Paralisação de projeto causa prejuízo ao judô de Bastos
Nossa Lucélia - 14.09.2009

 

BASTOS - A paralisação do Centro de Excelência de Judô, determinada pelo governo estadual e concretizada em 29 de julho, surpreendeu e indignou atletas, pais e a equipe técnica do projeto em Bastos, além de causar prejuízo à Associação de Judô local.

Com planejamento e caixa ousados, o projeto foi lançado no final de agosto do ano passado, pela Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Turismo, com o objetivo de revelar jovens talentos no esporte e a promessa de repasse de R$ 730 mil a cada uma das quatro unidades do Centro de Excelência criadas – três em cidades do interior, incluindo-se a de Bastos, e uma na capital.

Um ano depois, a Pasta não cumpriu as cláusulas de sua responsabilidade no convênio, destinadas a garantir suporte financeiro à iniciativa, e ainda decidiu pela paralisação das unidades de Bastos, Piracicaba e Presidente Prudente.


“Não sei o que dizer às pessoas, pois a Secretaria Estadual de Esporte, responsável pela gestão do Centro de Excelência, não deu nenhuma justificativa sobre a medida adotada. Desde que foi determinada a paralisação das atividades, comunicada através de circular, em 30 de junho, temos ouvido somente promessas e nada mais”, lamentou Raul de Mello Senra Bisneto, coordenador técnico do Centro de Excelência de Judô e presidente da Associação de Judô de Bastos. E acrescentou: “quero acreditar que seja somente uma mera paralisação, pois o próprio coordenador de esportes da Pasta e gestor do projeto, Nelson Gil de Oliveira, afirmou que o Centro de Excelência não vai acabar e garantiu que providências já estão sendo tomadas, mesmo porque esta é uma iniciativa de governo José Serra”.


Raul Bisneto revelou que essa promessa foi feita quando esteve no gabinete de Nelson Gil de Oliveira em 1º de julho, um dia após ter recebido a circular comunicando a suspensão das atividades no mês seguinte.


O presidente da Associação de Judô de Bastos disse que procurou “a prefeita Virgínia Fernandes, uma vez que a Prefeitura é um dos parceiros do projeto e ela ser do mesmo partido do atual governo estadual”. Afirmou que a prefeita mostrou-se preocupada e imediatamente fez alguns telefonemas com o objetivo de se inteirar do que estava acontecendo. “Infelizmente, a situação permanece a mesma. Não sabemos o que dizer aos atletas, pais e à diretoria da associação local, que procuram saber se as atividades serão retomadas”, disse.


“Fiz o que estava ao meu alcance. Expus a situação ao Nelson Gil, que ficou de agendar uma visita a Bastos. Ele, que é gestor do projeto, esteve na abertura dos Jogos Regionais de Osvaldo Cruz em julho, no mesmo dia em que abríamos a 50ª Festa do Ovo, e fiquei sabendo que sequer fez um contato com os agentes do Centro de Excelência da nossa cidade. É muito deselegante por parte do assessor da Secretaria de Esporte não dar a merecida atenção ao comando local do projeto, que também foi paralisado em Presidente Prudente e Piracicaba”, criticou Virgínia Fernandes.

 

ACUSAÇÃO

 

Raul Bisneto acusou a Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Turismo de não ter cumprido os itens que lhe competiam no convênio firmado com os parceiros do Centro de Excelência de Judô.


De acordo com o convênio, a Pasta deveria ter repassado, durante o primeiro ano e por meio do Instituto Memorial Salto Triplo, R$ 730 mil à Associação de Judô de Bastos para o custeio de despesas com a equipe técnica (coordenador, técnico e auxiliar), estadia e alimentação dos 15 atletas aprovados no processo seletivo e oriundos de outras cidades, viagens para torneio e hospedagem, incluindo-se nesse item os judocas locais também previamente selecionados, equipamentos, entre outras.


“Dos R$ 730 mil que deveriam ter sido repassados à associação, do início do projeto, em agosto de 2008, até 29 de julho deste ano, quando foi consolidada a paralisação, recebemos apenas R$ 80 mil, o correspondente a pouco mais de 10% do valor. Essa verba não foi suficiente sequer para suprir as despesas com a alimentação dos atletas”, reclamou.


Raul Binesto garantiu que “o governo não cumpriu nem aquilo que se comprometeu com relação à Unesp, à qual competiria, conforme o convênio, colocar à disposição dos judocas toda uma estrutura de apoio que engloba serviços de Saúde nas áreas de traumatologia, ortopedia, odontologia, nutrição, psicologia, entre outros”.

 

TRANSTORNOS E PREJUÍZOS

 

Essa situação obrigou a Associação de Judô de Bastos a arcar, ao longo desses 11 meses, com despesas relacionadas a medicamentos, tratamento médico, alimentação, aquisição de kimonos, viagens, entre outras, para que o projeto tivesse continuidade. Compromissos que, segundo seu presidente, acabaram resultando em uma dívida que beira R$ 30 mil.


“Nossa esperança era um dia receber este dinheiro de volta, porém, para nossa surpresa o que recebemos foi o comunicado de paralisação do projeto por tempo indeterminado”, indigna-se Raul Bisneto.


Disse ainda que parte dos judocas retornou à sua cidade de origem. “Alguns dos selecionados para o Centro de Excelência, conseguimos encaixar em Projeto do Sesi (Serviço Nacional da Indústria) e no Centro de Excelência de São Paulo, o único que continua em atividade. Fomos obrigados ainda a dispensar o auxiliar técnico Eduardo Marandola”, lamentou.


A Tribuna fez contato telefônico com a Secretaria de Esportes, no início da tarde de quinta-feira, dia 10, para ouvir a versão do coordenador Nelson Gil de Oliveira sobre o caso e foi informada de que ele encontra-se em período de férias. Novo contato foi feito com o gabinete do titular da Pasta, Claury Santos Alves da Silva, mas a ligação foi repassada por uma funcionária à assessoria de imprensa. O assessor Erick disse que teria de consultar o setor Jurídico para checar a veracidade das acusações, o que demandaria tempo. Até o fechamento desta página, às 14h30, a assessoria não havia retornado o contato da Tribuna.

Fonte: Tribuna




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