Folha de pagamento da Prefeitura levanta questionamentos e pode resultar em CPI, em LucéliaNossa Lucélia - 22.07.2026
Pagamentos que multiplicam salários em até cinco vezes expõem falhas na transparência e pressionam Câmara a abrir CPI das Horas ExtrasLucélia (SP) - Dados do Portal da Transparência da Prefeitura de Lucélia (SP) revelam que dez perfis funcionais municipais - motoristas, guardas, coletores, varredores e auxiliares de manutenção - receberam, entre janeiro de 2024 e junho de 2026, pagamentos brutos que em alguns meses superaram em mais de cinco vezes o salário-base.
O levantamento, feito ao longo de 30 meses, aponta padrões estatísticos que exigem explicações públicas.
O que os números mostramEm janeiro de 2026, um motorista estatutário com salário-base de R$ 1.552,40 recebeu R$ 12.590,72. Se fosse apenas hora extra a 50%, seriam necessárias cerca de 941 horas em um único mês - algo fisicamente impossível.
Dez perfis analisados tiveram, em média, apenas 28% da remuneração oriunda do salário-base, enquanto 72% vieram de verbas variáveis não discriminadas no Portal.
Houve casos de aumentos expressivos sem portaria publicada, como o salto de 31,5% na remuneração de uma auxiliar de manutenção entre 2024 e 2025.
Picos sincronizados em janeiro de 2026 em cinco diferentes setores sugerem pagamentos concentrados de férias, 13º e adicionais, mas sem detalhamento público. Questões em aberto - A ausência de discriminação das rubricas no Portal da Transparência impede que a população saiba se os valores se referem a férias, 13º, adicionais legais ou horas extras. Entre os principais questionamentos levantados estão:
Quais parcelas compõem os pagamentos que superaram em múltiplos o salário-base?
Houve reenquadramento funcional ou gratificações específicas não publicizadas?
Por que os picos de remuneração coincidem em meses de recesso e em janeiro? Impacto institucional - O levantamento não afirma irregularidade ou fraude, mas aponta fragilidade na transparência ativa da Prefeitura. A Câmara Municipal de Lucélia é chamada a instalar uma CPI das Horas Extras, com poderes para requisitar relatórios internos que detalhem as rubricas e ordens de serviço.
O que está em jogoR$ 1,6 milhão pagos em 30 meses a dez servidores, dos quais apenas 28% correspondem ao salário-base.
A população de Lucélia recebeu apenas dados brutos, sem discriminação das verbas.
O direito constitucional à transparência e ao controle social depende da publicação detalhada desses pagamentos. Conclusão: Não há acusação de ilegalidade, mas sim a constatação de que os números divulgados pelo próprio Portal da Transparência desafiam a presunção de regularidade. A CPI das Horas Extras surge como medida inevitável para garantir que a população saiba, rubrica por rubrica, como são compostos os pagamentos municipais.
Fonte: Com informações de: Marcio Barreto/Adamantina Notícias>
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