Cortadores de cana da usina de Flórida Paulista entram em greve
Nossa Lucélia - 02.04.2010
Diretoria da usina Floralcool ainda não se manifestou sobre a greve dos funcionários
FLÓRIDA PAULISTA - Desde a última quarta-feira (31), os canavicultores da usina de Flórida Paulista, a Floralcool, iniciaram um movimento grevista. Mais de duas mil pessoas cruzaram os braços e esperam, em frente à usina, por um posicionamento da empresa.
O Adamantina em Pauta esteve no local e ouviu os trabalhadores sobre os motivos da greve. Segundo eles, que preferiram não falar de maneira individual, mas pelo grupo, o motivo principal da revolta é que a empresa não estaria depositando o fundo de garantia dos funcionários. De acordo com eles, muitos foram até a agência da Caixa Econômica Federal para pedir um extrato e perceberam que nada havia sido depositado nos últimos anos.
Outro motivo da revolta seria as férias atrasadas, além da cesta básica, que não estaria sendo paga há três meses. “Trabalhamos em condições precárias e ainda somos obrigados a ouvir que os próprios canavicultores têm lesado a empresa em R$ 12 milhões. Recebemos apenas R$ 0,19 por metro de cana que cortamos, enquanto deveríamos estar recebendo em média R$ 0,60 pelo metro”, desabafa um dos canavicultores.
Outra reclamação constante dos trabalhadores é em relação aos ônibus, a falta de água gelada e a condição dos banheiros que eles têm acesso. “Em grande parte dos ônibus não há toldo para que possamos descansar na sombra. A água é quente e com o calor que faz, é difícil aguentar a rotina, pois o trabalho é pesado. No caso de alguém não se sentir bem, e voltar ao ônibus antes das 15h30 (horário em que termina a jornada de trabalho), leva três dias de suspensão, sem receber um centavo”, conta.
Para as mulheres, a situação dos banheiros é um constante incômodo. Elas afirmam, que além de sujos, na maioria das vezes a porta não fecha, o que as obriga a ir sempre acompanhadas por outra mulher.
A situação em relação aos materiais de segurança é outra reivindicada. Segundo os trabalhadores, há muitos deles trabalhando sem as condições mínimas, esperando por mais de quatro meses para receber equipamentos como luvas e lima, e quando recebem, como da última vez, foi apenas um par de luvas – insuficiente para a rotina diária.
“Nós recebemos as férias em três parcelas, fomos dispensados do trabalho por cinco dias que a empresa não quer nos pagar, quando o ônibus quebra e não conseguimos ir trabalhar, nosso dia é descontado. Tudo isso é motivo da nossa indignação”.
Sueli Aquino Souza, canavicultora, afirma que existem vários trabalhadores trabalhando sem caneleira, um deles até se cortou, mas infelizmente Sindicato e Ministério do Trabalho não fazem nada a respeito. Não há muitas esperanças de que o impasse seja resolvido logo.
A Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de São Paulo estava no local, intermediando as negociações entre trabalhadores e usina, mas sem sucesso. Eles afirmaram que devido a acordos coletivos feitos anteriormente que a empresa não cumpriu, os trabalhadores não confiam em voltar ao trabalho antes de obter garantias de que um novo acordo seria cumprido por eles. Até ontem, quinta-feira (1º.), eles continuavam aguardando uma posição do Ministério do Trabalho.
Segundo os trabalhadores, não há previsão de volta ao trabalho. A Floralcool foi procurada para falar sobre o caso, mas segundo funcionária, o gerente João Batista, o único que poderia falar sobre o assunto, estava em reunião para resolver o problema e não iria se pronunciar.
Fonte: Natália Bachi / Do Adamantina Em Pauta
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