Vereador Márcio Adriano de Santana afirma: "Relacionamento entre Prefeitura e Câmara Municipal de Lucélia está abalado"
Nossa Lucélia - 06.11.2010
LUCÉLIA - O terceiro da série de entrevistas que a Folha Regional está realizando com os nove vereadores lucelienses é Márcio Adriano de Santana (PV), que responde nesta edição sobre os maiores desafios do mandato, expõe as conquistas alcançadas para o município, analisa a atuação da Câmara Municipal, fala a respeito do relacionamento entre Legislativo e Executivo, e ainda, avalia a Administração João Pedro Morandi (PT).
FOLHA – Que análise pode ser feita dos quase dois anos de mandato?
MÁRCIO – Ser vereador numa cidade como Lucélia exige certo preparo para conduzir os trabalhos no legislativo, porque exige de nós, esforço, estudo e, acima de tudo, ética, principalmente nos projetos que passam pelo crivo dos vereadores.
FOLHA - Quais os maiores desafios encontrados durante este período?
MÁRCIO – O maior desafio é suprir as necessidades da população, em todos os setores. Por isso sou muito cobrado, especialmente pelos amigos, pois, quando algo não vai muito bem, é ao vereador que eles recorrem.
FOLHA – Que conquistas alcançadas ou intermediadas no desempenho do atual mandato legislativo podem ser destacadas?
MÁRCIO – Algumas verbas para entidades e Santa Casa, conseguidas por meio de emenda parlamentar de deputado estadual Reinaldo Alguz (PV). Inclusive estamos trabalhando para a reativação do posto de sementes de Lucélia, o que é motivo de grande alegria particular, pois sou filho de agricultor e vejo aí a possibilidade de muitos voltarem às suas raízes, a produzir, reencontrar seu lugar no campo.
FOLHA – Como vê a atuação da Câmara Municipal na Legislatura 2009/2012?
MÁRCIO – A Câmara de Lucélia ainda não desempenha plenamente seu papel perante a sociedade, ainda não agrega os valores essenciais do Poder Legislativo, e “ainda”, não fiscaliza com eficácia os atos do Executivo. É uma crítica construtiva que faço à própria Casa de Leis, mas que é bem simples de entender: somos nove vereadores, então, se cada um conseguir uma verba de R$ 100 mil com deputados de nossos partidos, no final do ano, ajudaremos o município com quase R$ 1 milhão. E também deve ser uma preocupação do próximo presidente legislativo a redução dos gastos da Câmara, que hoje são um dos mais altos da região.
FOLHA – Como está o relacionamento entre os poderes Executivo e Legislativo de Lucélia?
MÁRCIO – Está abalado, desde o início dessa Legislatura. Volto a dizer: somos nove vereadores mais um prefeito, e, portanto, temos que somar essas dez autoridades e trabalhar juntos em prol do município. É inadmissível que os vereadores usem a tribuna somente para atacar o chefe do executivo, bem como muito menos o prefeito se coloque numa posição de criticar os legisladores num programa de rádio. São atitudes que não levarão a cidade a lugar nenhum, senão ao marasmo político e econômico.
FOLHA – Quais as principais carências do município hoje. E de que forma poderiam ser solucionadas?
MÁRCIO – Lucélia, assim como as cidades pequenas, tem carências nas áreas de saúde, saneamento e outras. Porém, gostaria de citar uma que considero importantíssima, na qual venho levantando minha bandeira, porque vejo que já perdemos muito espaço se comparados com cidades vizinhas: emprego e desenvolvimento. Temos que incentivar os pequenos, sejam eles, empresários ou agricultores, aqueles que produzem em nosso município. Não podemos permitir que esses vão embora da cidade na busca de nova oportunidade de crescimento. Para isso, temos que criar uma nova área industrial. Urgente! Assim, poderemos alojar aqueles que geram emprego, produzem e pagam seus impostos em Lucélia.
FOLHA – Como avalia a Administração João Pedro Morandi?
MÁRCIO – É difícil avaliar algo que ainda não terminou. Como vereador, minha função é ajudar o município, independente de quem seja o prefeito ou seu partido político. Vejo que o senhor João Pedro Morandi tem feito uma Administração mais “política” do que “técnica”, porém, gostaria de salientar que essa deve ser uma postura particular do prefeito, e não de seus assessores. Estes têm que ter um posicionamento técnico, cada um fazendo seu setor caminhar de forma organizada, rápida e eficiente.
Fonte: Ricardo Bispo / Da Folha Regional
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