Prefeito de Parapuã destaca falta de união entre prefeitos
Nossa Lucélia - 07.11.2010


"Precisamos trabalhar e cobrar do governo essas metas. Muitas coisas já poderiam ter acontecido se tivéssemos trabalho com objetivo. "

PARAPUÃ - Alves, que cumpre o terceiro mandato como prefeito de Parapuã, afirma que o primeiro problema da Nova Alta Paulista é que a região foi colonizada por pessoas que vieram de outras regiões, como a araraquarense e noroeste, e foi a última do Estado a ser aberta. “Faltaram no início objetivos, união e uma linha de raciocínio por parte das pessoas que estavam colonizando. Cidades como Parapuã e Rinópolis foram colonizadas por europeus enquanto Adamantina, Sagres e Pracinha, por nordestinos.

Nisto a gente percebe a dificuldade em relação a cultura, por exemplo. Essa diversidade influência também no desenvolvimento da região. A Nova Alta Paulista teve uma população muita grande nos anos 50 e 60. Como era uma região essencialmente agrícola, ela sofreu as conseqüências por não ter um incentivo, na época, do governo federal, para a agricultura. Daí veio o êxito rural. Enquanto as indústrias ofereciam empregos nos grandes centros, a região oferecia desemprego porque o juro bancário para trabalhar na agricultura tornou-se caro, inviabilizando-a”, explica.

Para Alves, a região começou a andar na contramão nos anos 60, quando o governo começou a investir na indústria automobilística e deixou de investir na agricultura. Outras regiões também sofreram com isso, como o final da Noroeste, o Pontal do Paranapanema e o Vale do Ribeira. “A partir do momento em que houve esse descaso com a agricultura, criou-se o bóia fria. E para não ser chamado de bóia fria, este trabalhador procurou os grandes centros e foi inclusive morar em favelas. Só mudou o nome, de rural para urbano, mas ele continua lá, em uma situação muitas vezes até pior que a daqui”, conta.

Sobre a realidade atual, o prefeito afirma que hoje ela está ainda mais difícil. “Tudo isso que estamos tratando aqui é um reflexo. Temos cidades na região com IDH tão baixo como cidades do Alagoas. Uma das regiões que tem a maior taxa de mortalidade infantil no Estado é a Alta Paulista. Temos em Parapuã 800 propriedades agrícolas, que significa que é pequena. Temos uma reforma agrária pronta mas que não resolve o problema do agricultor. Hoje continuamos aqui, nos 30 municípios e 27 mil propriedades agrícolas sofrendo o problema de não ter uma definição do Governo Federal sobre a situação agrícola do Brasil. Vivemos um momento difícil. Enquanto na capital temos 25 mil pessoas por quilômetro quadrado, aqui nós temos 32”, explica.

Mas, embora seja possível apontar tantos problemas, Alves afirma que houve melhora na infraestrutura. “O governo investiu mais, mas em termos de população, ainda não conseguimos reverter. Precisamos criar métodos para diminuir um pouco a população de lá e aumentar a daqui, pra que essas pessoas possam ter uma melhor qualidade de vida”.

Questionado sobre o que falta para a região se desenvolver, Alves foi direto: “união”. “Essa mistura que teve no começo fez com que hoje não tivéssemos união. Eu cheguei a fazer reuniões na Amnap enquanto presidente, que iam três ou quatro prefeitos, e que não iam com os mesmos pensamentos de resolver os problemas da região”, destaca.

Segundo ele, três coisas básicas deveriam ser tratadas: um hospital regional, uma região de governo, tentativa que não deu certo pois várias cidades queriam sediar e não chegaram a um consenso, e criar uma faixa de desenvolvimento do Oeste Paulista, como uma zona franca onde não se pagaria imposto, como forma de incentivo para as industrias virem pra cá.

“Eu me comprometo a encabeçar esse trabalho e me unir com outras pessoas e sentar para desenvolver isso com seriedade. Seria importante que as pessoas entendessem que a gente precisa de união. A partir do momento que eles entenderem que precisamos nos unir para conquistar o que as outras regiões já consquistaram, estarei pronto para ajudar”, enfatiza.

“Precisamos trabalhar e cobrar do governo essas metas. Muitas coisas já poderiam ter acontecido se tivéssemos trabalho com objetivo. Em reuniões, precisamos todos os prefeitos nos sentar para tratar de assuntos que sabemos que vai resolver o problema da região e não apenas falar de coisas abstratas. Precisamos fazer as coisas acontecerem”, finaliza.


Fonte: Do Adamantina Em Pauta - Foto Maila Alves/Yvity Studio





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