Quantidade de candidatos na região sudoeste do estado pode deixar todos de fora
Nossa Lucélia - 18.07.2010



REGIÃO - A grande quantidade de candidatos que registraram candidatura para concorrer a deputado estadual e federal domiciliados na região de Presidente Prudente pode fazer com que todos fiquem de fora. O alerta é de cientistas políticos entrevistados pelo Portal que afirmam: “nestas situações, um tira o voto do outro”.

São 14 candidatos para deputado estadual que constam no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém há o caso de Bernardete Querubim (PSB), que registrou candidatura diretamente, sem ser escolhida pelo partido. Além de dois nomes que ainda não estão na internet, mas que garantem ter enviado documentação: Denise Erbella (PT) e Tânia Geroti (PSC). Já para federal existem sete nomes. Entretanto, isto não significa que todos disputarão o pleito, já que a Justiça Eleitoral ainda está julgando os registros e divulgará até 5 de agosto.

“É um número realmente alto. Sem dúvida é um problema sério. Todos eles correm o risco de ficar de fora. O que posso afirmar é que devem se sobressair aqueles que estão em partidos que são fortes na região”, pontua o cientista político do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (Ipol/UnB), José Alvez Donizeth, especialista na área por El Colégio de México.

Na mesma linha, o professor do Departamento de Ciências Políticas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), doutor José Carlos Martines Belieiro Junior, fala sobre a dificuldade de conseguir uma vaga como deputado. “É muito difícil com esse número alto de candidatos e com a quantidade de votos que eles precisam. E desse total que vai concorrer pela região, quantos não são caçadores de votos e não farão diferença para a região?”, questiona ele, que é natural de Santo Anastácio e está radicado na cidade de Santa Maria (RS).

Belieiro ainda aponta que este “problema” tem relação com o atual sistema eleitoral brasileiro. “O ideal seria que tivéssemos voto distrital. Assim o candidato não iria pedir voto no Estado inteiro, apenas na região de seu domicílio eleitoral. Isso delimita a disputa para dentro da região, o que é bom para a população local”, explica.

O professor da UnB, Donizeth, concorda com ele. “O grande problema é a necessidade de uma reforma política no Brasil. O ideal seria que o voto fosse distrital, já implantado em vários países, como na Inglaterra, que possui um sistema parlamentarista, é chamado de voto [distrital] puro. Ou então igual ao da Alemanha, que possui o voto [distrital] misto, na qual o candidato tem uma segunda chance em outro distrito caso não vença dentro do seu”, expõe.

O motivo desse grande número de candidatos, apontado por Donizeth, são os “partidos eleitoreiros”. “Eles aparecem somente durante as eleições para funcionar como forma de pressão e tirar votos de outros candidatos. O ideal seria a criação de partidos orgânicos, que atuem diretamente na região e façam a diferença para a comunidade”, pontua.

Belieiro critica a atitude dos partidos para justificar o alto número de candidatos. “Eles tentam lançar o maior número, mesmo que não seja para ganhar. Fazem isso para ter acesso a recursos do fundo partidário e conseguir votos para a legenda. Parece caótica, mas é a realidade”, conclui o professor da UFSM que é mestre em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo (USP).


Fonte: Do Portal Do Ruas


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