Parapuense chega à seleção brasileira com sotaque europeu
Nossa Lucélia - 31.07.2010
Jogador convocado fala português com sotaque, algo entre o francês e o italiano
PARAPUÃ - Uma das principais novidades de Mano Menezes para a renovada seleção brasileira fala português com sotaque, algo entre o francês e o italiano. Francês, porque mora há seis anos na terra de Sarkozy. Italiano, porque é casado com Patricia, uma conterrânea de Berlusconi. Mas ele nasceu em Parapuã.
Estamos falando do meia Ederson, do Lyon, que - a despeito de estar totalmente mergulhado nos hábitos europeus - garante que a seleção é um sonho realizado.
DIÁRIO - Você está há muito tempo na Europa, a ponto de todos se surpreenderem com sua convocação. Esperava chegar à seleção agora?
EDERSON - Olha, já fui sondado pelos franceses para me naturalizar, mas jamais levei isso em conta. Meu sonho sempre foi defender a seleção brasileira principal e sabia que pintaria uma chance. Deu certo.
E você pensa em voltar a atuar no Brasil?
Não tão cedo, realmente. Estou há seis anos na França e muito adaptado. Minha mulher é italiana e espera um bebê para novembro. Mas um dia, claro, desejo jogar em um clube brasileiro novamente.
Sua transferência para o futebol francês ocorreu logo após boa passagem pelas seleções brasileiras de base...
Exato. Fomos campeões mundiais sub-17 em 2003, e eu fui titular do meio-campo. Depois disso minha carreira ganhou o impulso que precisava.
Na verdade você jogou pouco tempo no Brasil.
Fui descoberto no interior paulista pelo RS, antigo clube do (ex-jogador e técnico) Paulo Cezar Carpegiani. Me levaram para o Sul com 16 anos, logo me torneio profissional e fui convocado para a seleção. Após o Mundial sub-17, me emprestaram para o Internacional e para o Juventude. Daí surgiu a proposta do Nice...
Valeu a pena sair tão cedo para um clube pouco expressivo no futebol europeu?
Eu sabia que poderia sumir do mercado brasileiro e não ter mais chances na seleção. Mesmo assim, fiz esta aposta e não me arrependo. Fiquei quatro anos e meio no Nice e surgiu a proposta do Lyon, que, aí sim, é muito grande e respeitado.
Como recebeu a notícia da convocação para a seleção?
Na verdade o Mano me ligou um dia antes. Queria saber se eu estaria pronto, se o Lyon me liberaria. Mas não me garantiu nada, fiquei ansioso. No dia da convocação, foi meu irmão quem me deu a notícia.
Apenas o amistoso contra os Estados Unidos, dia 10, será suficiente para se firmar?
Vou agarrar com unhas e dentes. Sonho em disputar as Olimpíadas e a Copa de 2014.
Como o Mano pode utilizá-lo na seleção?
Sou um meia de ligação que chega muito ao ataque, abrindo pelos lados. Tenho velocidade.
Fonte: Do OCnet / Diário de São Paulo
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