29 cerâmicas fecharam as postas em Panorama
Nossa Lucélia - 13.10.2015
Em 2014 eram 85 cerâmicas, hoje são 56. Aumento no custo da produção é um dos fatores que contribuem para a crise. Demissões também refletem negativamente no comércio
PANORAMA - Numa grave crise, cada dia mais cerâmicas de Panorama estão encerrando as atividades. Segundo a Cooperativa das Industrias Cerâmicas do Oeste Paulista (Incoesp), de 2014 até o momento 29 delas encerraram as atividades na cidade. Antes eram 85 e agora são 56.
O problema das empresas tem reflexos diretos na cidade: com o alto número de demissões de trabalhadores ceramistas o comércio local também é prejudicado.
Mário Fernandes Delfino era gerente de uma cerâmica que chegava a produzir 700 mil tijolos por mês e durante 21 anos gerou 25 empregos diretos. Porém, agora ela está abandonada. Ele comentou que sem condições financeiras de mantê-la aberta o dono acabou fechando as portas há três meses.
“Há um ano, nós produzíamos 700 mil blocos, com R$ 15 mil, R$ 18 mil de energia. Hoje, a energia para fazer a mesma quantidade de blocos foi para mais de R$ 50 mil, tem companheiro meu pagando R$ 52 mil. Antes o tijolo era R$ 0,30, agora é R$ 0,26. Cada dia que passa é mais difícil”, explicou Delfino.
Um levantamento feito pelo sindicato dos trabalhadores aponta que no ano passado inteiro foram 345 demissões no setor. Neste ano, até os primeiros dias de outubro foram 227.
O presidente da Incoesp, Milton Salzedas, disse que o aumento no custo da produção é um dos principais fatores que contribuem para a crise e que uma solução depende muito da implantação de políticas públicas.
“A saída nossa é uma logística mais barata, as barreiras fiscais e os custos da produção que a gente tem que diminuir. Tanto é que na argila a gente já conseguiu essa diminuição. Agora, a gente precisa procurar outras diminuições, mas não depende só de nós. Depende principalmente de ações do governo”, salientou o diretor da Incoesp.
Para a Associação Comercial e Empresarial de Panorama esse aumento de demissões no setor ceramista reflete diretamente nas vendas do comércio. Segundo a associação, o segmento que mais sofre esse impacto é o de confecções.
Em uma loja de roupas e acessórios que fica no Centro da cidade, a queda nas vendas e a inadimplência já são de pelo menos 40%. O comerciante Adelque César Soncin acredita que o momento ruim está relacionado à crise das cerâmicas.
“O pessoal está perdendo o emprego e eles não têm condições de vir gastar, as vendas caíram demais e a inadimplência aumentou muito também e nós estamos sofrendo junto com eles dessa mesma situação, dessa crise”, pontuou Soncin.
O José Carlos Pereira de Santana está entre os trabalhadores que perderam o emprego neste ano. Ele contou que trabalhou durante 29 anos como forneiro em uma cerâmica e que foi demitido há cinco meses. Ele admitiu que manter as contas em dia está cada vez mais difícil.
“Eu, com um monte de conta para pagar, corri atrás de outro emprego, mas não achei. A gente faz um bico mas, mesmo assim, não dá conta”, relatou Santana.
O diretor do sindicato disse ainda que se a situação continuar assim, a tendência é cair ainda mais, para cerca de 50% o número de empresas fechadas.
Fonte: Do G1 Presidente PrudenteVoltar para Home de Notícias
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