Acusado contou com detalhes o crime contra arquiteta
Nossa Lucélia - 02.09.2009

TUPÃ-

14h00

 

Foi com detalhes que o pedreiro Reginaldo Calil Sanches, 32 anos, contou a forma como executou a arquiteta Aparecida Valéria Antonelli Colnago, 46 anos. O corpo da vitima foi encontrado enterrado em uma mata, ao lado de um canavial, a 200 metros da Fazenda Jangada, na estrada do Picadão, ontem, dia 1, por volta de 17h50. O caso, que ganhou repercussão em toda a região, foi descoberto quando o veículo de Valéria foi encontrado na rua Floriano Sales, ao lado do Terminal Rodoviário Geraldo Seiscentos, em Tupã.

 

A partir do encontro do veículo o delegado Washington Luiz Muzzi, titular da DIG – Delegacia de Investigações Gerais – iniciou as investigações e chegou até o pedreiro. Reginaldo Calil Sanches foi encontrado pela polícia em sua residência. Ele alegou que não tinha ido trabalhar na segunda-feira porque estava gripado. Por volta de 11 horas, do mesmo dia, procurou pela arquiteta em seu escritório, para negociar uma divida de R$ 60,00 que tinha com a vitima.

 

Ainda em seu depoimento o pedreiro relata que trabalhou por 3 meses na residência de Valéria Colnago, no Parque Universitário, sob as ordens de um mestre de obras. Que recebia o pagamento da semana – trabalhava de segunda a sexta-feira – ora, de Valéria, ora do mestre de obras. Que em determinada oportunidade trabalhou de terça-feira ao meio dia até a sexta-feira, e a arquiteta lhe pagou pela semana completa. Ele ficou de pagar a diferença - R$ 60,00 - em trabalho.

 

Ainda segundo o depoimento do pedreiro, quando foi ao escritório da vitima foi informado que ela estava viajando, mas que logo chegaria. Ele se dirigiu para a casa da arquiteta. Chamou-a pelo interfone, porém, não havia ninguém. Dirigiu-se para a praça do Parque Universitário, pois sabia que ela costumava passar pelas imediações. Esperou cerca de 2 horas e 30 minutos. Depois que a arquiteta passou, foi à sua residência e a chamou pelo interfone. Ela demorou cerca de 15 minutos para abrir a porta.

 

Ele entrou na casa e os dois começaram a conversar em uma área dos fundos da casa. Ela lhe mostrou o serviço a ser efetuado e segundo Reginaldo, o que ela queria que ele fizesse importava a preço de mercado em cerca de R$ 300,00. Os dois se desentenderam, e ela o chamou, segundo o pedreiro, de “safado e caloteiro” e entrou na cozinha. Ele a seguiu. Os dois continuaram discutindo, ela de costas, ele a empurrou. Ela bateu com a cabeça na pia sofrendo um profundo ferimento. Reginaldo teria tentado sair da residência, porém, encontrou o portão da frente trancado. Como era elétrico, retornou à cozinha para abri-lo. Viu Valéria golfando sangue e com dificuldades de respiração. A embrulhou em tapete de crochê e com o joelho em seu rosto, sufocou-a até que parasse de se mexer e resmungar.

 

Decidiu pegar algumas jóias e objetos da arquiteta, pensando em vendê-las e fugir. Pegou as jóias que estavam em uma penteadeira, máquina fotográfica, celular e a carteira, contendo documentos e R$ 90,00. Limpou o sangue da cozinha, com uma toalha de papel, que colocou em uma sacola plástica, que foi dispensada na mata, onde enterrou o corpo. Com uma faca cortou um pedaço do varal de secar roupas e amarrou suas mãos, cobriu-a com um roupão, e a colocou a no banco traseiro do veículo. Como continuava a se mexer pegou um enxadão de jardim que estava em um banheiro dos fundos da residência e lhe deu dois golpes.

 

Saiu com o carro. Segundo seu depoimento, sem saber para onde ir. Pegou a estrada do Picadão. Viu a mata e decidiu enterrá-la. Entrou no carreador no meio do canavial, passou por um trecho onde a cana tem cerca de 30 centímetros e como não conseguiu pegar o corpo no colo, puxou-a pelo cordão do roupão. Tentou abrir um buraco, no interior da mata, mas desistiu porque a terra estava muito dura. Viu nas proximidades um monte de terra formado por um formigueiro, ao pé de uma árvore. Colocou o corpo ao lado e cobriu-o com a terra.

 

De volta a Tupã, por volta de 15 horas desta segunda-feira, deixou o veículo com a mala, roupas, e notebook de Valéria, nas proximidades do Terminal Rodoviário e foi para casa. Ele contou que parte dos pertences e documentos de Valéria ele escondeu ao lado da via férrea, no Jardim Santa Adélia, e parte no córrego do bairro São Gonçalo. Com os R$ 90,00, que estavam na carteira, foi à sorveteria com a filha e ao Supermercado, restando cerca de R$ 50,00.

 

Reginaldo foi autuado pelo delegado Dr. Washington Luiz Muzzi pelo crime de latrocínio. Encontra-se na Cadeia Pública de Rinópolis e de lá deve ser encaminhado para o Centro de Detenção Provisória de Caiuá.




(Fonte: do Bastos Já Com informações da Unisite - Matéria Folha do Povo (Tupã) - Foto: Unisite)

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