Assassino de arquiteta vai a júri hoje em Tupã
Nossa Lucélia - 12.07.2010



TUPÃ - O Tribunal do Júri de Tupã realiza desde a manhã de hoje o julgamento do pedreiro Reginaldo Calil Sanches, 32 anos de idade, que no dia 31 de agosto do ano passado assassinou a arquiteta Valéria Colnago. O crime, praticado com requintes de crueldade, chocou a cidade. Valéria era uma pessoa bastante querida e conhecida em Tupã. Além de arquiteta, era também apresentadora do programa “Versátil”, da TV a cabo.

O julgamento do pedreiro, que continua preso desde o ano passado, estava agendado para iniciar a partir das 8h30 min. A defesa do réu será feita pelo advogado Wilson Fernandes. Já a acusação estará a cargo da promotora Renata Calazans Nasraui. O crime praticado contra a arquiteta ocorreu no dia 31 de agosto do ano passado, e foi elucidado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) já na tarde do dia seguinte.

As investigações em torno do paradeiro de Valéria começaram ainda na segunda-feira, uma vez que a arquiteta não atendia as ligações e tampouco se comunicava com amigos, via internet, como fazia habitualmente. Já na manhã de terça-feira, quando seu veículo, um Nissan, placa EDK 2500, de Tupã, cor preta, praticamente zero, foi encontrado estacionado na Rua Floriano Sales, aos fundos do Terminal Rodoviário “Geraldo Seiscentos”, as evidências de que alguma coisa realmente de ruim teria acontecido com a apresentadora de TV a cabo, ficaram claras.

O veículo estava empoeirado, aparentando ter circulado por áreas de plantio de cana ou pasto, porque apresentava riscos na pintura e restos de material vegetal por baixo. Além disso, foram encontradas manchas de sangue no banco traseiro e em um dos encostos de cabeça, dando a impressão de que alguém poderia ter sido arrastado para fora do carro. Essas informações deixaram os familiares da arquiteta em desespero. Mas ainda assim havia esperança de que Valéria pudesse ser encontrada com vida.

Durante as investigações, a polícia levantou a informação de que a vítima andava reclamando do assédio que vinha sofrendo por parte de um pedreiro, fato este que teria até motivado uma discussão entre ambos, já que a vítima o repreendera. A partir da localização de Reginaldo, que foi detido na tarde de terça-feira, em sua residência, o mistério envolvendo o desaparecimento de Valéria acabou chegando ao fim.

O pedreiro confessou o crime e indicou onde havia escondido o corpo, que foi localizado em uma propriedade rural existente na estrada rural do Picadão, em um ponto de difícil acesso. Em depoimento prestado à Polícia Civil, o assassino disse que devia R$ 60,00 à arquiteta e, por esse motivo, foi até a casa da mesma a fim de negociar a dívida. A sua intenção, segundo relatou, era de pagar a dívida com serviços a serem prestados à arquiteta, que por sua vez não teria concordado com a proposta.

No meio da discussão que passou a ocorrer entre ambos, num momento de fúria, o pedreiro teria dado um forte empurrão na arquiteta, que bateu com a cabeça na pia da cozinha e, em seguida, caiu no chão já sem vida. Depois de matar a arquiteta, o pedreiro subtraiu algumas jóias da vítima e, em seguida, colocou o corpo da mesma no interior do carro, que estava na garagem. Seguiu, então, para um canavial existente na estrada do Picadão, onde enterrou o corpo.

As jóias e a carteira da arquiteta foram recuperadas pela polícia. Estavam enterradas em um terreno baldio, longe da área onde o corpo tinha sido depositado. O crime ganhou repercussão por diversas razões. Em primeiro lugar, porque Valéria era pessoa conhecida na sociedade tupãense, profissional de alto conceito e era apresentadora de um programa de TV a cabo. Depois, porque o fato envolvia muito mistério, não havendo ainda uma explicação plausível para um crime tão absurdo.


Fonte: Diário de Tupã / Bastos Já










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