Vice em Parapuã diz que tem 'vergonha' de encontrar população
Nossa Lucélia - 27.10.2009


Para Samir Pernomian situação financeira da cidade é 'delicadíssima'


PARAPUÃ – A situação financeira vivida pelo município de Parapuã é “delicadíssima”. Segundo o vice-prefeito da cidade, Samir Pernomian, o problema impede até que a cidade firme novas parcerias com os governos estaduais e federais. Parapuã arrecadou em 2009 17% a menos que o mesmo período do ano passado.
“Confesso que eu tenho vergonha de andar na rua e falar com o povo da cidade. Porque nós estamos deixando de fazer aquilo para que existem as prefeituras, que é dar assistência à população e uma melhor qualidade de vida para seus munícipes. Mas não temos o que fazer. Estamos de mãos atadas”, disse Samir.

O vice-prefeito esteve em Osvaldo Cruz na última sexta-feira (23) em adesão ao protesto nacional das administrações municipais contra a queda de repasses do governo federal para as cidades. Segundo nota divulgada à imprensa, Parapuã perdeu quase um milhão de reais em arrecadação.

Para o vice-prefeito, a situação agravada principalmente pela queda de repasses do governo federal impede até o desenvolvimento da cidade. Em 2008 Parapuã recebeu R$2.171.000,00 do Fundo de Participação dos Municípios-FPM. Este ano, o valor caiu para R$1.635.00,00. Quase meio milhão de reais a menos durante o mesmo período.
“Acabamos perdendo recursos porque não temos dinheiro para usar como contrapartida em parcerias. Estamos aceitando somente as propostas de investimentos que não exigem contrapartida dos municípios. Agente sabe que é difícil explicar e muita gente acaba não entendendo. Mas infelizmente, não estamos conseguindo acertar as contas municipais por causa dessa crise que influencia diretamente no trabalho do prefeito e de toda administração municipal”, explicou Samir.

Corte de despesas

Para conter gastos, a prefeitura já tomou algumas medidas. Uma delas foi reduzir em meio período o expediente do funcionalismo público. O vice-prefeito admitiu ainda a possibilidade de haver demissões no funcionalismo público.
“O horário reduzido atrapalha muito o desempenho dos serviços de limpeza e de obras, por exemplo. Mas não temos outra saída. Acaba prejudicando a merenda escolar, o transporte, e tivemos que fazer corte nos programas de bolsas de estudos para universitários”, disse.
“Nossa situação é delicadíssima. Sabemos que quem perde é a população. Este mês já recebemos um alerta do tribunal de contas por causa dos gastos com pessoal. Chegamos a um ponto que podemos mandar funcionários embora. Estamos nos mobilizando pra fazer a situação mudar”, completou.

Durante o manifesto em adesão ao Dia Nacional em Defesa dos Municípios realizado em Parapuã, na sexta-feira, quando servidores paralisaram os serviços por uma hora, o prefeito Antônio Alves da Silva pediu que a população tivesse paciência e compreenda a situação.
“Em Parapuã temos tantos programas e benefícios. Estes cortes só mostram que estamos trabalhando pelo bem do povo e somente são feitos para melhor atender os funcionários públicos e a população”, afirmou.


Fonte: Da Redação do OCnet




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