Fruticultura ganha força na região da Nova Alta Paulista
Nossa Lucélia - 19.11.2009


TUPÃ - No último sábado, dia 14, o Sebrae-SP realizou o primeiro Seminário de Fruticultura de Tupã e região, na Cooperativa Agrícola Mista da Alta Paulista (Camap). Durante o evento, foi apresentada a proposta de projeto de fruticultura, que vai valorizar o associativismo no campo para aumentar a rentabilidade do setor.

Representantes de nove municípios - Lucélia, Tarumã, Maracaí, Iacri, Sagres, Assis, Bastos, Pompéia e Tupã, participaram do evento. “A ideia é trabalhar outras culturas com as demais associações de produtores, já que atualmente atendemos 4% das propriedades nos 40 municípios pertencentes à região do Sebrae-SP em Marília”, contou Adriana Cirillo Montoro, gestora do projeto.

Atualmente, o Sebrae-SP atende, em média, 600 propriedades na região de Marília. O projeto também envolverá municípios da região de Presidente Prudente, aumentando ainda mais a abrangência de atuação da proposta.

De acordo com o engenheiro agrônomo Lourenço Nyssen, da Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf), a região de Tupã possui uma vantagem mercadológica quanto ao escoamento da produção de frutas, por estar localizada próximo a grandes centros urbanos como Marília, Bauru e Ourinhos.

Outro benefício para a prática da fruticultura nesta região, é a condição climática favorável para a diversificação das culturas, como exemplo: pêssego, nectarina, ameixa, goiaba, kiwi, caqui, tangerina, atemoia, banana, maçã, lichia, uva, maracujá, amora preta, manga e lima ácida taiti.

Um dos participantes do evento, o produtor Cosmo Damião Miranda, anotava atentamente cada slide da apresentação do engenheiro agrônomo. Ele planta maracujá há 15 anos, junto com o irmão, a cunhada e dois sobrinhos, em uma propriedade rural de Iacri.

Cosmo foi pioneiro desse cultivo no município, que conta hoje com outros 10 produtores. Na última safra, em 12 alqueires de terra, eles colheram 2.300 mil caixas da fruta a um preço médio de R$ 14,00 por caixa, considerando o custo de produção avaliado em R$ 5,50 por caixa. “O lucro está sendo muito bom e a gente pode aumentar a rentabilidade da nossa produção com o apoio do Sebrae-SP e demais parceiros”, explicou o produtor.

“A diversificação das culturas traz uma série de desafios ao produtor, porque ele necessita do uso de infraestrutura adequada para o manejo da fruta, conhecimento do fluxo de caixa, da fidelidade do cliente e saber como reduzir custos na produção”, salientou o engenheiro agrônomo Nyssen BR>
O presidente da Asso-ciação de Produtores de Acerola de Junqueirópolis, Osvaldo Dias, compareceu ao seminário e discutiu as limitações e desafios dos produtores no Oeste Paulista. Fundada em 1993, a associação diversificou o manejo de produtos; chegou a produzir maracujá, uva, batata doce, pimenta ardida, mas sem sucesso, pois faltavam planejamento e controle de produção.

“Não havia consultor agrônomo nem apoio do Sebrae-SP naquela época. Mas a partir dessa parceria e com um grupo organizado, persistimos no cultivo da acerola respeitando o padrão recomendável de vitamina C exigente no mercado. Hoje, uma grande multinacional do segmento de sorvete leva o nome da capital nacional da acerola na embalagem, reconhecida em todo Brasil”, disse.

Na safra de 2008/2009, os produtores colheram 2.511.000 quilos da fruta. No mês de setembro, os 67 associados conquistaram a certificação da fruta concedida pelo Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), por se adequarem às normas do mercado nacional e também obtiveram o selo Global Gap que permite à produção de Junqueirópolis ser exportada.

Produtor consciente 

O Sebrae-SP em Marília atende projetos de ovinocultura, apicultura, leite, café e cachaça, além daqueles inseridos no programa Sistema Agroindustrial Integrado (SAI), que envolvem a olericultura, mandiocultura e fruticultura. “Os produtores terão a possibilidade de obter um ganho real, a partir das orientações sobre mercado, tecnologia e gestão”, relatou o gerente regional da entidade, Fábio Ravazi Gerlach

Para o prefeito de Tupã, Waldemir Gonçalves Lopes, o mundo do proprietário rural mudou desde que é exigido dele a busca de novas informações sobre o manejo da terra e é fundamental que ele participe de cursos e palestras sobre associativismo e cooperativismo. “O começo do fracasso é o produtor achar que sabe de tudo e não querer ampliar e solidificar o conhecimento, ter visão de mercado para produzir alimento com qualidade”, disse o prefeito.

A parceria entre Sebrae-SP e Prefeitura estabelece rentabilidade para muitas categorias de profissionais que desenvolvem práticas de higienização dos alimentos, promove a qualidade deles e os manipula de forma adequada. É o caso de projetos adotados em casas de carne e em feiras livres. “O Sebrae-SP detém o conhecimento e a técnica, além de trazer condições para o desenvolvimento local”, declarou o presidente da Câmara Municipal de Tupã, Antônio Alves de Sousa "Ribeirão".  



Fonte: do Diário de Tupã


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