Prefeitos da região reivindicam Batalhão da PM em Tupã
Nossa Lucélia - 20.08.2009
TUPÃ - Prefeitos e representantes de 11 municípios atendidos pela 2ª Companhia da Polícia Militar e pela Delegacia Seccional de Polícia Civil se reuniram na tarde desta terça-feira em Tupã para discutir o aumento da criminalidade na região e definir uma pauta conjunta de reivindicações junto ao governo do Estado.
O encontro também contou com a participação do delegado seccional Luiz Antonio Hauy, do comandante da PM, capitão Fernando Bigeschi e da vereadora e titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Tupã, Telma Tulim. Durante a reunião foram discutidas várias questões que tem contribuído para o aumento da violência na região, como a instalação de diversos presídios na região e a falta de efetivo.
Segundo dados apresentados pelos prefeitos, ao mesmo tempo em que a região possui apenas 2,5% dos moradores do Estado, já conta com 15,5% da população carcerária de São Paulo. Ou seja, proporcionalmente a concentração de criminosos na região já supera a concentração populacional.
O prefeito de Parapuã, Antônio Alves da Silva lembrou que o problema não consiste apenas no encaminhamento de presos para a região, mas o grande número de presos de alta periculosidade confinados nos municípios da Alta Paulista. “Governo mandou para nossa região criminosos especializados, mas não ofereceu a contrapartida necessária para atender essa nova clientela. Ou seja, recebemos bandidos especializados, mas não recebemos polícia especializada, viaturas especializadas, enfim uma estrutura especializada para suportar esse novo contingente de criminosos. E isso te contribuído para o aumento da violência na região. A situação é preocupante e prova disso é que 11 prefeitos da região se reuniram aqui para definir reivindicações conjuntas que possam garantir mais segurança para a população”.
Os prefeitos apontaram também que a instalação das penitenciárias não resultou em geração de empregos, argumento que seduziu vários municípios a se oferecerem para receber uma unidade prisional. A cidade de Pracinha, por exemplo, constatou que a instalação do presídio resultou na abertura de apenas três empregos no município. Por outro lado, a cidade conta hoje com 1.300 habitantes, quantidade inferior aos 1.380 presos recolhidos na penitenciária local.
Outro problema apontado pelos prefeitos é a redução gradativa do efetivo policial, tanto na Polícia Civil quanto na Polícia Militar. De acordo com os prefeitos, a diminuição do quadro de policiais compromete não só o policiamento preventivo, que inibe a ação dos bandidos, como também prejudica o trabalho investigativo, que resulta na identificação e prisão dos criminosos.
A vereadora e delegada Telma Tulim, titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Tupã, lamentou a concentração de presídios na região e lembrou que ainda em seu primeiro mandato alertou para a necessidade de se realizar estudos para analisar os impactos que a instalação de presídios causaria nas áreas sociais, de saúde, educação e infra-estrutura dos municípios. Ela também destacou a importância da mobilização dos prefeitos para reivindicar mais segurança para a região e se mostrou otimista quanto ao atendimento das reivindicações apresentadas pelos prefeitos.
“Diariamente estamos constatando um aumento gradativo na incidência de crimes, tráfico de drogas, desavenças familiares, o que demonstra que nossa região necessita não só de mais policiais, mas também de mais pessoal treinado e motivado. Mas tenho certeza que o governador será sensível ao apelo dos 11 prefeitos e que com essa mobilização vamos conseguir para nossa região o que ela mais precisa, que é a paz”.
Pauta conjunta
Preocupados com os índices crescentes de furtos e roubos, além do registro de crimes que até então eram pouco comuns na região, como assaltos a lotéricas, seqüestros e roubos a bancos, os prefeitos definiram uma pauta conjunta de reivindicações que será encaminhada ao governo estadual.
De acordo com o prefeito tupãense, Waldemir Gonçalves Lopes, o primeiro passo será agendar uma audiência com o secretário de Estado da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, onde os 11 prefeitos da região reivindicariam aumento do número de policiais civis e militares em todos os municípios atendidos pela 2ª Companhia da Polícia Militar e pela Delegacia Seccional de Polícia Civil.
“Durante a reunião conversamos com o delegado Hauy e o capitão Bigeschi sobre o aumento significativo da criminalidade e um dos motivos é a falta de policiais. E esse é um problema que vem se agravando cada vez mais nos últimos anos. O que os prefeitos defendem é que não é justo a população ter que sofrer com o aumento da violência para conseguir ter aumento no efetivo policial. O povo de Tupã e da região merece segurança de qualidade”.
Ainda de acordo com Waldemir, outra reivindicação conjunta que será novamente apresentada pelos prefeitos da região é a instalação de um batalhão da Polícia Militar em Tupã. “Os prefeitos acreditam que com a instalação de um batalhão da PM em Tupã automaticamente as cidades da região automaticamente receberiam mais policiais, mais viaturas, mais equipamento, ou seja, resultaria em melhores condições segurança para toda a região”.
O prefeito destacou ainda o trabalho das policiais Civil e Militar, que apesar das dificuldades e limitações tem realizado um bom trabalho na região. “Os policiais militares e civis tem trabalhado bem dentro do possível. A população não está insatisfeita com o comportamento dos policiais, mas com a falta de efetivo que tem sido um problema comum a todos os municípios da região. Por isso esperamos que o estado se sensibilize com as dificuldades enfrentadas pela nossa região e possa reforçar a nossa estrutura policial para que possamos voltar a ter índices suportáveis de criminalidade”, finalizou.
(Fonte: Folha do Povo (Tupã) Colaborou Jose Luiz Paiva)
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