Assassino de arquiteta é condenado a 22 anos de reclusão
Nossa Lucélia - 14.07.2010
TUPÃ - Terminou segunda-feira, 12, às 17h30 min, depois de 9 horas de duração, o julgamento do pedreiro Reginaldo Calil Sanches, assassino confesso da arquiteta Valéria Colnago. Conforme previsto, o salão do Júri ficou lotado de pessoas, incluindo parentes da vítima e do réu, que acompanharam, até o final, o julgamento de Calil.
A defesa, representada pelo advogado Wilson Fernandes, tentou, durante o julgamento, desqualificar as qualificadoras do crime, mas não obteve o êxito esperado. Réu confesso, Calil foi condenado à pena de 22 anos, dois meses e 20 dias de reclusão, e mais 20 dias multa, em regime inicialmente fechado.
O pedreiro não teve concedido o direito de recorrer em liberdade e, por esse motivo, após a sentença proferida pela juíza Joseane Patrícia Cabrini, foi conduzido à penitenciária onde encontra-se recolhido desde a prática do homicídio, em 31 de agosto de 2009.
O seu advogado, Wilson Fernandes, tem agora cinco dias, a contar de hoje, para recorrer da sentença, junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo.
Como a defesa não conseguiu eliminar as qualificadoras do crime, Calil foi condenado a 16 anos de reclusão com base do artigo 121 (homicídio) do Código Penal, e teve a sua pena aumentada em mais 1/4 com base nas agravantes de crime praticado por motivo fútil e também pela utilização de meios cruéis.
A agravante de não permitir defesa por parte da vítima, foi compensada pela atenuante de confissão do crime. Somada a essa pena, Calil também foi condenado por outros dois crimes praticados paralelamente referente a furto e ocultação de cadáver, que elevaram a sua pena para 22 anos, dois meses e 20 dias de reclusão, mais 20 dias multa.
Por outro lado, os jurados levaram em consideração o fato do réu ter dispensado, por duas vezes, a oportunidade de não tirar a vida da arquiteta. Conforme analisaram os jurados, ao atirar Valéria contra a pia da cozinha e vê-la cair desmaiada ao chão, Calil foi até o portão com a finalidade de ir embora, mas como o portão estava trancado, voltou para dentro da casa e, ao perceber que a arquiteta respirava com dificuldade, a enrolou num tapete e a cobriu com roupão e depois a colocou no porta-malas do carro.
Antes de deixar o imóvel, Calil subraiu jóias e dinheiro da vítima, foi até o local onde eram guardadas as ferramentas, pois prestou serviços à vítima, e pegou um enxadão. Como percebeu que a vítima ainda se mexia no interior do carro, Calil consumou o crime mediante esganadura e várias enxadadas contra a cabeça da arquiteta.
Depois de abandonar o corpo numa área de difícil acesso, na estrada do Picadão, com o dinheiro roubado da vítima Calil levou a filha para tomar sorvete.
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Muito emocionado, o pai de Valéria Colnago, Emílio Colnago, concedeu entrevista à imprensa ao término do julgamento e disse estar satisfeito com a sentença dada ao criminoso.
Segundo Emílio, não se trata de vingança, mas de uma questão de justiça, pois nada justifica um ser tirar a vida de outro. “Não tenho nada a contestar. O trabalho da Polícia Civil foi eficiente e bem como o da promotoria e assistente. O advogado de defesa também soube fazer a sua defesa”, disse.
Num desabafo, Emílio disse já ter sido jurado em 15 julgamentos e presenciado fatos terríveis. Mas nunca imaginou passar por uma situação tão dolorosa quanto a de assistir ao julgamento do assassino confesso de sua filha. “É muito doloroso para um pai passar pelo que estou passando. Mas quero agradecer às manifestações de carinho recebidas da população. Valéria era uma pessoa doce, e querida por todos e sua falta jamais será preenchida”, disse.
Quanto aos motivos que levaram Calil a praticar esse crime hediondo, Emílio disse que, com relação ao réu, havia percebido que ele era péssimo profissional, contudo, jamais soube de algum desentendimento entre o réu e a filha, e tampouco que o mesmo a vinha incomodando.
Fonte: Do Diário de Tupã
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