Mulher descreve momentos de pânico em tentativa de assalto em Osvaldo Cruz
Nossa Lucélia - 01.10.2009
Cinco homens tem plano frustrado após reação da vítima
OSVALDO CRUZ - "Fica quietinha. Fica quieta, senão te mato”. Foram estas palavras que a empregada doméstica E.A.M. ouviu de dois bandidos quando chegou ao trabalho na última terça-feira, 29. A mulher de 57 anos descreveu ao Ocnet os momentos de pânico que viveu durante a tentativa de assalto. “Na minha cabeça eu quero esquecer. Mas não consigo. Só vejo aquela porta empurrando e aquele homem magro com o revólver apontando para mim. Não sei como ele não atirou na minhas costas quando saí correndo”.
A empregada teve contato com dois dos cinco bandidos que tentaram invadir uma casa na Rua Kieffer. Duas testemunhas ouvidas pela reportagem dizem ter visto mais três homens fugindo após o assalto frustrado. O crime aconteceu por volta das 8h. Os donos da casa dormiam na hora do crime e só acordaram com os policiais dentro de casa.
O início
“Eu abri a porta e percebi que a cachorrinha saiu correndo. Ela percebeu alguma coisa diferente. Quando empurrei a porta, bati na perna do bandido.” “Ele apareceu com o revolver na minha garganta e ficou repetindo para que eu ficasse quieta. Dois ladrões falavam comigo. Mas havia mais três escondidos. Eu não os vi, mas eles me viram.”
As ameaças
“O rosto deles estava todo coberto com capuz. Eu só conseguia ver os olhos e a boca. O resto do corpo estava todo coberto. A única característica que consigo dizer é que ele era magro.” “Só um dos bandidos estava armado. Mas pode ser que eu não tenha conseguido perceber. Era arma de verdade mesmo. Não era de brinquedo. Isto eu sei porque quando ele a colocou na minha testa senti que era metal. O cano estava gelado”.
A fuga
Apesar da ordem dos bandidos, a empregada doméstica correu em direção à frente da casa. Ela foi socorrida por vizinhos, e até agora não sabe por quê reagiu desta maneira. “Eu não sei como reagi desse jeito. Quanto mais silencio ele pedia, eu simplesmente gritei. E olha o que eu fiz: saí correndo gritando. Fui para a rua pedir socorro e gritava: ‘Ladrão! Ladrão!’” ”Quando liguei para a polícia não lembrava nem do telefone nem do endereço da casa em que eu trabalhava. Minha voz não saía. Como alguém vai salvar uma pessoa se não se sabe o endereço?”
Trauma
E.A.M. foi levada à Santa Casa em estado de choque. Ela concedeu a entrevista sob o efeito de calmantes. Sua voz estava vagarosa e, ainda assim, suas mãos tremiam muito. Graças à ação da mulher, nada foi levado pelos bandidos que pretendiam, provavelmente, render a empregada e o casal de idosos que dormiam para praticar o assalto.
“Falar é uma coisa. Mas estar na pele é outra. Só quem passa mesmo para saber o que estou sentido agora.”
“Eu não sei se consigo voltar trabalhar. Estou agora à base de calmantes. Não sei, preciso ver a hora em que eu melhorar. Agora não consigo nem comer.”
A Polícia Militar não registrou o boletim de ocorrência. Para a corporação não houve tentativa de assalto e sim, ameaça ou invasão de domicílio. Nestes casos depende-se de representação da vítima para elaboração do B.O. Já o delegado Carlos Vasconcelos da Polícia Civil afirmou que o setor de investigação vai apurar o caso.
Fonte: Do OCnet / Eduardo Ross
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