Estudantes da Etec de Osvaldo Cruz fazem protesto contra declarações de professora
Nossa Lucélia - 29.10.2026
Manifestação foi realizada nesta quarta-feira (28) e reivindica a saída da educadora; Centro Paula Souza abriu apuração preliminar e Ministério Público confirmou o recebimento de representaçõesOsvaldo Cruz (SP) - Estudantes da Escola Técnica Estadual (Etec) Amim Jundi, em Osvaldo Cruz (SP), realizaram uma manifestação no final da manhã desta quarta-feira (28), em frente à instituição de ensino, para protestar contra declarações de uma professora divulgadas em um vídeo nas redes sociais. O caso ganhou repercussão após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
Os alunos questionam posicionamentos expressos pela educadora, que declarou ser contrária ao movimento feminista, às pessoas LGBT e a pautas políticas associadas à esquerda. Entre as reivindicações dos manifestantes está o afastamento da professora da unidade de ensino.
Uma das lideranças do ato, Rhuan Dezani, explicou ao Siga Mais que a mobilização foi organizada para combater a discriminação, defender os direitos das pessoas LGBT e cobrar providências sobre a permanência da docente na escola.
“Foi um ato para dar voz a quem enfrenta a discriminação, combater a LGBTfobia e reforçar que todas as pessoas merecem viver com dignidade, segurança e sem medo de serem quem são. E principalmente pedir a saída da professora. Não aceitamos ter aula com uma pessoa dessa”, afirmou.
Declarações divulgadas nas redes sociais - No vídeo que circulou nas redes sociais, a professora afirma ser “antifeminista”, “anti-LGBT”, “anti-Lula”, “anticomunismo” e “antissocialista”.
Ao comentar a presença de temas relacionados à diversidade sexual e de gênero no ambiente escolar, a educadora declarou: “Você quer ser lésbica, gay, afim, seja lá o que for. Vá fazer isso você e sua vida, não ficar colocando isso dentro das escolas como se isso fosse uma ordem nos livros didáticos.”
Em outro trecho, ela afirma respeitar as pessoas e suas escolhas, mas se posiciona contra o que considera uma imposição de determinadas pautas.
“É sobre isso, não é sobre as pessoas serem o que elas querem ser, porque eu tenho respeito pelo ser humano e suas escolhas. Mas enfiar goela abaixo, não. E vai continuar assim”, declarou.
Ao final do vídeo, a professora reafirma sua posição sobre o papel da instituição de ensino e diz: “Escola é lugar de ensino, ensino”.
O conteúdo original foi posteriormente removido pela autora. Entretanto, gravações e capturas de tela continuaram circulando nas redes sociais, ampliando a repercussão do caso e motivando a manifestação dos estudantes.
Centro Paula Souza abre apuração - Procurado pelo Siga Mais, o Centro Paula Souza (CPS), autarquia estadual responsável pela administração das Escolas Técnicas Estaduais, informou que repudia manifestações discriminatórias e reafirmou seu compromisso com a diversidade no ambiente educacional.
Em nota, a instituição declarou:
“O Centro Paula Souza (CPS) repudia veementemente toda e qualquer forma de discriminação e reafirma seu compromisso com o respeito à diversidade e com a promoção de um ambiente educacional inclusivo e acolhedor. A instituição instaurou uma apuração preliminar para esclarecer os fatos e, caso sejam identificadas condutas contrárias às normas institucionais, serão adotadas as medidas cabíveis”.
O procedimento administrativo busca esclarecer as circunstâncias do caso. Até o momento, o Centro Paula Souza não detalhou quais medidas poderão ser adotadas, ressaltando que eventuais providências dependerão da apuração dos fatos.
Ministério Público recebeu representações - O caso também chegou ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que confirmou o recebimento de representações relacionadas às declarações da professora.
Em nota encaminhada ao Siga Mais, o órgão informou: “O MPSP informa ter recebido representações sobre o caso, as quais estão em análise e terão os encaminhamentos legais”.
Com isso, o caso está sob análise do Ministério Público e também é objeto de apuração administrativa pelo Centro Paula Souza. Até o momento, não foram divulgadas conclusões dos procedimentos.
A manifestação dos estudantes ocorre em meio ao debate sobre discriminação, diversidade e os limites das manifestações individuais no ambiente educacional. A apuração deverá esclarecer os fatos e verificar se houve conduta contrária às normas institucionais.Fonte: Siga Mais>
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