as usinas de álcool, que criaram uma grande expectativa. Além do corte da cana, as pequenas propriedades passaram a não mais produzir porque era mais viável arrendar a terra para a cana. O valor era insuficiente, mas naquele momento era melhor do que a instabilidade do plantio”, conta.

Segundo ele, a lavoura que era o progresso da região, não existia mais. “Outras regiões que tinham elegido deputados aproveitaram para se desenvolver, tanto que vemos que foram criadas regiões administrativas em Presidente Prudente, Araçatuba, e outras, e na nossa região, nada. Faltou envolvimento político. Por longos anos tivemos lideranças políticas em outras regiões, e estas resolvem primeiro os problemas da região delas e depois vêm para cá. Agora é que temos um representante. Mas não deveríamos ter apenas um deputado de situação, precisamos também de um de oposição, ou mais. Eu vejo que muitas vezes o próprio deputado não enfrenta o governo, ele apenas diz 'amém'. O governo diz “Vou mandar presídios para o interior” e ele diz 'amém'. Diz “não vou dar aumento para professores” e eles dizem 'amém'. Precisamos de enfrentamento”, destaca.

Morandi foi por várias vezes vice presidente da Amnap e afirma que embora tenha tentando, nunca conseguiu ser presidente da associação. “Percebi que se fosse presidente, seria presidente de mim mesmo, porque ninguém participaria das reuniões por eu ser do PT. Percebo que as lideranças da Amnap não têm um plano de desenvolvimento. Neste ano tiveram duas ou três reuniões, sem um projeto concreto. As pessoas reclamam por quê os prefeitos não vão. Eles não participam porque falta ação do grupo que lidera”, enfatiza.

Sobre a estagnação da Nova Alta Paulista, Morandi afirma que é necessário cobrar o governo. “Uma coisa que gostaríamos que fizessem aqui é a mesma coisa que fizeram no Mato Grosso do Sul, ou seja, baixar o imposto como incentivo para que as empresas venham para cá. Como nossa região é pouco desenvolvida, seria muito justo fazermos uma zona franca, com um prazo para ficar neste patamar. Outra coisa, vieram os presídios, mas nenhum dos prefeitos cobrou do governo um incentivo por causa disso. Poderíamos ter exigido que em cada cidade que tivesse um presídio, fosse montada uma escola profissionalizante. Enquanto não tivermos a qualificação da mão de obra, as empresas também não vem pra cá”, finaliza.


Fonte: Do Adamantina Em Pauta - Foto Maila Alves/Yvity Studio





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