Adamantina reverte quadro de mortalidade infantil e supera Metas do Milênio (ONU)
Nossa Lucélia - 09.04.2010



ADAMANTINA - O preocupante índice de mortalidade infantil apurado em Adamantina, medido nos períodos de 2006 a 2009, conseguiu ser revertido pela equipe da Secretaria Municipal de Saúde.

O desafio pela reversão desses indicadores foi assumido pela Administração Por Uma Cidade Melhor, que herdou esse grave problema de saúde pública e a partir do esforço de toda a equipe e investimentos, conseguiu atingir resultados bastante positivos.

Os números rebelam que em 2006 foram computados 22 óbitos para 1000 nascidos vivos, subindo para 30 por 1000 em 2007, caindo para 20 por 1000 em 2008 e chegando ao índice de 3 por 1000 nascidos vivos, em 2009, com apenas uma morte no ano passado.

Mesmo com o indicador de 3 por 1000, no ano passado, na realidade foi apenas um óbito de recém nascido registrado em Adamantina, de uma criança cuja mãe era residente em um município da região de Dracena e deu entrada na Santa Casa local com complicações na gravidez. Ela gerou a criança em Adamantina, sem nenhum acompanhamento pré-natal local, por conta de ser moradora de outro município.

O bebê nasceu prematuramente, não resistiu e esse único óbito de 2009 foi lançado em Adamantina, mas a Secretaria Municipal de Saúde já acionou a Divisão Regional de Saúde bem como a Secretaria de Estado da Saúde para desconsiderá-lo, o que levará a cidade a, oficialmente, chegar ao indicador zero.

Segundo a equipe da Secretaria Municipal de Saúde, outros casos semelhantes de gestantes da região que buscam Adamantina para terem os partos de seus bebês têm sido apurados. Por conta da estrutura montada na rede publica de saúde para atendimento pré-natal às gestantes, muitas informam endereço falso – geralmente de parentes – para terem acompanhamento local.

Outro número comemorado se refere às internações por complicações na gravidez: foram 182 em 2007, 12 internações em 2008 e apenas 6 internações em 2009.

A queda na mortalidade infantil a nível zero em Adamantina coloca a cidade nos patamares dos países de primeiro mundo em desenvolvimento humano, e são motivo de orgulho para toda a equipe de saúde, em especial os profissionais diretamente envolvidos nesses resultados.

A redução da mortalidade perinatal e neonatal em Adamantina foi resultado de grandes progressos na área neonatal. Surge num momento importante da história do serviço de saúde e propõe uma reflexão sobre a política municipal de atendimento à saúde materno-infantil.

A mortalidade perinatal e neonatal tem sido um dos indicadores de saúde mais utilizados quando o objetivo é analisar as condições de vida de uma população, uma vez que reflete diretamente a qualidade da assistência prestada à mulher durante o ciclo gravídico-puerperal.

Para melhorar os índices no Brasil o país estabeleceu uma meta de até o ano de 2015 reduzir em 15,6% as taxas de mortalidade infantil. Essa é uma medida para o cumprimento das Metas do Milênio, realizada em 2000, na Declaração da Cúpula do Milênio das Nações Unidas (ONU), que ocorreu em Nova Iorque.

Porém, a meta estipulada já está sendo superada pela área de saúde, em Adamantina. O decréscimo próximo de 70% reflete os investimentos da Prefeitura de Adamantina em políticas públicas direcionadas à área da saúde.

Ação conjunta

Um ambiente favorável às condições seguras para a maternidade e o parto dependem dos cuidados e da atenção dispensadas às gestantes e aos recém nascidos pelas comunidades e pelas famílias, da habilidade da equipe da área de saúde e da disponibilidade de centros de atendimento, equipamentos, medicamentos e cuidados emergenciais adequados para a prestação de cuidados de saúde sempre que necessário.

Todos esses aspectos compõem o conjunto de ações adotadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Adamantina, para a reversão do quadro de mortalidade infantil, com evidentes investimentos em saúde pública direcionados para a compra de equipamentos, modernização da estrutura de atendimento, ampliação do quadro de profissionais, aquisição de medicamentos, reforço alimentar e programas nas diversas áreas de saúde, que dialogam entre si.

Três médicos obstetras, duas enfermeiras obstetras, duas auxiliares de enfermagem, nutricionista e psicóloga atuam diretamente no atendimento às gestantes, no município, bem como o Grupo de Gestantes na área de abrangência do PACS – Programa de Agentes Comunitários de Saúde.

Núcleo central: infecções urinárias

O núcleo central das complicações na gravidez, em Adamantina, foi apurado pela equipe da Secretaria Municipal de Saúde como sendo de infecção urinária nas mães, no período de gestação.

A partir das primeiras constatações, em 2006, foram montadas estratégias para identificar o problema e propor ações para reverter a causa, com ações preventivas, bem como as rápidas intervenções diante de qualquer anormalidade verificada nas gestantes e nos bebês, no pré-natal.

Em dezembro de 2007 foram realizados 170 exames de urina, para pesquisa, e 50% apresentaram bacteriúria assintomática, proteinúria e piócitos significativos para infecção urinária. Todas as gestantes foram tratadas e após dez dias foram realizados novos exames para controle, cujos resultados comprovaram a eficácia do tratamento.

Em âmbito local foi revisando o protocolo do pré-natal de baixo risco que, por recomendações do Ministério da Saúde, preconiza dois exames de urina I para gestantes durante o pré-natal.

Diante da atual circunstância a equipe multidisciplinar chegou a um consenso passando a preconizar exame de urina I mensalmente, independente da idade gestacional, uma urocultura na rotina inicial no pré-natal e depois uma urocultura a cada trimestre, além do agendamento de uma consulta médica sete dias após a solicitação do exame para tratamento imediato de uma eventual bacteriúria (presença de bactéria na urina) assintomática de acordo com o exame de antibiograma.

O acompanhamento de todas as gestantes do município de Adamantina não se limita apenas na UBS. A Secretaria Municipal de Saúde realiza visita diária na maternidade para averiguar intercorrências relacionadas com a referida patologia.

Álcool, fumo, obesidade e drogas também são fatores de risco

A Secretaria Municipal de Saúde vem demonstrando preocupação em relação aos índices de mortalidade infantil e implementando ações e serviços para reverter esse quadro. Porém, é importante lembrar que apesar de todas as ações, cada caso depende de fatores relacionados à parte fisiológica, cultural e social do ser humano, e que não se trata de um processo mecânico com respostas imediatas.

Após processo de estudo percebeu-se que aproximadamente 90% das gestantes atendidas nas Unidades Básicas de Saúde, são de alto risco sendo: tabagistas, etilistas, obesas, usuárias de drogas, sedentárias, hipertensas e diabéticas. Poderiam também contribuir o desestímulo à cesariana eletiva com a redução da prematuridade, pois basicamente, o que se observa é que a cesárea é tida como moda no Brasil e mudar este quadro para outro que valorize o parto natural é uma questão educação que requer a ajuda de especialistas e a mobilização da sociedade.

Protocolo de ações supera recomendações do Ministério da Saúde

Diante dos resultados positivos a equipe da Secretaria Municipal de Saúde de Adamantina mantém um amplo conjunto de medidas de assistência para gestantes e bebês, que vão além das recomendações do Ministério da Saúde:

- Solicitação e realização de exames da gestante e do companheiro imediato;

- Agendamento da primeira consulta com prazo máximo de 5 dias;

- Ultrassonografia (

- Exame de urina mensal com resultado em 24 horas, visto e medicado em seguida, com entrega de medicação em domicílio e so

- Coleta de secreção vaginal;

- Exame papanicolau a partir da 12ª semana de gestação;

- Agendamento mensal de consulta para pré-natal de baixo risco até 32 semanas;

- De 33 a 27 semanas retorno quinzenal;

- De 28 a 29 semanas retorno semanal;

- De 40 a 42 semanas, retorno a cada 3 dias;

- Cardiotocografia para gestantes de baixo risco a partir de 38 semanas em todas as consultas;

- Visitas domiciliares às gestantes faltosas;

- Inclusão de gestantes e puérperas de baixo peso e risco social no Programa de Carências Nutricionais;

- Acompanhamento das puérperas na Unidade Básica de Saúde na realização do exame do pezinho com avaliação, orientação, promoção do aleitamento materno e agendamento de retorno para consulta de puerpério e primeira consulta de puericultura

Implantação do ambulatório de alto risco

A Prefeitura de Adamantina, por meio da Secretaria Municipal de Saúde implantou o atendimento do ambulatório de alto risco, onde as gestantes são acompanhadas e monitoradas com atendimento de um profissional obstetra à disposição para atender as possíveis intercorrências, além do plantão de obstetrícia da Santa Casa, visando intervir e tomar condutas imediatas frente a cada caso.

UTI neonatal

A Santa Casa de Adamantina adquiriu equipamentos de última geração para instalação da UTI Neonatal (3 incubadoras, 1 berço aquecido, 4 monitores de oximetria, 3 respiradores, 1 eletrocardiógrafo, 1 carro de emergência, 1 cardioversor, 1 balança pediátrica digital e 1 aparelho para fototerapia).

As UTIs neonatal são unidades hospitalares destinadas ao atendimento de pacientes graves ou de risco que dispõem de assistência médica e de enfermagem ininterruptas, com equipamentos específicos próprios, recursos humanos especializados e que tenham acesso a outras tecnologias destinadas a diagnóstico e terapêutica.

Uma das características do período neonatal são as altas taxas de morbi-mortalidade devido ser uma fase de grande fragilidade do ser humano e a alta propensão à ocorrência de seqüelas muitas vezes incapacitantes e de longa duração.

Para que estas taxas diminuam e haja a recuperação de alguma patologia que venha ocorrer neste período sem que haja seqüelas, é indicado o encaminhamento para Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN). Trata-se do recurso mais eficiente para fazer frente a estes números e diminuir a mortalidade neonatal.

É na UTI Neonatal que o bebê de risco e/ou o bebê prematuro recebe os cuidados médicos apropriados à sua recuperação e ao seu desenvolvimento. Nesta unidade, os bebês serão assistidos por uma equipe de saúde especializada e contarão com máquinas e equipamentos que, nestes primeiros dias de vida, lhe garantirão as funções vitais.

Equipamentos para a Santa Casa

A Santa Casa de Adamantina também comprou um cardiotocógrafo, que está sendo utilizado para as gestantes do SUS, para avaliação de bem-estar fetal (bebê dentro do útero), antes do parto, durante o parto. Este método avalia a higidez do concepto, é relacionado à função respiratória da placenta e, indiretamente, fornece indicações sobre a integridade dos mecanismos do sistema nervoso central, envolvidos no controle da freqüência cardíaca e da movimentação do feto.

Esta monitorização fetal anteparto não é utilizada para determinar o momento do parto, mas para permitir a decisão de que é segura a continuação da gravidez. Os resultados obtidos são creditados à capacidade de identificar, com 95,0% de acerto, o feto sadio e, conseqüentemente, a possibilidade de se prosseguir a gravidez.

O resultado do exame é semelhante a um traçado de eletrocardiograma, e com ele, o médico pode avaliar se o feto tem insuficiência na oxigenação cerebral por motivos placentários, posicionais ou compressões do cordão umbilical, como por exemplo, a circular cervical, mais conhecida como "cordão enrolado no pescoço".

O exame pode ser feito de rotina, sem indicação prévia, contudo é de muita importância no acompanhamento de pacientes que tenham pressão arterial muito elevada (chamada de pré-eclâmpsia), com história de trabalho de parto prematuro, em casos de alterações no ritmo cardíaco do feto e em insuficiência placentária, dentre outras indicações.

Posto de coleta de leite materno

Tendo em vista incentivar o Aleitamento Materno, em setembro de 2006 foi implantado o Posto de Coleta de Leite Humano com o objetivo de conscientizar gestantes/mães para o aleitamento materno, possibilitar um estoque regular e garantir à população alvo do município e região o leite humano, conforme as necessidades emergenciais, com proposta de redução da morbimortalidade infantil.

Nº de doadoras 92 200
Visitas para coleta 1406 1099
Litros de leite 375,0 L 299,3 L


Programa de carências nutricionais

Tendo em vista que as doenças mais prevalecentes em crianças, em Adamantina, eram justamente aquelas que têm relação direta com a desnutrição, a Secretaria Municipal de Saúde promoveu ações no sentido de garantir o desenvolvimento e crescimento da criança, e ainda suprir carências nutricionais em puérperas e gestantes.

Essa necessidade e os objetivos de melhorar esse quadro deram início ao Programa de Carências Nutricionais, que permite acesso a todas as vitaminas e minerais através da entrega de cestas semanais às gestantes e às crianças, possibilitando assim o bom desenvolvimento do feto na gestação e da criança até 7 anos de idade que se encontra em fase de crescimento e desenvolvimento.

O programa de carências nutricionais foi iniciado em agosto de 2005. Nesse período, até dezembro de 2009, foram entregues 16.387 cestas para crianças e 6.077 cestas para gestantes e puérperas. Ao todo, foram entregues 22.464 cestas, distribuídas semanalmente, compostas de 1 maço de alface, 1 dúzia de banana, 1k de batata, 500gr de beterraba, 500gr de cenoura, 1 dúzia de ovos, 2k de carne vermelha 1 uma lata de óleo (mês).


Fonte: Assessoria de Comunicação - Eli Ana C. Oliveira



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