Vicinal Lucélia/Adamantina - "Um sonho de 50 anos não realizado", diz conselheiro
Nossa Lucélia - 03.10.2009
Matéria extraída do JORNAL DA CIDADE - Adamantina, segunda-feira, 28 de setembro de 2009 – Ano VI – Nº 307
DESCASO
A vicinal Lucélia/Adamantina tem sido palco de reclamações constantes. Após foto legenda publicada na edição passada, inúmeros usuários se manifestaram solicitando empenho do JC no sentido de alertar as autoridades e gestores público sobre o assunto.
O JC entrevistou o conselheiro da OAB, Sidnei Alzídio Pínto (foto), que trafega diariamente pela vicinal e tem sido um constante batalhador na luta pela melhoria da estrada.
Sidnei, que reside no município de Lucélia e tem seu escritório em Adamantina, conhece os problemas da vicinal há mais de cinquenta anos. Já enfrentou por diversas vezes, acidentes e outras confusões a caminho de sua residência. Convidado a comentar a situação da vicinal, Sidnei não mede esforços em garantir que, ao contrário do que se pensa, não tem apenas interesses próprios na reforma da vicinal e sim visa ao bem–estar público na ligação apropriada das duas cidades. Afirma “toda vez que acontece algo diferente, eu escrevo para as autoridades, a fim de alertá-los, e já tentei, em vão, por diversas vezes, unir as forças políticas de Lucélia e Adamantina, como meio de buscar solução para a vicinal de modo que beneficiasse as duas cidades”.
PROMESSA ADORMECIDA
Segundo Sidnei “a Rodovia JVP/Moysés Justino é a vicinal que liga Adamantina a Lucélia, um trecho de apenas 4 km. Durante o trajeto encontramos ciclistas, carroças, motocicletas, ônibus, caminhões, automóveis e até pedestres, que são obrigados a utilizar a pista pela inexistência de um acostamento. Em 16 de janeiro de 2007, fiz um levantamento com o objetivo de mostrar as autoridades locais o grande volume de veículos que transitam na estrada. O resultado foi que das 08h00min às 09h00min, com o tempo chuvoso, passaram pelo local 522 veículos, em média de 400 a 700 veículos por hora. Minhas denúncias já duram mais de dez anos. A gente acaba deixando se levar pelas promessas. Já procurei o Turra (Secretário do Planejamento) e, por diversas vezes, ele me afirmou que o projeto estava pronto, e que a verba já tinha saído, até uma pista de ciclismo ele prometeu, mas a promessa já adormeceu”.
“Medidas urgentes são necessárias para evitar que aconteçam mais acidentes envolvendo cidadãos lucelienses e adamantinenses. A vicinal já foi responsável por diversos acidentes seguidos de morte. Seria necessário interditar o tráfego de carroças, bicicletas e pedestres até a construção de um acostamento e cobrar de nossos políticos para que se dêem as mãos, unam forças representativas das duas cidades e haja uma mobilização para a melhoria da vicinal. Mas, infelizmente, se eu viver mais 50 anos é quase certeza de que não verei esse sonho realizado”, conclui Sidnei.
Nota da redação do Jornal da Cidade – Em atenção aos problemas levantados pelos usuários da vicinal JVP/Moysés Justino, o JC ouvirá autoridades do executivo e legislativo das cidades de Adamantina e Lucélia, na próxima edição.
“Croqui de 1948 (arquivo do JC) compunha o Parecer elaborado pelo jurista Miguel Reale, visando à unificação do então patrimônio de Adamantina a Lucélia. Nele pode ser observado o projeto de integração, com rascunho do traçado da ferrovia e da avenida.”
Coluna "Nos bastidores":
Rally do sertão
Um cidadão afirmou: "têm dois prefeitos, duas câmaras de vereadores, têm deputados que dizem que apoiam e... ir daqui a Lucélia é um verdadeiro rally do sertão".
Editorial do JC:
Basta vontade política...
Embora tenham havido significativas perdas de órgão públicos, Adamantina ainda permanece como a cidade privilegiada. Duas questões, se forem bem trabalhadas pelas lideranças, principalmente pelo executivo, legislativo e partidos do PSDB e PT, poderão possibilitar uma posição estratégica para o desenvolvimento de Adamantina: Vicinal Adamantina-Lucélia e Federalização da FAI. Para hoje, o foco deste editorial se centra na questão da referida vicinal.
Como se pode observar na reportagem, manchete desta edição e no histórico do croqui (1948), a transformação urbanística e a consequente adequação da vicinal à avenida de integração das duas cidades proporcionará um imediato fortalecimento de Adamantina, que poderá se beneficiar com o processo de integração. Afinal, com a urbanização e a avenida, pode-se trabalhar a idéia de que as duas cidades, embora administrativamente distintas, possuem um único povoado, como acontece nas cidades metropolitanas. Isso poderia mudar o olhar do governo federal e estadual sobre os dois municípios.
As duas cidades somam quase 60 mil habitantes e abrigam prósperas empresas exportadoras, além de duas instituições de ensino superior e considerável potencial hidroelétrico e turístico (Salto Botelho). Eis aí uma grande oportunidade para virar o jogo regional e possibilitar um grande desenvolvimento para as duas cidades. Com a união, Adamantina e Lucélia só têm a ganhar. Porém, isto só acontece se houver vontade política. Boa semana, eleitor!
Fonte: Jornal da Cidade de Adamantina
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