Rio Aguapeí luta contra abandono
Nossa Lucélia - 26.09.2010
No Salto Botelho às margens de suas cataratas, sequer existe banheiro público. Não há placas indicando perigo aos banhistas. Não há lixeiras instaladas. Uma muralha jaz incompleta e semi destruída, próxima a um clube particular
LUCÉLIA - De longe, as quedas d'água do Salto Botelho em Lucélia podem ser consideradas uma das vistas mais belas e impressionantes da região. De perto, ao se deparar com as rochas naturais que compõem o local, percebe-se que, por entre restos de peixes que tentaram subir em busca de procriação, existem fraldas, garrafas pets, maços de cigarro amassados, latinhas de bebidas e outros.
Dejetos deixados por banhistas que, assim como as autoridades, não se preocupam com a degradação ambiental que o Rio Aguapeí, também conhecido como Rio Feio com seus mais de 400 km, sofre a cada dia. É possível afirmar que o Rio Aguapeí está em bom estado, em maior parte de sua extensão.
Nasce no município de Gália, próximo a rodovia SP-294, segue para o norte até a altura de Lins, para oeste passando por Luziânia onde a partir deste trecho recebe muitos afluentes, até desaguar no rio Paraná entre o município de Nova Independência e São João do Pau d'Alho.
Por outro lado, também é visível a falta de interesse político ambiental a este manancial. Usuários antigos do rio afirmaram que há muito, o poder público não volta sua atenção aos principais pontos turísticos, localizados entre Lucélia e Salmorão, na região de Presidente Prudente.
Em Salto Botelho, as margens de suas cataratas, sequer existe banheiro público. Não há placas indicando perigo aos banhistas. Não há lixeiras instaladas. Uma muralha jaz incompleta e semi destruída, próxima a um clube particular.
Degradação - A situação espanta frequentadores. Os mais antigos, que ainda insistem em se divertir à beira do paraíso turístico, lamentam. Há 15 anos freqüentando o Salto Botelho, o comerciante Idair Colatto, 45, aponta a degradação que assiste diariamente. "Sempre venho para passar o feriado em Salto Botelho e a cada vez mais, me deparo com o fim disto aqui.
Hoje o Salto está ruim, judiado. Já foi mais frequentado. Está destruído pelos turistas. Se por um lado destroem, por outro os governos não fazem nada para evitar", disse. Para o comerciante, o tempo está se esgotando. "Esta situação que se encontra o Salto Botelho desanima. Está tudo abandonado. Precisa de uma ação rápida para restaurá-lo. Houve ate uma época que a prefeitura de Lucélia se interessou por isso, mas acabou virando em nada", contou.
Cícero Pires de Oliveira, 63, pescador, afirma que o Rio Feio é um dos melhores na questão da pesca. "Há 10 anos trabalho a beira do rio Aguapeí e afirmo que não conheço no Brasil, outro melhor para a pesca que esse. Aqui é possível se pegar 'piauçu' de 10kg, curimbatás, mandis, jurupoca, jurupecem, bicuda, armal, pintado, jaú de 22kg, dourado de 13kg, piaus de três pintas e pacu. Infelizmente, tem gente acabando com o rio e ninguém tem feito nada para impedir isso", disse.
Para o pescador, o rio pode ser 'salvo'. "Ainda dá tempo. Tem que haver uma ação mais eficaz do governo contra os pescadores de rede, que agem no retorno dos peixes da cachoeira. Quase não vemos fiscalização por aqui", finalizou.
Fonte: www.oestenoticias.com.br / Bastos Já
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