MST aguarda decisão do Incra para ocupar fazenda em Iacri
Nossa Lucélia - 22.01.2010


IACRI - Em torno de 150 famílias do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) estão acampadas no bairro Anápolis, em Iacri, com o objetivo de ocupar a Fazenda Santa Rosa. A propriedade pertence ao espólio do produtor rural Eduardo Marques da Silva e está em processo de inventário. O proprietário faleceu em abril do ano passado.

No mesmo dia em que o acampamento foi montado, o juiz substituto do Fórum Distrital de Bastos, Anderson Antonucci, decidiu, ao acatar ação de interdito proibitório movida pelos herdeiros da propriedade, estipular multa diária de R$ 1.000 por pessoa no caso de os sem-terra consolidarem a ocupação da fazenda.

O coordenador regional do MST, Luciano de Lima, disse em entrevista à Tribuna que “as famílias estão aguardando o laudo final do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que já vistoriou a fazenda e a considerou improdutiva, para fazer a ocupação legal da propriedade”.

Afirmou também que parte das famílias montou barracas em terrenos da Prefeitura de Iacri e outras se instalaram em casas abandonadas, também pertencentes ao patrimônio municipal, com a autorização de representantes de antigos moradores desses imóveis. “Nosso movimento é pacífico. Não temos a intenção de causar nenhum tipo de destruição nem promover uma ocupação ilegal”.

Luciano de Lima questionou ainda o advogado Sidnei Beneti Filho, representante dos herdeiros da propriedade, que em nota divulgada à imprensa na região afirmou que a área da fazenda tem 968 hectares. A nota assegurou ainda que a vistoria do Incra ocorreu após a morte do fazendeiro, quando as atividades agropecuárias estavam num período de transição por causa do inventário, e que a propriedade é produtiva.

“Em matéria veiculada no último dia 28, no Estadão, o Incra confirmou que a propriedade tem 4 mil hectares e é improdutiva. Esse parecer preliminar do Incra que indica a improdutividade da terra só é emitido após levantamento feito sobre a produção da propriedade nos últimos três anos”, refutou.

O coordenador regional do MST garantiu que das 150 famílias acampadas no bairro Anápolis, 80 são de Iacri e 30 de Bastos. Disse que “não ter propriedade rural com mais de 2.500 m², não ser aposentado com mais de três salários mínimos ou funcionário público e comprovar experiência na área da agricultura são alguns dos requisitos exigidos dos interessados em se engajar no MST”.


Fonte: Do Bastos Já / Tribuna

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