Moradores de Mariápolis recorrem à Justiça após divulgação de lista com supostas posições políticas e incentivo a boicote comercial
Nossa Lucélia - 29.10.2026
Boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil, e comerciante pede indenização de R$ 20 mil por danos morais; caso ocorre em meio a denúncias de assédio eleitoral na regiãoMariápolis (SP) - Moradores de Mariápolis (SP) estão recorrendo à Polícia Civil e ao Poder Judiciário após a circulação de uma lista com nomes de comerciantes, profissionais autônomos e outros moradores associados a determinadas posições políticas em um grupo de WhatsApp denominado “Patriotas Mariápolis”.
O caso ganhou repercussão após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), e envolve relatos de exposição pública, incentivo ao boicote comercial e possíveis retaliações profissionais motivadas pela preferência eleitoral.
O episódio já resultou no registro de um boletim de ocorrência e no ajuizamento de medidas judiciais. Entre os relatos estão o de um trabalhador que afirma ter sido dispensado do emprego após declarar voto no candidato Luiz Inácio Lula da Silva e o de comerciantes e profissionais autônomos que temem prejuízos financeiros em razão da divulgação de seus nomes.
Uma lista semelhante também estaria circulando em Adamantina e em outras cidades da região, onde pessoas mencionadas avaliam buscar medidas judiciais.
Boletim de ocorrência reúne relatos de três pessoas - Um boletim de ocorrência registrado na terça-feira (27), na Delegacia da Polícia Civil de Mariápolis, reúne relatos de três pessoas: um homem de 31 anos e duas mulheres, de 63 e 40 anos.
Segundo um dos relatos, um trabalhador teria sido dispensado após declarar seu voto no segundo turno das eleições presidenciais. Ele não possuía registro em carteira de trabalho e, conforme as informações apresentadas, não teria recebido os direitos trabalhistas correspondentes. A possível relação entre a dispensa e a preferência eleitoral teria sido mencionada pelo próprio empregador em uma mensagem compartilhada no grupo de WhatsApp.
Outra pessoa relatou ser proprietária de um estabelecimento comercial incluído na lista, que teria sido acompanhada por manifestações favoráveis ao boicote ao local. A comerciante afirmou ter se sentido ofendida e demonstrou preocupação com possíveis prejuízos à atividade econômica.
A terceira pessoa citada no boletim trabalha como autônoma e teme perder clientes em consequência da exposição.
O documento policial menciona um policial militar aposentado como autor de mensagens relacionadas ao caso. A Polícia Civil deverá ouvir os envolvidos e reunir elementos para esclarecer as circunstâncias dos fatos.
Comerciante pede indenização de R$ 20 mil - Além da investigação policial, uma comerciante de Mariápolis ingressou com uma ação no Juizado Especial Cível de Adamantina, representada pelo advogado Luiz Guilherme de Freitas.
A ação atribui a dois administradores do grupo de WhatsApp a responsabilidade pela criação, divulgação e ampliação da lista. Entre os citados está o mesmo policial militar aposentado mencionado no boletim de ocorrência.
Conforme a petição inicial, o grupo reunia aproximadamente 216 participantes. A argumentação sustenta que as publicações teriam ultrapassado a manifestação de preferências políticas ao associar moradores e estabelecimentos comerciais a determinada classificação ideológica, em meio a mensagens que incentivavam a retirada de apoio econômico e profissional.
A petição também menciona manifestações de participantes defendendo a interrupção de compras, a recusa de apoio a pessoas consideradas adversárias políticas e a adoção de tratamento fiscal diferenciado para estabelecimentos classificados ideologicamente.
Essas alegações fazem parte dos argumentos apresentados pela autora e ainda deverão ser examinadas no decorrer do processo.
A ação foi proposta com pedido de obrigação de não fazer, cumulada com indenização por danos morais e tutela de urgência. Entre as solicitações estão a retirada da lista e das mensagens consideradas ofensivas, além da proibição de novas publicações da mesma natureza ou de ações de intimidação e exclusão.
A comerciante também pede a fixação de multa diária de pelo menos R$ 1 mil em caso de descumprimento de eventual decisão judicial e a condenação solidária dos dois requeridos ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais.
Os pedidos ainda dependem de apreciação judicial. Até o momento descrito nas informações do caso, não há confirmação de que a tutela de urgência tenha sido concedida nem decisão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.
Cinco pessoas procuraram advogado - De acordo com o advogado Luiz Guilherme de Freitas, cinco pessoas procuraram seu escritório após terem sido mencionadas no grupo. Entre elas estão profissionais liberais e pequenos comerciantes de Mariápolis.
Na avaliação do advogado, a conduta atribuída aos responsáveis pelas publicações ultrapassaria os limites da divergência eleitoral ao relacionar a identificação política dos moradores a possíveis iniciativas de retaliação comercial e profissional.
“A liberdade de expressão não é um escudo para o cometimento de crimes ou ilícitos civis”, afirmou.
O advogado também defendeu a atuação do Poder Judiciário para coibir eventuais abusos, proteger a dignidade dos envolvidos e evitar prejuízos à subsistência dos trabalhadores atingidos.
Região registra denúncias de assédio eleitoral - O caso de Mariápolis ocorre em meio a denúncias de assédio eleitoral registradas após as eleições presidenciais de 2026.
Dados atribuídos ao Ministério Público do Trabalho (MPT) da 15ª Região indicam que o órgão recebeu 148 denúncias de assédio eleitoral entre as 23h59 de domingo (25) e as 8h desta quinta-feira (29). A regional abrange 599 municípios do interior paulista.
O número corresponde a aproximadamente metade das 297 denúncias recebidas ao longo de todo o ano, segundo os dados informados.
Na região de Presidente Prudente, foram registradas 23 denúncias relacionadas ao primeiro turno e outras 17 após o segundo turno, totalizando 40 ocorrências no período mencionado.
Entre as condutas que podem ser investigadas estão ameaças de demissão, dispensas, recusa de contratação e outras formas de prejuízo profissional motivadas pela escolha política ou eleitoral dos trabalhadores.
A caracterização de assédio eleitoral depende da análise das circunstâncias de cada caso pelas autoridades competentes. O recebimento de uma denúncia, por si só, não comprova a ocorrência de irregularidade.
Outro caso repercute em Osvaldo Cruz - Na região, outro episódio relacionado a manifestações políticas posteriores às eleições provocou repercussão nesta semana.
Uma professora da Escola Técnica Estadual (Etec) Amim Jundi, em Osvaldo Cruz, publicou manifestações nas redes sociais com ataques à diversidade de gênero. Em reação às declarações, um protesto foi realizado em frente à unidade de ensino no final da manhã de quarta-feira (28).
O Centro Paula Souza, responsável pela administração das escolas técnicas estaduais, e o Ministério Público do Estado de São Paulo informaram que vão apurar as declarações da educadora.
Embora tenham circunstâncias distintas, os episódios passaram a integrar o debate regional sobre os limites das manifestações públicas, o respeito à diversidade e as consequências de declarações e condutas relacionadas ao ambiente político após as eleições.
Em Mariápolis, a investigação policial e as medidas judiciais buscam esclarecer a divulgação da lista, a participação dos envolvidos e os possíveis impactos das publicações sobre os moradores citados.
A eventual responsabilização dependerá da análise dos fatos e das provas pelas autoridades competentes e pelo Poder Judiciário.Fonte: Siga Mais>
Copyright 2000 / 2026 - All rights reserved.
Contact: Amaury Teixeira Powered by www.nossalucelia.com.brLucélia - A Capital da Amizade
O primeiro município da Nova Alta Paulista![]()
![]()