Polícia Civil conclui inquérito sobre maus-tratos a cães em Adamantina e pede prisão do investigado
Nossa Lucélia - 29.09.2026


Investigado foi indiciado e prisão preventiva foi solicitada à Justiça

Adamantina (SP) - A Polícia Civil de Adamantina concluiu o inquérito que apurou uma denúncia de maus-tratos contra animais em um imóvel residencial do município, no início deste mês. O investigado foi indiciado, em tese, pelo crime de maus-tratos contra cães, previsto na legislação ambiental.

A investigação foi iniciada após integrantes de um grupo de proteção animal entregarem à Polícia Civil um vídeo que registraria agressões contra um cachorro. O material foi preservado e incorporado ao procedimento.

Durante diligência realizada no imóvel investigado, acompanhada pela reportagem, os policiais encontraram três filhotes de cães com as caudas mutiladas, além de segmentos de caudas no quintal. Também foram localizados quatro filhotes mortos e enterrados, além de outros animais mantidos no local.

No imóvel também foram encontradas aves, entre elas um galo que estava amarrado.

Perícia confirmou sinais de maus-tratos - Conforme a Polícia Civil, a Polícia Científica realizou perícia no imóvel e identificou sinais compatíveis com maus-tratos.

Segundo o laudo, os três filhotes apresentavam mutilação das caudas realizada sem medicamentos, acompanhamento de profissional especializado ou condições adequadas. Dois segmentos encontrados no imóvel foram considerados compatíveis com os animais examinados.

A perícia também registrou quatro filhotes de cães mortos e enterrados e diversas galinhas mortas. Durante os trabalhos, não foram identificadas fontes de água ou alimentação destinadas aos animais.

Relatório elaborado por médico-veterinário que acompanhou a fiscalização apontou que os três filhotes apresentavam cortes inadequados nas caudas, com aparentes sinais de infecção e ausência de cuidados veterinários e de administração dos medicamentos necessários.

O documento também registrou sinais aparentes de dor e situação de negligência em relação aos animais.

Vídeo e depoimentos integram investigação - Além das perícias, a investigação reuniu depoimentos de testemunhas sobre as condições encontradas no imóvel, a agressão registrada em vídeo e as circunstâncias relacionadas às mutilações.

Em depoimento, o investigado admitiu ter atingido com uma corda o cachorro que aparece nas imagens. Segundo a versão apresentada, a reação teria ocorrido após uma mordida do animal.

Sobre a mutilação das caudas dos filhotes, inicialmente foi atribuída a responsabilidade a outra pessoa. Uma testemunha, porém, apresentou versão diferente e apontou o próprio investigado como responsável pela prática.

Polícia pede prisão preventiva - Com base no conjunto de provas reunidas - incluindo vídeo, depoimentos, perícia criminal, relatório veterinário e declarações do investigado -, a Polícia Civil concluiu pelo indiciamento pelo crime de maus-tratos contra cães.

O delegado responsável também representou à Justiça pela prisão preventiva do investigado.

Segundo a Polícia Civil, o pedido considera a gravidade dos fatos apurados e a existência de outros procedimentos envolvendo suspeitas semelhantes de maus-tratos contra animais, incluindo casos relacionados a um cavalo e a uma porca. Essas circunstâncias foram consideradas na avaliação sobre eventual risco de repetição das condutas.

Por que não houve prisão em flagrante - Embora tenham sido encontrados elementos indicativos de maus-tratos durante a diligência, a Polícia Civil explicou que não foi possível determinar com segurança quando as condutas investigadas haviam ocorrido.

O vídeo que deu origem à apuração registra uma agressão durante a noite, enquanto a diligência policial ocorreu no período da tarde. Dessa forma, não havia elementos suficientes para caracterizar que o crime estivesse acontecendo naquele momento.

Por isso, não houve prisão em flagrante. Foi registrado boletim de ocorrência e instaurado posteriormente o inquérito policial para apurar a materialidade, autoria e demais circunstâncias dos fatos.

Com a conclusão da investigação, o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências cabíveis.

A Polícia Civil ressalta que o indiciamento ocorre na fase investigativa e não representa condenação. A eventual responsabilidade penal será analisada pela Justiça.

Canais de denúncia - Denúncias de maus-tratos podem ser feitas diretamente à Polícia Civil (telefone 197), Polícia Militar (telefone 190) ou aos órgãos ambientais, inclusive de forma anônima. A Polícia Civil recebe denúncias pela internet na Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (DEPA). Os casos denunciados na ferramenta são encaminhados para a delegacia de polícia da localidade, para apuração.

O registro das ocorrências é fundamental para garantir a apuração dos fatos e eventual responsabilização dos autores.

Fonte: Siga Mais



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