Por volta de transporte, pais de alunos do Sesi protestam na Câmara
Nossa Lucélia - 07.03.2017
De forma pacífica, pais levaram faixas pedindo a volta da condução. Vereadores do PV apresentaram requerimento
OSVALDO CRUZ - Pouco mais de 15 dias após a suspensão do transporte escolar para os alunos do Sesi, os pais dos estudantes realizaram nesta segunda-feira, 6, protesto durante a sessão da Câmara em Osvaldo Cruz.
Os pais lotaram o plenário da Câmara e levaram faixas cobrando a volta do benefício, que por lei estava em vigor desde 2001.
REQUERIMENTO - Os vereadores que formam a bancada do Partido Verde (PV), apresentaram um requerimento, destinado ao prefeito Edmar Mazucato (PSDB) e, também, à secretária de Educação Maria Leny Scramin, solicitando o motivo do não cumprimento da lei 2.281/2011, que garantia o transporte aos alunos, desde que não fosse rota exclusiva da escola Sesi e não prejudicasse os demais trechos, além de cobrarem, ainda, qual o prazo para que o transporte volte a ser fornecido.
ENTENDA - Na última semana de fevereiro, uma núncia feita pelo dono de Van Escolar, Fábio Henrique – o Tio Fábio – que questionou a qualidade de serviço oferecido pela Prefeitura.
“Ônibus que cabem 30 pessoas estão transportando 60, até 80 alunos, todos sem cinto de segurança, em pé, sem monitoramento e não existe fiscalização da Polícia Militar e nem da parte da Fiscalização da Prefeitura”, denunciou o Tio Fábio.
Além disso, o denunciante ainda disse, em sua entrevista, que o fornecimento de quatro ônibus por parte da Prefeitura para a escola Sesi tem caráter ilegal, já que a escola não faz parte da rede pública.
“Hoje o Sesi é considerada uma escola particular e pela lei isso [transporte de alunos por parte da Prefeitura] é proibido. Então, venho através dessa denúncia dizer que todos os proprietários de transporte particular irão fazer uma denúncia na Promotoria. Nossos alunos não são bixos para serem carregados desse jeito”, destacou Fábio.
Diante disso, a Prefeitura cancelou, desde o dia 23, o transporte aos alunos.
CLIENTES POTENCIAIS - Em entrevista, a diretora do Sesi em Osvaldo Cruz, Solange Baldin Marques disse que o tom de proteção aos alunos não foi o único objetivo da denúncia.
“A intenção não foi só preservar a integridade das crianças. Os donos de transporte particular viram nos alunos do Sesi um mercado de trabalho com potenciais clientes e não mediram consequências do que poderia acontecer”, disse Solange.
LEI 2.281/2001 - O transporte de alunos para a escola Sesi é uma conquista que já dura quase 16 anos. Em abril de 2001, a Câmara aprovou a Lei 2.281/2001, onde a Prefeitura estaria, a partir de então, autorizada a transportar os alunos.
O artigo 3º da referida lei, no entanto, determina que “o transporte desses alunos não alterará os percursos que já estão sendo feitos regularmente pelo ônibus da Prefeitura, transportando os alunos que frequentam as escolas municipais e estaduais urbanas”.
Em contrapartida, o prefeito Edmar Mazucato disse que o Sesi também está em desacordo com a Lei.
“A escola também está devendo, dentro da Lei, algumas coisas que ela precisava fazer, por exemplo, comunicar o número de frequência e a quantidade de alunos que necessitam do transporte”.
“A MAIOR REDE PRIVADA DO PAÍS”, DISSE SAKF EM 2014 - Durante a campanha eleitoral de 2014, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, que disputava o cargo de Governador do Estado, negou que o Sesi seja uma escola da Rede Pública e, inclusive, classificou com a maior rede privada do Brasil.
“O Sesi não é uma escola pública. É uma escola da Indústria. A maior rede privada do país”, disse Skaf.
A declaração foi dada após ataques, por parte da campanha do PSDB que lutava pela reeleição de Geraldo Alckmin, que questionava a cobrança de mensalidade de alunos da Rede de Ensino mantida pela FIESP.
Fonte: Pedro Afonso _ Do OCnetVoltar para Home de Notícias
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