Meteorologia prevê nova tempestade no Oeste Paulista na próxima semana
Nossa Lucélia - 12.09.2015


Especialista do Cptec/Inpe alerta sobre momento de transição de estações. Outro temporal pode atingir a região a partir de terça-feira (15)

PANORAMA - Enquanto os moradores de Panorama recolhem o que sobrou do temporal que causou destruição na tarde da quinta-feira (10), os meteorologistas tentam explicar o que aconteceu e prever o que pode ocorrer no Oeste Paulista nos próximos dias. E não descartam a possibilidade de uma nova tempestade.

O meteorologista João Caetano Mancini Vaz, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe), explica que esse tipo de fenômeno é natural para a época.

“Nós estamos num momento de transição entre inverno e primavera. O clima primaveril começa a predominar, fazendo com que o período de estiagem e seca seja cada vez mais escasso. Dessa forma, esses eventos de instabilidade climática são comuns”, explicou.

Vaz prevê que nos próximos dias outra tempestade com a mesma intensidade pode atingir a região do Oeste Paulista.

“A previsão para o fim de semana é estável, não devem ocorrer outras chuvas dessa proporção. Mas, a partir de terça-feira [15], o clima volta a mudar e a alta da umidade do ar somada a uma frente fria que se desloca do sul em direção à região pode causar outros eventos meteorológicos de mesma proporção”, salientou.

'USINA HIDRELÉTRICA' - Para Rogério Rezende, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno que se caracterizou em Panorama é considerado uma tromba d'água. Ele analisou que uma frente fria, vinda do sul do país, chocou-se com a massa de ar quente, característica da região, formando nuvens do tipo “cumulonimbus”.

“Essa nuvem é característica por ter uma base baixa e um topo muito alto, podendo chegar a 20 quilômetros de altura. O movimento das correntes ascendentes verticais das gotículas de água no interior da nuvem pode gerar uma pressão atmosférica de energia equivalente a uma usina hidrelétrica. A maioria das células de cumulonimbus morre depois de aproximadamente 20 minutos, quando a precipitação faz com que as correntes ascendentes que alimentam a tempestade cessem, permitindo que a energia se dissipe", afirmou.

No entanto, se houver bastante energia solar na atmosfera, como em uma região onde o calor é intenso, ou num dia quente de verão, por exemplo, uma célula de tempestade pode evaporar-se rapidamente, resultando em uma nova célula, que se forma a poucos quilômetros da antiga, conforme o meteorologista.

"Isso pode causar temporais por várias horas. Esse tipo de nuvem causam raios e rajadas de vento que muitas vezes são maiores do que a chuva. Com o acúmulo de nuvens cumulonimbus, podem ocorrer trombas d'agua, como a que aconteceu em Panorama”, enfatizou.

MOVIMENTOS CIRCULARES - A diferença entre tromba d'agua e tornado pode ser notada pela formação e pela direção do vento. Na tromba d'água, o vento mantém os movimentos circulares, mas não completa o funil, e incorpora no chão. A explicação de Rezende vem de encontro ao que o climatologista Vagner Camarini, responsável pelo Centro de Meteorologia e também pelo Laboratório de Agrometeorologia da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), relatou ao G1.

Camarini argumentou que o efeito foi resultado de uma queda brusca de pressão da atmosfera, associada à frente fria e a áreas de instabilidade que estão sobre a região. Para o climatologista, o evento é resultado de um “inverno atípico”, com temperaturas elevadas. A estimativa, conforme o Camarini, é de que a velocidade do vento tenha alcançado os 120 km/h.


Fonte: Do G1 Presidente Prudente / Com a colaboração de Claudionor Paschoalotto, da TV Fronteira

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