Julio José Morena: "A Administração João Pedro é individualista, parcial, partidária e persegue os vereadores"
Nossa Lucélia - 16.10.2010



LUCÉLIA - Com o intuito de aproximar ainda mais da população o trabalho desenvolvido pelo Legislativo de Lucélia, a Folha Regional inicia uma série de entrevistas com os nove vereadores do município. Portanto, a cada edição o leitor saberá o que faz, como se posiciona, quais as propostas e como avalia a Administração Municipal cada um deles.

O primeiro a ser questionado pela reportagem é Julio José Morena (PSDB), vereador que ocupa o primeiro mandato na Câmara e tem se desatacado pelo espírito combativo. Acompanhe!

FOLHA – Que análise pode ser feita dos seus quase dois anos de mandato?
JULIO – Procurei fazer o meu papel de vereador, ou seja, fiscalizar! Mas com coerência, sem pensar na questão partidária, e sim, no bem estar da população, sempre. Busquei também dar muita atenção a todos os problemas que vieram até mim, para resolvê-los na medida do possível.

Na votação dos projetos, procurei analisar todos com extremo cuidado, pois não queria – e nem quero – prejudicar a Administração da Prefeitura, e menos ainda a população. Por isso, fiz questão de dar minhas explicações de votos, tanto contra como a favor, porque não quero ser considerado “o vereador da oposição”, mas sim, “o vereador que luta pelos direitos da comunidade luceliense”.

Não comparo nenhuma administração anterior com a atual, afinal, quero saber de 2009 para frente, pois faço parte dessa história. Ou seja, o que ocorreu no passado foise com o tempo. Temos que pensar sempre no futuro. Porém, o que errou-se lá atrás, devemos tentar não errar no presente e futuro.

FOLHA – Que conquistas alcançadas ou intermediadas no desempenho do atual mandato legislativo podem ser destacadas?
JULIO – Além do papel de vereador fiscalizar e votar bem os projetos na Câmara, procurei buscar novas conquistas e doações para os mais necessitados, por exemplo: intermediei “aula de ballet” para crianças de dois a seis anos em parceria com o Centro de Referência da Assistência Social; também doações de 50 pares de calçados ao projeto “Pé Calçado” para as Creches, Pastoral da Criança, Conselho Tutelar e famílias carentes; com bom relacionamento, consegui doações de troféus, bolas, redes e vários materiais para a prática de esporte. Além de R$ 150 mil para a cobertura da quadra e construção de vestiário no Parque das Palmeiras.Mas é importante ressaltar que em todos esses contei e conto com a ajuda do também e vereador Padeirinho.

FOLHA – Como vê a atuação da Câmara Municipal na Legislatura 2009/2012?
JULIO – A Câmara tem ajudado em muito a administração da Prefeitura de Lucélia, com a aprovação de quase 100% dos projetos. Na questão de convênios, os vereadores não têm medido esforços para a aprovação.

Agora, na apreciação de alguns projetos para criação de cargos, houve muitas polêmicas durante as votações, tendo em vista que cada vereador possui a sua opinião e jeito de trabalhar no Legislativo. Jamais vou julgar a postura de um companheiro de Casa, mas temos sempre que lembrar que foi o povo que nos colocou aqui, e, portanto, devemos votar os projetos com o pensamento voltado a eles.

FOLHA – Como está o relacionamento entre os Poderes Executivo e Legislativo de Lucélia?
JULIO
– Está como um termômetro: hora baixo e hora alto. Quando determinados projetos polêmicos entram na Câmara, os ânimos se alteram, devido às diferentes opiniões de cada vereador. Mas, da minha parte, procuro sempre estar presente em reuniões com o Executivo, além de escutar, analisar antes de tomar qualquer decisão ou posicionamento; e novamente ressalto, sem pensar na questão partidária, pois não se pode perder o foco, afinal, nosso alvo tem que ser sempre o bem-estar da população. Baseado nisso, podemos estar a favor ou contra o Executivo, depende do assunto.

FOLHA – Quais as principais carências do município hoje. E de que forma poderiam ser solucionadas?
JULIO – A principal é a Saúde. Não vou muito ao fundo neste assunto, porque se trata de um problema exclusivo de Lucélia. E entendo que a solução foge da esfera municipal, bem como da vontade dos vereadores, pois depende muito mais de vontade política e da capacidade das esferas superiores para o auxílio aos municípios. Particularmente, acho que nós, vereadores, deveríamos fiscalizar mais rigidamente a aplicação do percentual da Saúde, nas contratações de médicos, quantidades de exames, atendimento na Santa Casa e no Centro de Saúde, que estão diretamente ligados a um melhor investimento dos recursos.

No entanto, pretendo, por meio de parcerias com os meus deputados federais e estaduais, e até mesmo com o Governo do Estado, dar a minha parcela de contribuição nesta área.

FOLHA – Como avalia a Administração João Pedro Morandi?
JULIO – Farei uma análise de 2009 em diante, porque não adianta eu querer falar do primeiro mandato do prefeito, quando não era vereador. Então, avalio que deveria ter um pouco mais dedicação e transparência, já que era o tema de campanha dele. Acho a Administração do João Pedro muito individualista, que pensa muito no partido, além disso, ele conta com alguns assessores que não correspondem ao cargo, com isso, acaba afetando a sua própria gestão.

O prefeito falava muito nos primeiros quatro anos de mandato que não conseguiu fazer mais por Lucélia, porque pegou a Prefeitura individada, e de mais quatro anos para mostrar o jeito de administrar. Depois desta declaração, pergunto: “Cadê a sua Administração? E se tiver dívida agora, quem deixou foi ele mesmo, afinal, acabou reeleito. Uma Administração que persegue os vereadores que exercem o seu papel de fiscalizar; uma Administração que não escuta e não atende os vereadores de oposição, não pode ser considerada boa, porque tem sido parcial e partidária. Será que este é o jeito dele governar? A cidade está hoje toda esburacada, com recapes de ruas que não aguentam uma simples chuva, ou até mesmo forte calor que chega a derreter o asfalto; obras que demoram a serem concluídas e causam transtornos à toda população; perseguição a funcionários que apoiaram o ex-prefeito e até mesmo vereadores da oposição.

Pra não dizer que é mentira fatos de perseguição, contarei uma história que ocorreu comigo: “Numa sexta-feira, quando aconteceria a votação das contas do prefeito João Pedro, referentes ao ano de 2007, ele me ligou ameaçando, inclusive proferindo palavras de baixo calão. A prova é o Boletim de Ocorrência que registrei com todos os dizeres, e, por isso, meu celular foi para perícia que constatou a ligação do próprio celular João Pedro.

Então, será que ele quis me pressionar para a votação das contas? Quem não deve, não teme. E será que este é um comportamento normal de um prefeito? Agradeço novamente à população por ter me escolhido como vereador.


Fonte: RICARDO BISPO / Da Folha Regional




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